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Admirável Mundo Pop: Qual é o melhor Batman de carne e osso que já existiu?
Por Pablo Miyazawa — 15/09/2018 às 23:31
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Alerta de spoiler: Nenhum deles

Neste sábado, 15 de setembro, comemora-se o Dia do Batman. Não sou eu que estou falando, é a DC Comics.

Não tenho dúvidas de que o Batman é o meu ícone ficcional favorito, empatado cabeça a cabeça com o Sherlock Holmes (e não é coincidência ambos serem detetives geniais). Entre os super-heróis, o Homem-Morcego certamente ganha de lavada na minha preferência, frente a qualquer ser colorido da DC ou Marvel. Foi o primeiro personagem que aprendi a desenhar. E foi o primeiro gibi "sério" que li e me impactou quando eu me sentia um mero menino prodígio nos anos 1980. O Cavaleiro das Trevas, Batman: Ano Um, Asilo Arkham, Morte em Família, A Piada Mortal... Ninguém mereceu estrelar tantas histórias memoráveis em tão pouco tempo.

A enigmática cena final de Batman: A Piada Mortal: abraço amigo ou pescoço quebrado?

O Batman é um mortal bem-nascido e equipado com alta tecnologia, mas também é muito mais do que isso. É um ser humano íntegro movido a boas intenções (e por que não, um bom tanto de vingança), um atleta incansável com uma mente superior diferenciada, um investigador de talento comparável só ao do já citado Sherlock. E além de lidar com crimes a rodo e vilões maníacos, ele também tinha de equilibrar a vida dupla: seu alter-ego, Bruce Wayne, era um milionário traumatizado que precisava se fingir de fútil para não estragar o disfarce. Só quando vestia o uniforme do morcego ele se sentia completo, mas não necessariamente feliz. Raramente vimos o Batman sorrir, exceto quando ele torceu o pescoço do Coringa no final de A Piada Mortal (ou será que aquilo foi só um abraço mais apertado?). Seja como for, o Batman das HQs é o cara.

Talvez por figurar em um universo ficcional factível e não ostentar poderes sobrehumanos, o Batman foi o super-herói que mais vezes ganhou versões live-action ao longo dos anos. A série de TV dos anos 1960 só vale mesmo pelo folclore. Para muita gente, aquele esforço de Adam West ainda representa o Homem-Morcego mais verdadeiro, mesmo com a barriguinha proeminente e o eterno ar de tiozão playboy. Nada parecido com a versão que começava a se desenvolver nos quadrinhos -- um homem sério, deprimido, perturbado, com o peso do mundo sustentado em seus ombros. Emocionalmente instável com seus traumas de infância, mas pronto para entrar na linha quando a ocasião solicita. Minha versão favorita ainda é o cinquentão de O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller, com aquele ar de Marlon Brando em boa forma porém cansado da guerra.

Adam West foi o Batman que os anos 1960 precisavam.

Eu tinha uns 9, 10 anos, no auge da minha batmania pessoal, quando soube que um filme logo estaria chegando aos cinemas, com a direção de Tim Burton, que até então só havia feito coisas esquisitas como Os Fantasmas se Divertem. Eu lia as HQs religiosamente, então teria uma boa base de comparação. Lembro de ter ido ao cinema com mais três amigos da escola e de ter adorado aquele clima gótico de Gotham City e a sensação de fim de mundo iminente. Quando saímos da sala, já era noite na Avenida Paulista e me perdi olhando para o alto dos prédios, imaginando que pudesse vê-lo solto entre as nuvens, pendurado casualmente em seu batgancho. O Batman nunca me apareceu de verdade, mas a imagem da minha fantasia ficou gravada.

Apesar de ter curtido o filme, o que vi na tela não foi nada como eu esperava. Estava acostumado a outra ideia de Bruce Wayne, e aquele interpretado por Michael Keaton pouco se parecia com a persona que eu havia criado na cabeça, a partir do que devorava nas revistas. Era silencioso demais, mais cínico do que deveria, visivelmente desconfortável tanto vestindo a máscara e a capa quanto com o smoking de festa. Fiquei impressionado sim, com o Coringa de Jack Nicholson, o que era algo quase profano de se admitir quando se é criança e somos doutrinados a sempre torcer pelo mocinho. Mas que o vilão era muito mais legal do que o Batman, isso lá ele era. Assim como sempre preferi o Darth Vader a Luke Skywalker (mas isso fica para uma futura coluna).

Apesar dos pesares, o Batman de Michael Keaton funcionou, mas não encantou.

Vieram os filmes seguintes, e aquele Batman do logotipo preto e amarelo continuava a não me convencer. Michael Keaton tentou de novo em Batman - O Retorno, mas a Mulher-Gato de Michelle Pfeiffer e o Pinguim de Danny DeVito eram sem dúvidas mais interessantes. Sem Tim Burton na direção e com Val Kilmer no uniforme, a coisa não mudou muito de figura - aliás, eu nem me lembro tanto de Batman Eternamente por conta da nova cara de Bruce Wayne, e muito mais pelas atuações loucas de Jim Carrey como Charada e de Tommy Lee Jones como Duas Caras. 

Acho que a afronta definitiva veio em 1997 com Batman & Robin. Tenho certeza de que achei George Clooney uma escolha incrível para o papel, afinal ele estava em alta com todo mundo desde Um Drink no Inferno. Mas não consegui me concentrar depois da infame cena de abertura recheada de mamilos e bundinhas (desculpe aí, Joel Schumacher). Nem Uma Thurman como Hera Venenosa e Arnold Schwarzenegger como Senhor Frio deram conta de salvar aquela desgraça. Naquele momento eu já estava desinteressado pelo Batman das HQs, e certamente os filmes ruins tiveram alguma influência nisso. Foram quatro tentativas em um espaço de oito anos, e nenhuma havia conseguido tornar real a minha imagem pessoal de Bruce Wayne.

O "Batman com mamilos" de George Clooney não rolou

Veio o século XXI, a ressaca do Batman já havia passado em Hollywood e a aguardada trilogia de Christopher Nolan começava a tomar forma. Batman Begins foi literalmente um bom começo, ainda que a proposta de se inspirar na excelente HQ Batman: Ano Um não tenha se concretizado na prática. Christian Bale foi uma escolha interessante para o papel? Foi, mas não me encantou de cara. Faltou carisma, faltou vontade, faltou... ser o Batman? Mas tudo bem, os outros filmes iriam mudar minha ideia. Certo?

Não foi bem assim. No capítulo seguinte, considerado o melhor de todos (por mim também, ainda que com ressalvas), novamente o vilão chamou mais a atenção do que o protagonista. Batman - O Cavaleiro das Trevas deveria se chamar "O Coringa" que seria mais adequado, e os méritos são tanto da atuação fora de controle de Heath Ledger quanto da performance contida demais de Bale. O Cavaleiro das Trevas Ressurge, como todo fim de trilogia que se preze, não conseguiu reverter a situação em favor do ator principal. Não conheço um único fã que diga que Christian Bale foi o melhor Batman/Bruce Wayne, e eu certamente concordo com eles.

Christian Bale foi um Bruce Wayne adequado, mas de quem ninguém vai se lembrar

DC não se cansa de reinventar o Batman em carne e osso, mas até agora, quase 80 anos desde sua primeira história e quase 30 após o primeiro filme, não teve muita sorte na empreitada. Em três aparições, Ben Affleck jamais conseguiu chegar perto de um Batman satisfatório ou de um Bruce Wayne condizente com o que meus sonhos desejam. Não que ele não tenha se esforçado para isso, mas os filmes em si não ajudaram muito, o que certamente atrapalhou sua performance. Tanto que ele, mais "Sad Affleck" do que nunca, aparentemente desistiu de ser o herói. Agora, DC e Warner possuem mais um nó para desamarrar em seu complicado universo cinematográfico, como se não houvesse problemas suficientes.

Os rumores dizem que Jon Hamm, de Mad Men, quer pegar o papel para si. Parece bom na teoria, assim como George Clooney, Christian Bale e Ben Affleck pareciam escolhas adequadas em cada época. Eu gosto de Hamm e torço para que dê certo, mas meu instinto morcego diz que a tentativa ficará no “quase” mais uma vez. O manto do Batman é mesmo um fardo pesado demais para qualquer um carregar.

Por que Ben Affleck desistiu do Batman?

Olhando para essa saga toda e analisando como um crítico que continua fã (e não desiste nunca!), concluo a minha certeza: o melhor Batman de carne e osso ainda é aquele que existe só na minha imaginação. E é para esse super-herói dos sonhos que dedico minha homenagem no Batman Day. Vida longa a ele.


Pablo Miyazawa é colunista semanal do AdoroCinema e consome cultura pop desde que nasceu, há 40 anos, de Star Wars a Atari, de Turma da Mônica a Twin Peaks, de Batman a Pato Donald. Como jornalista, editou produtos de entretenimento como Rolling Stone, IGN, Herói, EGM e Nintendo World.

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