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Copa do Mundo: Goleiro da Islândia que defendeu pênalti de Messi é um cineasta de mão cheia
Por João Vitor Figueira — 22/06/2018 às 08:00
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Hannes Þór Halldórsson, camisa 1 da seleção islandesa, tem créditos em longas, curtas, comerciais e videoclipes. O mundo o conheceu debaixo das traves. Conheça agora a carreira atleta nórdico no audiovisual.

Getty Images

Ele era um atleta azarão pouco conhecido com uma trajetória marcada por uma fase de amadorismo e empregos paralelos e vivia sua primeira experiência no torneio que sempre sonhou em disputar. Diante dele, um esportista considerado o melhor do mundo no que faz. Poderia ser o argumento de um filme como Rocky, um Lutador, mas essas palavras descrevem a situação que o goleiro Hannes Þór Halldórsson viveu no primeiro jogo da história da Islândia em uma Copa do Mundo.

O cronômetro marcava 18 minutos do segundo tempo da partida entre os "Vikings", como é conhecida a equipe de futebol masculino da pequena ilha de vulcões e gêiseres de 334 mil habitantes no noroeste da Europa, e a seleção da Argentina quando Halldórsson enfrentou o maior desafio de sua vida até então. Lionel Messi tomou curta distância para cobrar a penalidade máxima, partiu para a bola e seu chute no lado esquerdo do gol parou nas mãos do arqueiro islandês, que acertou o canto escolhido pelo craque do Barcelona com a frieza de quem veio de um país cujo nome literalmente significa terra do gelo.

O lance que garantiu o heróico empate por 1 a 1 contra a Argentina no dia 16 de junho no estádio de Spartak, em Moscou, pela Copa do Mundo da Rússia, fez Halldórsson ser eleito o homem do jogo. Uma atuação digna de cinema, um outro campo que o atleta conhece bem. Além de fazer bonito nas quatro linhas, o islandês também domina os enquadramentos e composições visuais como diretor de cinema.

Back in film business! 🎬

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Ainda nos tempos de escola, quando se profissionalizar no futebol em um país sem nenhuma estrutura ou tradição no esporte era um vislumbre improvável, Halldórsson começou a dirigir materiais audiovisuais. Seu primeiro curta-metragem foi rodado aos 12 anos. "Era uma pequena comédia de ação que eu fiz com um grupo de amigos", definiu ele. "Eu dei um jeito de fazer isso com uma câmera de vídeo. Era tipo o Superman, mas nós chamávamos de Swimming Man, que usava uma roupa estúpida." Anos depois, Halldórsson chegou a realizar videoclipes musicais sem cobrar cachê, apenas para ganhar experiência.

Em 2004, aos 20 anos de idade, o arqueiro que hoje faz história com a seleção de seu país chegou a desistir do esporte por falta de incentivos. Até aquela idade Halldórsson nunca tinha treinado profissionalmente, fora rejeitado por uma equipe da terceira divisão amadora da Islândia e ao voltar para seu clube de origem, cometeu uma falha que o fez duvidar sobre a possibilidade de ter uma carreira. Naquele momento, o futebol até seguiu como uma de seuas paixões, mas foi com o cinema que ele trabalhou para pagar as contas. "Eu diria que meu trabalho principal é como cineasta e é assim que eu ganho o meu dinheiro", disse o atleta em entrevista para a revista Sports Illustrated em 2013. "Ser cineasta é um trabalho que exige muito e aí depois disso eu treino às 5 da manhã todos os dias."

Foi só em 2014 que o goleiro passou a se dedicar mais ao futebol e deixou a Islândia para jogar em clubes profissionais de países como Noruega e Holanda. Atualmente o atleta-diretor defende as cores do Randers FC, da primeira divisão, na Dinamarca.

Ao deixar de lado as luvas para empunhar a câmera, Halldórsson produz materiais como documentários, vídeos comerciais, videoclipes e curtas. Foi ele quem comandou as filmagens do clipe da música "Never Forget", faixa que representou a Islândia no tradicional concurso de canções da Eurovision, promovido pela União Europeia de Radiodifusão. A música performada pela dupla Greta Salóme & Jónsi (não confundir com o homônimo vocalista da influente banda islandesa Sigur Rós) ficou em 20º lugar no concurso que elege a campeã europeia por voto popular. Na Dinamarca e na Finlândia, entretanto, a faixa foi a segunda favorita do público. "Fazer um vídeo para a Eurovision estava na lista de coisas que eu queria fazer na vida. Eu era um fã do concurso quando era criança", revelou o goleiro.

Outros de seus videoclipes incluem os vídeos de canções de pop rock como "Hún", de Skítamórall; "Einn góðan dag", de Margrét Eir e Stefán Hilmarsson; e o vídeo da música "Dans Dans Dans", da girl band Nylon.

Em 2009, ele também dirigiu episódios da série documental Atvinnumennirnir Okkar ("Nossos Profissionais", em tradução livre), sobre jogadores profissionais de futebol na Islândia. Também trabalhou como diretor da minissérie dramática de TV Mannasiðir Gillz, exibida em 2011, ano em que fez sua estreia na seleção islandesa.

Em 2012, foi assistente de montagem no documentário Hrafnhildur- heimildarmynd um kynleiðréttingu, que ganhou o título em inglês A Boy Like Her, sobre uma jovem trans islandesa que desde a infância não se identificava com o sexo com o qual nasceu e precisou sair do país para conseguir assumir sua identidade de gênero.

No campo da publicidade, Halldórsson trabalhou em uma série de peças que estão destacadas em seu site oficial, que trata apenas sobre sua carreira audiovisual, sem nada sobre futebol. Neste campo de atuação, seu trabalho mais popular foi o comercial para a Coca-Cola, patrocinadora da seleção islandesa, feito especialmente para a Copa do Mundo da Rússia. No YouTube, onde o material foi publicado no última dia 12 de junho, o vídeo já alcançou mais de 1,4 milhões de visualizações até o fechamento desta matéria, número 4,3 vezes maior do que o número de habitantes do país.

Em 2013, antes da estreia na Copa do Mundo, Halldórsson afirmou que gostaria de dirigir seu primeiro longa-metragem. "O roteiro está em desenvolvimento", disse ele. "É o meu sonho. Eu quero fazer um longa antes de me aposentar do futebol. Eu só posso jogar futebol e ser um diretor de comerciais porque dá pra filmar um comercial em um ou dois dias e depois treinar. Um filme leva 40 dias seguidos. Meu objetivo é fazer um grande filme enquanto eu ainda jogo. Seria um filme de terror. Não seria um filme de zumbis, seria uma pegada mais sobrenatural, um suspense com fantasmas que se passa numa parte isolada da Islândia."

O filme ainda não saiu, mas Halldórsson segue atuando em outro sonho. Ao levar seu país para sua primeira Copa do Mundo, defender um pênalti de Messi e escrever história a cada nova partida, o goleiro prova que é o diretor de sua própria vida.

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