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Relembre as trajetórias nos cinemas de 22 cantores brasileiros
Por João Vitor Figueira — 04/08/2018 às 10:10
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A comédia romântica Ana e Vitória, foi o mais recente caso de um longa-metragem nacional que pegou emprestado o carisma, popularidade e ideias de artistas musicais do país.

A comédia romântica musical Ana e Vitória chegou aos cinemas brasileiros e provou ser mais do que um mero veículo de marketing para a dupla de pop acústico formada no Tocantins. Definido como "agradável e envolvente" pela crítica do AdoroCinema, o longa-metragem também encontrou boa ressonância em outros veículos de imprensa. Com direção de Matheus Souza, o filme dramatiza a trajetória do duo Anavitória de uma maneira que encontra pares tanto no cinema brasileiro e hollywoodiano, contemporâneo ou clássico.

Desde produções como Roberto Carlos em Ritmo de Aventura (1968) a A Hard Day's Night: Os Reis do iê iê iê (1964), grandes estrelas da música usaram o cinema como um meio de divulgação de seus trabalhos. Mas nem todas as incursões de cantores e cantoras são em projetos ligados às suas carreiras na música. Muitos trafegam com naturalidade entre as duas artes, explorando bem, mas de forma isolada, os dois territórios.

Nesta matéria especial, o AdoroCinema listou artistas brasileiros que, depois de conquistarem os palcos atrás dos microfones, se aventuraram na sétima arte diante das câmeras. Para alguns cantores, atuar foi uma experiência pontual. Outros, entretanto, construiram carreiras consistentes.

Roberto Carlos

Seguindo o exemplo dos Beatles, Roberto Carlos levou sua popularidade como cantor para os cinemas em filmes no qual interpreta a si mesmo, como Roberto Carlos em Ritmo de Aventura (1968), Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-Rosa (1970) e Roberto Carlos a 300 Quilômetros Por Hora (1971). Além dessas produções, mais famosas, pouca gente sabe que o Rei também fez pontas como figurante em filmes entre 1958 e 1961, antes da fama. Em Roberto Carlos em Ritmo de Aventura, a cena em que o cantor aparenta pilotar um helicóptero dentro de um túnel foi a imagem mais marcante da incursão do compositor de "Detalhes" e "Como É Grande o Meu Amor por Você" pelos cinemas.

Anitta

Em 2014, a cantora Anitta fez seu primeiro trabalho nos cinemas como atriz em uma participação especial na comédia satírica Copa de Elite no papel de uma repórter. De lá para cá, muito mudou para a artista carioca que se internacionalizou e se emplacou alguns hits América Latina afora, cantando em português, espanhol e inglês. A dona de hits como "Bang", "Vai Malandra" e "Sim ou Não" já fez participações em filmes como o pouco lembrado Breaking Through (2015) e interpretou a si mesma em Meus 15 Anos (2017). Depois de ser relacionada ao papel de policial em filme do mesmo roteirista de Tropa de Elite (o que não se confirmou), Anitta fará uma participação musical em Minha Vida em Marte, comédia com Mônica Martelli e Paulo Gustavo. Para além do cinema, vale destacar que a cantora será o tema de uma série documental produzida pela Netflix.

Ivete Sangalo

Ivete Sangalo já emprestou seu carisma para personagens de filmes como as comédias Simão, o Fantasma Trapalhão (1998) e Xuxa Gêmeas (2006). Nos cinemas, sua principal personagem foi a mãe do protagonista vivido por Marcelo Serrado na comédia Crô - O Filme (2013). A baiana também foi colega de elenco de Serrado na novela Gabriela (2012), na qual interpretou Maria Machadão.

Sandy

Ao lado do irmão JuniorSandy começou a carreira como cantora ainda na infância. Na adolescência, fez sua estreia nos cinemas em O Noviço Rebelde (1997), comédia estrelada por Renato Aragão. Também atuou na ficção científica Acquaria (2003), que obteve bons números de bilheteria, mas foi detonada por críticos. Sandy interpretou a si mesma na comédia Mato Sem Cachorro (2013) e teve um papel surpreendente em Quando Eu Era Vivo (2014), drama que flerta com o terror.

Fábio Jr.

Mais famos por seus papéis em novelas, Fábio Jr. fez pouquíssimos trabalhos para o cinema. Seu único personagem importante na sétima arte foi o do acordeonista Ciço em Bye Bye Brasil (1979), que cruza o Brasil profundo junto com a Caravana Rolidei comandada por Lorde Cigano (José Wilker). O filme de Carlos Diegues foi considerado o 18º melhor filme brasileiro de todos os tempos pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine). Nos cinemas, o cantor de "Alma Gêmea" também fez uma participação como pai da personagem de Cléo Pires, sua filha na vida real, em Qualquer Gato Vira-Lata 2 (2014) e interpretou a si mesmo em Fala Sério, Mãe! (2017). Qualquer Gato Vira-Lata 2, aliás, também conta com a cantora Letícia Novaes, a Letrux

Seu Jorge

Dono de uma história pessoal digna de filme (da infância pobre, passando pela carreira de militar e passando dificuldades como morador de rua antes de chegar ao estrelato), Seu Jorge tem uma consistente carreira paralela como cantor. O músico tem créditos em filmes importantes do cinema nacional recente como Cidade de Deus (2002) e Tropa de Elite 2 (2010), além de presença em comédias como E Aí... Comeu? (2012) e Reis e Ratos (2012), dramas como Soundtrack (2017) e Casa de Areia (2005), e produções internacionais como O Escapista (2008) e Pelé: O Nascimento de uma Lenda (2016). Em Hollywood, seu trabalho de maior projeção foi sua participação como o músico/marinheiro Pelé dos Santos em A Vida Marinha com Steve Zissou (2004), de Wes Anderson. No cultuado filme estrelado por Bill Murray, Seu Jorge canta versões em português de clássicos do repertório de David Bowie, que aprovou as reinterpretações:  "Se Seu Jorge não tivesse gravado minhas canções acusticamente em português, eu nunca teria ouvido esse novo grau de beleza que ele conseguiu adicionar a elas", disse o músico falecido em 2016.

Criolo

Depois de trafegar muito bem entre o rap e a MPB, o cantor Criolo tentou fazer o mesmo intercâmbio entre a música e as artes cênicas. O autor de "Não Existe Amor em SP" atuou em Luz nas Trevas: A Volta do Bandido da Luz Vermelha (2010), Tudo Que Aprendemos Juntos (2015) e Jonas (2015). Criolo também está no elenco do terror ainda inédito O Juízo, que tem a direção de Andrucha Waddington, roteiro de Fernanda Torres e Fernanda Montenegro no elenco.

Rita Lee

Rainha do rock nacional, Rita Lee levou seu jeito excêntrico para personagens nos cinemas. Atuou em Dias Melhores Virão (1989), Durval Discos (2002) e A Primeira Missa (2014). Sua voz inconfundível dublou a clássica personagem Rê Bordosa, criada pelo cartunista Angeli, na animação Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock'n'Roll. Por seu trabalho como dubladora, chegou a ser premiada no Cine PE como melhor atriz coadjuvante.

Evandro Mesquita

Evandro Mesquita despontou para o público com sua carreira na música e na atuação no início da década de 1980. O vocalista da banda Blitz tem quase 40 trabalhos na televisão em novelas e séries e mais de uma dezena de créditos como ator de cinema. Alguns de seus principais trabalhos nas telonas foram em Menino do Rio (1982), Xuxa Requebra (1999) e Os Normais - O Filme (2003). Como dublador, atuou com a voz nas versões com diálogos em português de Meu Malvado Favorito 3 (2017) e Deu Zebra! (2005).

Ney Matogrosso

Antes de ganhar os palcos como cantor, Ney Matogrosso sonhava em ser ator. Dada a teatralidade de suas apresentações, não surpreende que, depois do sucesso com a música com os Secos e Molhados e em carreira solo, Ney também tenha tido a chance de explorar sua veia cênica nos cinemas. Como ator, colaborou com a diretora Helena Ignez em Luz nas Trevas: A Volta do Bandido da Luz Vermelha (2010), Poder dos afetos (curta-metragem de 2013) e em Ralé (2014). Também trabalhou em Não Devore Meu Coração (2017), de Felipe Bragança, e Primeiro Dia de Um Ano Qualquer (2012), de Domingos de Oliveira. Ney Matogrosso também tem uma série de atuações em filmes ainda inéditos no circuito nacional, como Sol AlegriaCaminhos Magnéticos, Boni BonitaGosto de Fel e Peixe

Xuxa

Com vendas estimadas de mais de 50 milhões de discos, Xuxa também é uma das campeãs de bilheteria do cinema nacional. Seus filmes já levaram mais de 35 milhões de pessoas aos cinemas. Independente de como ela se encaixa nas categorias de cantora ou atriz, Xuxa é uma figura sem par na cultura pop brasileira. Há 30 anos, estrelou seu primeiro longa-metragem Super Xuxa contra o Baixo Astral (1988) e dois anos depois fez o maior sucesso de sua carreira nas telonas: Lua de Cristal (1990), que levou mais de quatro mihões de brasileiros aos cinemas.

Paulo Miklos

O ex-Titãs Paulo Miklos transita com muita segurança pelo ofício de ator. O cantor, atualmente em carreira solo, atuou em Estômago (2007), Carrossel: O Filme (2015) e Carrossel 2: O Sumiço de Maria Joaquina (2016). Suas performances cênicas já lhe renderam reconhecimento em premiações. Miklos venceu o prêmio de melhor ator no Festival de Brasília por É Proibido Fumar (2009) e o de melhor ator coadjuvante no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro por O Invasor (2001). 

Supla (e Angélica)

Mais famoso punk filho de políticos do Brasil, o cantor Supla estrelou ao lado de Angélica (que também deixou sua marca na música pop nacional com "Vou de Táxi") a comédia Uma Escola Atrapalhada (1990), capitaneada pela presença da trupe d'Os Trapalhões. Além da comédia adolescente, Supla viveu Mário Lago em Noel - Poeta da Vila (2006) e também tem créditos como ator em filmes como Viva Voz (2003), Apneia (2014) e Meu Amigo Hindu (2015). Alguns dos destaques de Angélica nos cinemas são Zoando na TV (1999) e Um Show de Verão (2004).

 Toni Tornado

Além de ser um dos grandes embaixadores da black music americana no Brasil, Tony Tornado também tem mais de 70 créditos em filmes, novelas e minisséries. Nos cinemas, alguns dos maiores trabalhos do intérprete de "BR-3" e "Podes Crer, Amizade" foram Pixote, a Lei do Mais Fraco (1980), Os Trapalhões e o Mágico de Oróz (1984), O Rei do Rio (1985), Redentor (2004) e Odeio o Dia dos Namorados (2013).

Sabotage

Rap é compromisso quando o assunto é Sabotage e o cinema também. Assim como alguns grandes nomes do hip hop internacional, o rapper brasileiro mostrou talento como ator de cinema em uma curta carreira que conta apenas com créditos em dois filmes.O "maestro do Canão" interpretou a si mesmo em O Invasor (2001), filme com o qual também colaborou com a trilha sonora, e teve um papel dramático como Fuinha em Carandiru (2003).

Luiz Melodia

Em Casa de Areia, o cantor e compositor Luiz Melodia interpreta o mesmo personagem vivido, em sua versão mais jovem por outro músico: Seu Jorge. Por coincidência o único outro papel de Melodia nos cinemas é um personagem chamado "Seu Jorge" no drama Quase Dois Irmãos (2004).

Chico Buarque

Um dos maiores artistas brasileiros de todos os tempos, em todas as artes, Chico Buarque teve pequenas aventuras como ator em filmes como O Mandarim (1995), no qual interpreta Noel Rosa; Ed Mort (1997), que também tem uma participação especial de Gilberto Gil, e Água e Sal (2001). Na sétima arte, o principal feito do cantor e compositor é o musical Quando o Carnaval Chegar (1972), de Carlos Diegues. No filme, Hugo Carvana interpreta o empresário de um grupo de cantores mambembes interpretado por Chico, Nara Leão e Maria Bethânia.

Sérgio Reis

Com oito novelas no currículo, o cantor sertanejo Sérgio Reis teve pelo menos um grante hit nos cinemas. O drama O Menino da Porteira (1976), no qual interpreta o peão e boiadeiro Diogo, levou mais de 3 milhões de pessoaos aos cinemas. O sucesso marcou o início de uma trilogia que contou com os filmes Mágoa de Boiadeiro (1978) e O Filho Adotivo (1983).

Daniel

Jeremias Moreira Filho, diretor do filme original com Sérgio Reis, decidiu refazer O Menino da Porteira no século XXI e convocou o cantor Daniel para o papel principal. O filme foi lançado em 2009 e teve mais de 500 mil espectadores nos cinemas. O longa-metragem foi o último trabalho do cantor nos cinemas até então. Daniel também atuou em Didi, o Cupido Trapalhão (2003) e Xuxa Requebra (1999).

Alceu Valença

O principal trabalho de Alceu Valença nos cinemas foi no elogiado A Luneta do Tempo (2016), que não traz apenas o cantor de "La Belle de Jour" como ator. É Valença quem assina a direção e roteiro do filme, que coleciona elogios da crítica especializada. A trilha sonora composta pelo músico foi premiada no Festival de Gramado.

Caetano Veloso

Admirador do cinema (é autor de uma música chamada "Michelangelo Antonioni"), Caetano Veloso fez breves incursões na sétima arte como ator. Por duas vezes interpretou figuras relacionadas à música ou literatura: Lamartine Babo em Tabu (1982) e Gregório de Matos, em Sermões - A História de Antônio Vieira (1989), ambos dirigidos por Júlio Bressane. O cantor também interpreta a si mesmo em uma cena de Fale com Ela (2002), de Pedro Almodóvar (seu amigo pessoal). Como Alceu, Caetano foi outro grande nome da MPB a ter uma experiência como realizador ao dirigir e roteirizar O Cinema Falado (1986).

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