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    Festival de Brasília 2018: O controverso Ilha desperta paixões e críticas
    Por Bruno Carmelo — 20 de set. de 2018 às 14:40
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    Obra-prima ou filme caótico?

    Depois de algumas sessões consensuais no 51º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, a noite de 19 de setembro apresentou o seu primeiro filme realmente polêmico: Ilha, comédia dramática dirigida por Glenda Nicácio e Ary Rosa.

    Os cineastas, que se destacaram em 2017 com o drama Café com Canela, trazem a história de um jovem baiano (Renan Motta) que sonha em ter um filme sobre a sua vida, e para isso sequestra um diretor de cinema famoso (Aldri Anunciação), obrigando-o a filmar o projeto. O resultado mistura comédia e drama, críticas ao racismo e momentos de cinefilia, violência explícita e sexo entre dois homens, além de trazer o Brasil representado por uma mulher negra e cega.

    Tamanha ousadia suscitou uma reação imediata dentro do Cine Brasília: além dos aplausos calorosos durante o filme, o final trouxe uma verdadeira ovação por parte da plateia, enquanto outra parte se levantava em silêncio. Pelos corredores, alguns espectadores falavam em obra-prima, enquanto outros se queixavam da confusão, dos símbolos óbvios, dos diálogos artificiais. Leia a nossa crítica. Na coletiva de imprensa, Rosa afirmou que sua intenção é "descaretar o cinema", e que jamais abrirá mãos de suas liberdades artísticas. "Não temos pretensão de ter um estilo", concluiu. "Cada filme é um filme".


    Pedro Garcia / Divulgação

    Além do longa-metragem, a mostra competitiva apresentou o curta-metragem Aulas que Matei, de Amanda Devulsky e Pedro B. Garcia. Os diretores retratam uma escola pública onde uma batida policial muda a vida dos estudantes. Ao invés de um realismo bruto, o filme opta por recursos poéticos como os sons dissociados da imagem ou um personagem capaz de levitar. 

    O resultado é belo, marcado por um olhar de proximidade à situação nas periferias. Cenas como a chamada telefônica do garoto à mãe são espetaculares. No entanto, a história ganha menos uma conclusão do que uma interrupção um pouco abrupta.


    Na Mostra Caleidoscópio, dedicadas a filmes com experiências formais, Os Jovens Baumann, de Bruna Carvalho Almeida, cria uma estrutura próxima ao falso documentário, com a trama de oito primos de uma família rica que desapareceram depois de passarem as férias juntos em 1992. Fitas VHS servem de instrumento de investigação.

    Espécie de suspense que não se assume inteiramente como tal, e crônica política que não vai a fundo em suas análises, o filme pelo menos traz uma construção eficaz de ambientes e conta com interações divertidas e realistas entre os personagens.

    Leia a nossa crítica.


    A mostra competitiva segue no dia 20 de setembro com três filmes dirigidos por mulheres: o longa-metragem A Sombra do Pai, de Gabriela Amaral Almeida e os curtas-metragens Guaxuma, de Nara Normande, e Plano Controle, de Juliana Antunes.

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