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    Woody Allen afirma que deveria ser uma referência para o movimento #MeToo
    Por Renato Furtado — 04/06/2018 às 17:55
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    Mais um capítulo para a controvérsia envolvendo o cineasta.

    Dimitrios Kambouris

    As acusações de Dylan Farrow; a reavaliação de Manhattan; e o movimento #MeToo, incluindo o escândalo Harvey Weinstein: todos estes assuntos entraram na pauta de uma longa entrevista feita pelo jornal argentino Periodismo Para Todos com Woody Allen. E o polêmico cineasta, que se manteve majoritariamente em silêncio nos últimos meses face às denúncias e protestos contra sua obra, abriu o jogo e declarou, em uma sutil alfinetada aos seus críticos, que deveria ser o "rosto" do movimento #MeToo (via Quartz):

    "Acredito que é triste qualquer situação em que qualquer um é acusado de maneira injusta. Acho que todos concordam com isso... Todos querem que a justiça seja feita. E se há algo como o movimento Me Too agora, você torce por isso, você quer ver estes terríveis assediadores sendo punidos, essas pessoas que fazem coisas terríveis [...] O que me incomoda é ser ligado a eles. Àqueles que foram acusados por 20, 50, 100 mulheres de abusos e abusos e abusos - e eu, que só fui acusado por uma mulher em um caso de custódia infantil que foi julgado e arquivado, sou colocado no mesmo grupo que esses assediadores [...] Sou um grande defensor do movimento Me Too [...] Eu deveria ser o rosto do pôster do movimento Me Too. Trabalho na indústria há 50 anos. Já trabalhei com centenas de atrizes e nenhuma delas - sejam elas famosas, importantes ou novatas - sequer sugeriu nenhum tipo de comportamento impróprio da minha parte. Tenho um ótimo histórico com elas", sentenciou Allen.

    Moses Farrow, filho de Mia Farrow, acusa mãe de abuso psicológico e defende Woody Allen

    A controvérsia em torno do cineasta ganhou força novamente durante o ápice do #MeToo, cujo estopim foi a revelação das décadas de abusos sexuais cometidos pelo ex-produtor e ex-magnata de Hollywood, Harvey Weinstein - ele está prestes a enfrentar os tribunais após ser formalmente processado por estupro. Recapitulando: no início da década de 1990, Allen foi acusado de ter abusado sexualmente de sua filha Dylan Farrow. Apesar de ter sido avaliado e arquivado pelo Serviço Social de Nova Iorque e por uma junta de médicos especializados em crimes de abusos infantis, o caso ressurgiu com força total e, nos últimos tempos, inúmeros colaboradores de Allen expressaram arrependimento por terem trabalhado com ele. Agora, o diretor vê seu próximo filme, A Rainy Day in New York, ameaçado: de acordo com fontes internas da Amazon, o estúdio considera cancelar a estreia do longa apesar do longo contrato com o cineasta.

    Ainda na mesma entrevista, o realizador voltou a negar as denúncias de Dylan Farrow, recentemente refutadas em um longo artigo escrito por Moses Farrow, seu irmão e outro dos filhos adotivos de Woody Allen: "É claro que não fiz nada, quer dizer, isso é uma loucura. É um caso que foi amplamente examinado há 25 anos por todas as autoridades e todos chegaram à conclusão de que as alegações eram falsas. E foi o fim do caso e eu segui com a minha vida. O retorno dessas acusações... É terrível acusar alguém do que eu sou acusado. Sou um homem que tem sua própria família e seus próprios filhos. Então é claro que isso é perturbador".

    Por fim, Allen também comentou sobre a situação envolvendo o controverso Manhattan, um de seus mais aclamados filmes e obra que tornou-se alvo de revisões à luz dos recentes acontecimentos por causa do relacionamento central do longa, entre um homem de meia-idade (Allen) e uma adolescente (Mariel Hemingway): "Quando fizemos Manhattan, Marshall Brickman e eu escrevemos o roteiro procurando a graça na situação. Achamos que o cenários nos daria várias oportunidades para fazermos muitas piadas, sabe, com um homem mais velho e uma mulher mais nova - pensamos constantemente em fazer piadas em que a moça não tem ideia do que o homem está falando e as diferenças entre as referências e as gerações deles. Mas foi só isso que pensamos, que seria uma boa ideia".

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    Comentários
    • Danilo
      Não basta o cara ter sido julgado e inocentado, agora ele deve ser condenado até pelo que não foi denunciado ?! Condenado até pelo que não é crime?! Pode até ter sido imoral, mas ela era maior de idade e não foi coagida a nada, ou seja nada de ilegal!!!
    • Danilo
      O MeeToo deveria reconhecer publicamente que ele é inocente, pois luta contra os abusadores, diferente dos outros que se aproveitaram da posição de influência, Allen passou por um ptproces legal onde foi inocentado. Se os homens de boa índole forem tratados como predadores sexuais, a certeza de uma consciência tranquila numa cela de prisão não trará alento e todos agiram como os maus, pois a única certeza será o destino igual!!!!
    • Bernardo Bastos Guimarães
      Mas claro que você é referência para o MeToo, cara. Referência de contra o que elas lutam. Simples assim. E o processo de abuso da sua filha foi o que se julgou, mas há a sedução e incesto com a filha adotiva de Mia.
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