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    Festival de Brasília 2018: Filmes sobre a ditadura militar e a posse de Lula ajudam a pensar o Brasil de hoje
    Por Bruno Carmelo — 15/09/2018 às 12:50
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    Onde estamos e para onde vamos?

    Divulgação / Humberto Araújo

    Na noite de 14 de setembro, o Cine Brasília abrigou a cerimônia de abertura do 51º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Com apresentação de Letícia Sabatella e Chico Diaz, o evento foi marcado por discursos políticos e a promessa de um olhar questionador, presente em mais de uma centena de filmes exibidos até o dia 23.

    Em meio aos habituais discursos de agradecimento, Chico Diaz aproveitou para puxar o bordão "Lula livre", prontamente correspondido pela plateia, e brincou que o país não precisa de uma "ponte para o futuro", em referência ao plano de austeridade do PMDB.

    Outros pontos fortes da noite vieram com o discurso da cineasta Sabrina Fidalgo, para quem "o cinema brasileiro é essencialmente machista, elitista e racista", e o da montadora Cristina Amaral, recompensada com o prêmio Leila Diniz, quando agradeceu a todas as mulheres que batalham para fazer audiovisual no Brasil. Paralelamente, a atriz Silvana Sílvia relembrou o assassinato ainda não solucionado de Marielle e Anderson, seis meses atrás. 

    Humberto Araújo / Divulgação

    O ponto de vista político se estendeu ao audiovisual. Enquanto Diaz e Sabatella defendiam a Lei Rouanet, o pesquisador Ismail Xavier, recompensado com a medalha Paulo Emílio Salles Gomes, ressaltou a singularidade do Festival de Brasília ao proporcionar o encontro de pesquisadores e fomentar importantes discussões sobre o estado da produção nacional.

    O curador Eduardo Valente aproveitou para sublinhar o papel do curta-metragem, "um dos formatos mais importantes do cinema brasileiro, essencial para a nossa história". Esta noção se confronta com as novas medidas do Fundo Setorial do Audiovisual, para quem um cineasta sem longas-metragens é considerado um diretor inexperiente, e portanto menos propenso a receber recursos.

    Os dois primeiros filmes apresentados fora de competição dialogaram muito bem um com o outro, e ditaram o tom do festival como um todo. Tanto o curta-metragem Imaginário, de Cristiano Burlan, quanto o longa-metragem Domingo, de Clara Linhart e Fellipe Barbosa, olham para nosso passado político na intenção de tirar conclusões sobre o presente. 

    Imaginário, de Cristiano Burlan

    No caso de Imaginário, o diretor efetua uma interessante colagem entre sons e imagens não referenciais. A partir de materiais de arquivo cedidos pela Cinemateca Suíça, ele mostra o ambiente urbano europeu de um século atrás, nos primórdios do registro cinematográfico, enquanto o discurso em off narra os principais passos do golpe militar e da instauração da ditadura no Brasil.

    O efeito é curioso: quando os cidadãos do passado encaram diretamente a tela, parecem interpelar o público do cinema, provocá-lo a sair da inércia em relação aos graves fatos narrados. Ao mesmo tempo, as críticas de Rubens Paiva com o descaso com o povo, a concentração da mídia nas mãos de famílias poderosas e a corrupção generalizada soam muito atuais. Em outras palavras, o país não parece ter mudado. "É um filme de horror", definiu Burlan no palco do Cine Brasília.

    Domingo, de Clara Linhart e Fellipe Barbosa

    Enquanto isso, Domingo adota um olhar leve e cômico ao momento em que Lula se tornou presidente pela primeira vez. Os efeitos desta transformação são percebidos numa família burguesa, que não pretende se desfazer de seus privilégios. "Quando os sem-terra chegarem aqui, eu vou assistir tudo de camarote. Isso aqui é terra improdutiva!", brinca a personagem interpretada por Camila Morgado.

    O humor se comunicou bem com a plateia do cinema, que aplaudiu diversas vezes ao longo da sessão, especialmente quando as imagens da posse de Lula aparecem nos televisores dos personagens. Mesmo assim, o filme tem dificuldade em desenvolver todas as figuras em cena, e jamais desenvolve a linguagem cinematográfica para além das simples imagens de conjunto.

    Leia a nossa crítica.


    A mostra competitiva começa no dia 15 com os longas-metragens Torre das Donzelas, sobre a prisão de Dilma Rousseff durante a ditadura militar, e Los Silencios, retrato de uma comunidade pobre na fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. Os primeiros curtas-metragens em competição serão Boca de Loba, sobre o assédio de mulheres nas ruas, e Kairo, história do dilema de uma assistente social para ajudar uma criança de nove anos de idade.

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    Comentários
    • Gustavo A.
      patético
    • Armando Ribeiro
      A Exquerdalha esta apavorada... as boquinhas vao sumir!!!!!
    • Max
      Uma vergonha! Para esses bobocas chiques da esquerda a estória (é, estória) do Brasil começou em 64. Filme sobre José Bonifácio, D. Pedro II, Princesa Isabel e outros heróis legítimos da nossa História (com H) ninguém quer, né? Só pra terroristas e bêbados ladrões comunistas. Olhando por esse lado é fácil imaginar o fim trágico do Museu/Palácio Imperial queimado logo na gestão de um vagabundo e incompetente esquerdista do PSOL. Essa laia não tem um pingo de consciência e cuidado pela História! Se tivessem não seria da esquerda, é claro. #Bolsonaro2018
    • Max
      Ninguém liga! #Bolsonaro2018
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