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10 Segundos para Vencer: Osmar Prado comenta sua relação com Eder Jofre, tema da cinebiografia (Entrevista exclusiva)
Por Taiani Mendes — 02/09/2018 às 08:27
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Ator foi premiado no Festival de Gramado por sua performance como o pai do lendário boxeador.

Com mais de 60 anos de carreira, Osmar Prado se emocionou bastante ao receber no 46º Festival de Gramado seu primeiro troféu como melhor ator em cinema. Justíssimo, o Kikito foi entregue por sua performance assustadora como Kid Jofre, apaixonado por boxe e rígido pai de Eder Jofre (Daniel de Oliveira), campeão mundial cuja trajetória é narrada em 10 Segundos para Vencer.

Dirigido por José Alvarenga Jr., o drama é centrado na dura relação entre os dois homens e conta com participações de Sandra CorveloniKeli FreitasRicardo Gelli - também premiado no festival gaúcho. O longa-metragem tem estreia marcada para 27 de setembro, e, em entrevista ao AdoroCinema, Osmar relembrou um encontro por acaso com o verdadeiro Eder e o tempo em que acompanhava suas lutas.

AdoroCinema: Na apresentação do filme você disse que lembrava de ver as lutas do Eder, então gostaria de saber como foi acessar essas memórias para entrar, de certa forma, no clã Jofre, dando vida ao Kid?

Osmar Prado: Assim como a família do Eder, a minha não era rica. Meu pai era chofer de praça, minha tia era operária, meu tio era eletricista, outro tio era semianalfabeto e aprendiz de servente de pedreiro. Tínhamos alegria, festa e democracia. Brasil campeão em 1958, Kubitschek era presidente, Maria Esther Bueno campeã de tênis em Wimbledon, Eder se destacando mundialmente, Pelé no futebol... Mergulhar nesse universo através da ótica de um boxer como foi Eder Jofre é maravilhoso. Tínhamos uma responsabilidade, Daniel, eu e os demais componentes do elenco, pois são fatos reais e personagens reais, então você não pode errar. Acho que o filme não é indiferente, ele é tocante, vai mexer com corações, e essa é a função da arte: tocar pessoas no sentido de congraçamento e construção da sociedade do futuro, que é uma sociedade mais cooperativa, mais humana, não baseada nas leis selvagens do mercado.

AC: Como você encontrou o tom ideal do Kid, aquela dureza bem específica e ao mesmo tempo cheia de sentimento?

OP: Meu pai. Meu pai engoliu muito a emoção, era um artista em potencial que podia ter se dedicado à música, mas ficou com medo de morrer de fome e adotou um emprego útil. Depois teve medo também que eu fosse me dar mal, mas eu - ao contrário dele, e como o Eder foi o campeão que o Kid talvez não tenha sido - fui o artista que meu pai gostaria de ter sido e não foi.

Não foi difícil [encontrar o tom] porque eu tinha o exemplo dentro da minha própria casa, nossos embates, brigas, emoções e nosso amor à maneira dele. Eu me emociono durante o filme porque vejo meu pai. O próprio Alvarenga declarou que fez um filme baseado no pai, também cineasta. O ator busca na sua própria memória emotiva e nas informações que recebe, junta tudo numa cesta e cria a personagem, mas é muito de você mesmo, do seu interior, da sua história de vida.

AC: Você chegou a entrar em contato com a família do Eder?

OP: Não, infelizmente. O único contato com Eder que tive foi um encontro casual no aeroporto, ficamos conversando, dei um abraço nele e disse: "Vou ser seu pai". Tiramos fotos e ali foi selado o meu compromisso de ser o pai do Eder Jofre.

AC: Você e Daniel trabalharam juntos anteriormente...

OP: Em Hoje é Dia de Maria! Acho Daniel um ator sensacional, um ser humano especial, ele e Sophie [Charlotte]...

AC: Neste filme há um afastamento e uma compreensão silenciosa entre os personagens. Como vocês construíram essa relação?

OP: Tivemos uma ou duas leituras, mas já trazíamos uma bagagem vivencial. O Alvarenga juntou e foi o regente, mas não foi a partir do zero. Já tínhamos a carga, o resto foi só construir dentro do roteiro, adequá-la à partitura.

AC: Foi a primeira vez que você viu o filme? Como foi a experiência?

OP: Eu tinha visto em cabine, com poucas pessoas, e já me emocionou muito, mas com público foi uma reação interessante. Ninguém ali estava indiferente, porque o filme é longo [120 minutos], mas ninguém arredou pé!

Leia a crítica de 10 Segundos para Vencer.

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