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    Festival de Brasília 2018: Em Bloqueio, greve de caminhoneiros ilustra Brasil que não se sente representado pelos políticos
    Por Bruno Carmelo — 19 de set. de 2018 às 12:05
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    O ódio contra a democracia.

    O 51º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro apresentou um ótimo documentário em sua quarta noite de mostra competitiva: Bloqueio, de Victória Álvares e Quentin Delaroche. Ao contrário de outros projetos exibidos no Cine Brasília, que acreditam na necessidade de analisar uma ampla linha do tempo para representar a nossa situação, os cineastas partem da greve de caminhoneiros, em maio de 2018, para efetuar um complexo painel da política nacional.

    Os diretores buscam entender as reivindicações dos manifestantes que pararam o país, descobrindo uma pluralidade de demandas que vão da baixa do preço do diesel até a intervenção militar e mesmo o fim de todos os políticos de uma vez só. Inconformados com a esquerda e com a direita, exigem soluções radicais e flertam com a violência.

    Leia a nossa crítica.


    Enquanto isso, o curta-metragem Conte Isso Àqueles que Dizem que Fomos Derrotados, de Aiano Bemfica, Camila Bastos, Cristiano Araújo e Pedro Maia de Brito, segue as ocupações do Movimento Luta nos Bairros, em defesa do direito à moradia. Usando o coletivo como protagonista, o filme demonstra a organização e o combate destas pessoas, com cenas de ações efetuadas durante a madrugada em tempo real.

    A estética da urgência, com a câmera tremida e imagem digital de baixa qualidade, se ajusta aos propósitos do grupo: tanto a militância quanto o cinema são feitos na garra, explorando os pouquíssimos recursos à disposição. Mesmo assim, a estética jamais possui a força daquilo que representa. Em outras palavras, o filme se torna refém de seu tema, buscando apreendê-lo ao invés de construi-lo. 


    A Mostra Caleidoscópio teve continuidade com a exibição de Calypso, de Rodrigo Lima e Lucas Parente. O longa-metragem apresenta dois personagens que circulam por entre às pedras, à beira do mar, enquanto se expressam com recursos próximos da performance. Apesar das belas imagens e da construção de uma atmosfera imersiva, o resultado se revela tão hermético que dificulta o diálogo com o espectador.

    Leia a nossa crítica.


    A mostra competitiva segue em 19 de setembro com o longa-metragem baiano Ilha, de Glenda Nicácio e Ary Rosa, e com o curta-metragem brasiliense Aulas que Matei, de Amanda Devulsky e Pedro B. Garcia.

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