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    Cine Ceará 2018: Petrus Cariry explica como adaptou um conto "infilmável" em O Barco
    Por Bruno Carmelo — 5 de ago. de 2018 às 16:30
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    "É uma fábula, não tem muito de realismo".

    "Esse filme partiu de um conto de três páginas. Era fantástico, mas infilmável. Era como um delírio". Assim o diretor e roteirista Petrus Cariry descreve a adaptação de O Barco, primeiro longa-metragem apresentado na mostra competitiva do 28º Cine Ceará - Festival Ibero-Americano de Cinema.

    Adaptada do texto homônimo de Carlos Emílio Correia Lima, a obra se concentra num pequeno povoado de pescadores, onde vivem uma mulher com seus 26 filhos (Verônica Cavalcanti), batizados com as letras do alfabeto, o pai que parou de falar (Nanego Lira), uma forasteira sedutora, trazida pelas ondas do mar (Samya de Lavor), um homem cego e sábio (Everaldo Pontes) e o filho mais velho da família, que sonha em partir mar adentro (Rômulo Braga).

    "Eu repassei a primeira versão do roteiro com o meu pai, Rosemberg Cariry, que trabalha muito com o mítico. A primeira versão era muito maior, e tinha muito mais alegorias, mas depois eu precisei fazer o corte", explicou Cariry durante a coletiva de imprensa. "O filme flerta muito com o fantástico. É uma fábula, não tem muito de realismo". O diretor explicou o uso de sons processados digitalmente para transformar o "mar em personagem", e afirmou ter passado três meses inteiros apenas na construção sonora. De fato, O Barco tem em sua atmosfera sombria uma das principais qualidades - leia a nossa crítica.

    Divulgação

    Quando questionado sobre seu processo criativo, ele afirma: "É estranho dizer isso, mas meu cinema vem muito do inconsciente. É como se eu estivesse numa espécie de transe quando estou filmando. Só depois vou saber realmente o que aquilo significa".

    A atriz principal, Verônica Cavalcanti, já trabalhou diversas vezes com o cineasta, mas compartilhou o estranhamento ao ler o roteiro pela primeira vez: "Eu achei muito estranho. Como contar a história de uma mulher que tem 26 filhos? Aquela mulher não é humana, ela é uma coisa da natureza! Essa mulher é areia, é água, é pedra, ela só não é uma pessoa", explicou.

    Petrus Cariry completou: "São as mulheres que dão a ordem naquele povoado. A sociedade é muito fechada, as pessoas praticamente não falam. No caso da Esmerina, eu encontrei um monte de relatos de mulheres como ela, com 26, 30 filhos, e também tinham um corpo pequeno, magro". 

    Embora o 28º Cine Ceará tenha acabado de começar, O Barco já se apresenta como bom candidato para prêmios, tanto técnicos quanto de atuação. 

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