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    Cine Ceará 2018: Mostra competitiva se encerra com a comédia Diamantino, premiada no festival de Cannes
    Por Bruno Carmelo — 11 de ago. de 2018 às 17:35
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    Hora de rir com um sósia de Cristiano Ronaldo.

    A mostra competitiva do 28º Cine Ceará - Festival Ibero-Americano de Cinema se encerrou em 10 de agosto, com a exibição do longa-metragem Diamantino no Cineteatro São Luiz. A comédia era um dos títulos mais aguardados do evento, após ter vencido a Semana da Crítica no festival de Cannes.

    Além disso, o dia trouxe os três últimos curtas-metragens em competição e mais dois filmes em sessões especiais:


    Diamantino, de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, levou a plateia às gargalhadas com a história rocambolesca de um jogador de futebol riquíssimo, atravessando uma crise após perder um pênalti decisivo na final da Copa do Mundo. Na tentativa de se reerguer, ele acaba adotando uma criança refugiada, participando de campanhas xenofóbicas do governo e experimentando tratamentos genéticos. 

    O resultado é divertido, embora funcione pouco como conteúdo crítico a respeito de qualquer uma destas questões contemporâneas. Mesmo assim, é bem produzido, trazendo uma atuação inspirada de Carloto Cotta como o sósia de Cristiano Ronaldo.

    Leia a nossa crítica e descubra a nossa entrevista com os diretores.


    Entre o curtas-metragens, o carioca Só Por Hoje, de Sabrina Garcia, retrata a vida de Olivia, uma mulher idosa que descobre nas reuniões de alcoólicos anônimos uma receita contra a solidão. O tema é abordado com respeito e ternura, apesar de a diretora parecer indecisa sobre a melhor maneira de dirigir a talentosa Regina Gutman.

    Mesmo com os enquadramentos limitados dentro do apartamento, o humanismo do projeto se impõe. Além disso, após tantos curtas-metragens com dificuldade de encerrar as suas narrativas, este foi particularmente bem-sucedido na escolha da conclusão.


    O cearense Capitais, de Kamilla Medeiros e Arthur Gadelha, também parte do ponto de vista da solidão para aproximar duas garotas, unidas por uma tragédia. A narrativa prefere ocultar elementos o invés de revelá-los: o roteiro é particularmente habilidoso em sugerir o luto, o romance e o isolamento sem precisar externalizá-los em ações.

    O drama é prejudicado pelo frágil trabalho de fotografia, mas demonstra um começo promissor para a dupla de cineastas.


    Já o paulista A Escolha de Isaac, dirigido por Sérgio GAG, foi um dos projetos mais ambiciosos de toda a seleção, ao reunir referências bíblicas e inspirações em Napoleão Bonaparte para debater a luta de classes através de um tirano tetraplégico e o jovem funcionário explorado.

    Embora a carga alegórica se transmita com intensidade, e Ariclenes Barroso seja um ator de talento, o roteiro não dedica tempo suficiente para construir os seus personagens, simplificando as relações de força através do maniqueísmo.


    Fora da competição, o Centro Dragão do Mar apresentou dois projetos muito distintos. O primeiro foi o documentário Panamá Al Brown - Quando o Punho se Abre, dirigido por Carlos Aguilar Navarro. O projeto de tom solene e patriótico efetua um percurso linear do boxeador que se tornou campeão mundial de boxe durante os anos 1920.

    A história do jovem negro, pobre e homossexual certamente merece atenção, porém os caminhos escolhidos para apresentá-lo são didáticos, como num vídeo institucional de pouca capacidade reflexiva.

    Leia a nossa crítica.


    O espanhol Muitos Filhos, um Macaco e um Castelo mudou o tom das sessões com uma comédia divertida, na qual o diretor Gustavo Salmerón reúne quatorze anos de vídeos caseiros em que expõe as excentricidades da mãe, uma senhora conhecida por acumular milhares de objetos e nutrir uma relação particular com a morte.

    Os risos ecoaram na sala de cinema do começo ao fim, graças à personalidade cativante da senhora Julia. No entanto, o diretor nunca consegue imprimir um tom crítico em relação à sua alienação e consumismo.

    Leia a nossa crítica.


    A noite de 11 de agosto marca o fim do 28º Cine Ceará, com a entrega dos prêmios e a exibição do primeiro capítulo da série Cine Holliúdy: Francisgleydisson Encara Novos Desafios.


    Leia as críticas do 28º Cine Ceará:
    Amália, a Secretária
    Anjos de Ipanema
    O Barco
    Cabras de Merda
    Che, Memórias de um Ano Secreto
    Diamantino
    Eduardo Galeano Vagamundo
    Muitos Filhos, um Macaco e um Castelo
    Panamá Al Brown, Quando o Punho se Abre
    Petra
    Rosa Chumbe
    Senhorita Maria, a Saia da Montanha
    Sob a Influência

    Sol Alegria

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