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    FIM 2018: Programação evidencia variedade de temas e força da mulher na frente e atrás das câmeras
    Por Barbara Demerov — 11/07/2018 às 16:12
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    Produções elogiadas retornam ao cinema durante o festival, que vai até o dia 11 de julho.

    Festival Internacional de Mulheres no Cinema continua a todo o vapor em sua primeira edição em São Paulo. Apesar de alguns filmes da programação já estarem disponíveis em plataformas digitais, o FIM 2018 ganha força ao reproduzir novamente na telona obras que marcaram o público e a crítica, e com outro fator que merece ser destacado: todas elas digiridas por mulheres.

    Era o Hotel Cambridge, longa premiado na 41ª Mostra SP e no Festival do Rio em 2016, faz parte da Mostra Lute Como Uma Mulher. "O debate sobre a ocupação de espaços abandonados é importante. O filme arruma tempo até para questionar a onda de ódio vinda da internet e que muitas vezes atinge a população mais carente. Através de uma página na internet, o longa mescla fotos de refugiados felizes acompanhadas de depoimentos fascistas de haters", diz o crítico Lucas Salgado. Leia mais aqui.

    A variedade de conteúdo no FIM 2018 fica ainda mais ampla com as presenças dos filmes Meu Corpo é Político e A Moça do Calendário (destaque na 41ª Mostra SP), que integram as mostras Lute Como Uma Mulher e O Fogo que não se Apaga, respectivamente. O primeiro, dirigido por Alice Riff, aborda o cotidiano LGBTQ na periferia de São Paulo. O segundo, dirigido por Helena Ignêz, é uma ficção que envolve sonho com realidade. "A Moça do Calendário busca resgatar o espírito anárquico do Cinema Marginal, do tropicalismo e demais vanguardas dos anos 1960-70". Leia a crítica completa de Bruno Carmelo aqui.

    Baronesa, que estreou há pouco mais de um mês em circuito comercial, é o primeiro filme de Juliana Antunes e também faz parte da programação. "O projeto impressiona pela naturalidade com que as personagens agem diante da câmera. Na fronteira entre a ficção e o documentário, testemunhamos pessoas reais interpretando uma versão de si mesmas. Algumas situações parecem totalmente espontâneas (a conversa no salão de cabeleireiro), outras parecem de certo modo induzidas pela direção ou reproduzidas para a câmera (o tiroteio, a brincadeira com um revólver)." Leia a crítica completa de Bruno Carmelo aqui.

    Com estruturas sólidas, que fogem da ficção e que se encaixam tanto como documentário quanto como entrevista, Lampião da EsquinaPastor Cláudio são obras muito interessantes e que entregam uma experiência histórica mais do que necessária. Ambientadas na década de 70, ambas falam sobre política - mas por diferentes vertentes. Lampião da Esquina foi um jornal homossexual fundado no fim da ditadura que publicava artigos sobre aborto, assassinatos de transexuais e prostituição. Já Pastor Cláudio trata de um tema extremamente pesado e que ainda faz parte da discussão em nosso país: os assassinatos dos militantes que se opunham à ditadura. O formato é simples, sendo apenas uma entrevista do psicólogo Eduardo Passos com Cláudio Guerra, ex-chefe de polícia. Hoje, ele é pastor; ontem, foi o responsável por incinerar dezenas de militantes no sombrio regime militar.

    Outro grande destaque é a presença do filme Amor Maldito, de 1984. A obra, dirigida por Adélia Sampaio, não está na programação por acaso: é o primeiro longa-metragem a ser feito por uma mulher negra na história do cinema brasileiro. Sua marca se faz ainda mais forte na 1ª edição do FIM 2018, que tem como principal homenageada a artista Zezé Motta.

    Veja a programação completa do FIM 2018 aqui. Ainda dá tempo de assistir a essas obras!

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