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Filmes que mudaram de diretor durante a produção
Por João Vitor Figueira — 26/05/2018 às 10:42
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Han Solo: Uma História Star Wars não foi o primeiro — nem será o último!

Duas palavras que costumam esconder um universo de desentendimentos: Diferenças criativas. Sempre
que um estúdio de Hollywood usar a famigerada expressão para justificar alguma mudança na equipe de algum de seus projetos, desconfie se tratar de um eufemismo para uma miríade de tretas. É claro que também múltiplos motivos pacíficos que podem levar um diretor a deixar um filme que estava desenvolvendo, mas muitas vezes esse processo é marcado por estressantes desentendimentos com executivos, produtores ou até com o elenco — ou mesmo problemas pessoais.

Han Solo: Uma História Star Wars que chegou aos cinemas neste mês de maio, mas isso não quer dizer que a Millenium Falcon não tenha passado por turbulências durante o processo que a levou de volta às telonas. A Lucasfilm teve de lidar com um ritmo de produção complicado que contou até com a substituição dos diretores durante as filmagens.

Além de Han Solo, há outros exemplos recentes de filmes que trocaram de diretor no meio da produção,
mas esse tipo de substituição não é um fenômeno novo. Abaixo, relembre as vezes em que cineastas foram trocados durante o processo de desenvolvimento de um filme.

Han Solo: Uma História Star Wars (2018)

Phil Lord e Christopher Miller foram contratados pela Lucasfilm para dirigir o primeiro filme dedicado ao caçador de recompensas mais famoso da Galáxia. Entretanto, os diretores enfrentaram muita resistência da presidente da companhia, Kathleen Kennedy, que comanda a Lucasfilm desde que a Disney comprou o estúdio de George Lucas.

De acordo com a Variety, a presença de Lord e Miller representou "um embate de culturas" com o estúdio "desde o primeiro dia" de produção. Enquanto a dupla intencionava levar o Han Solo de Alden Ehrenreich para uma jornada marcada primeiramente pela comédia, Kennedy queria que os diretores apenas adicionassem um toque cômico no filme, visto pelo estúdio como uma aventura espacial tradicional com influência dos westerns. O maior problema surgiu quando Lord e Miller passaram a ignorar algumas das instruções do roteiro que Lawrence Kasdan, veterano da franquia, escreveu com seu filho Jonathan. Enquanto a dupla queria mais espaço para improvisações, Kennedy e Kasdan queriam que o roteiro fosse seguido à risca.

"Infelizmente, nossa visão e método não estão alinhados ao dos nossos parceiros neste projeto. Normalmente não somos fãs do termo 'diferenças criativas', mas desta vez o clichê é verdadeiro", disseram os diretores depois de serem demitidos do filme pela Lucasfilm. No lugar da dupla, Ron Howard, amigo pessoal de George Lucas, assumiu o restante das filmagens. Lord e Miller foram creditados apenas como produtres executivos.

Bohemian Rhapsody (2018)

A cinebiografia de Freddie Mercury teve bastidores instáveis. Sacha Baron Cohen chegou a ser escalado para o papel principal, mas se desentendeu com Brian May, guitarrista do Queen e produtor do longa-metragem. Ben Whishaw também esteve associado ao papel de protagonista, mas deixou a produção. Quando a Fox finalmente fechou com o cineasta Bryan Singer e com o ator Rami Malek e iniciou as filmagens de Bohemian Rhapsody houve a impressão de que o projeto encontraria a harmonia que precisava para sair do papel. Ledo engano.

A tensão nos bastidores foi exposta quando Singer não voltou para o trabalho após o feriado do Dia de Ação de Graças em 2017. Pouco tempo depois o cineasta foi demitido pelo estúdio. Houve rumores de que as faíscas entre Malek e Singer eram constantes e que o ator reclamava dos supostos atrasos constantes do cineasta e de falta de profissionalismo. Outro rumor indicava que o diretor teria atirado um objeto na direção do protagonista de Mr. Robot. Depois de ter sido demitido, Singer negou que os problemas com Malek — que ele assumiu que existiram mas foram "superados" — tivessem causado sua saída do filme. Para ele, faltou sensibilidade da Fox, que não teria compreendido que seus pais estavam doentes nos Estados Unidos enquanto ele filmava no Reino Unido. "Infelizmente o estúdio não quis se ajustar às minhas necessidades e finalizou meus serviçoes. Não foi uma decisão minha, estava além do meu controle", alegou.

Singer foi substituído por Dexter Fletcher, que chegou a estar atrelado ao projeto quando Cohen era o protagonista. Por quase cinco meses, as filmagens foram comandadas por Singer. Fletcher dirigiu menos de um terço do filme e é responsável por acompanhar o processo de pós-produção. Ainda não se sabe como os créditos de diretor serão preenchidos quando o filme chegar aos cinemas. Bohemian Rhapsody estreia no Brasil no dia 1º de novembro de 2018.

Valente (2012)

A Pixar pode parecer um paraíso colorido e divertido para quem está de fora, mas o processo de produção de seus filmes muitas vezes não é o mais simples, como atestam os bastidores de Toy Story 2Ratatouille e Carros 2. Um exemplo de produção complicada foi visto em Valente. O projeto foi anunciado em 2008, com direção de Brenda Chapman, que trabalhou como roteirista e/ou artista em filmes como O Rei LeãoA Bela e a Fera e O Príncipe do Egito.

Valente foi o primeiro conto de fadas da Pixar. Chapman se baseou nos contos dos irmãos Grimm e nas histórias de Hans Christian Andersen, além de sua própria relação com sua filha, para desenvolver a trama do longa, demonstrando o quão pessoal o projeto era para ela. Em outubro de 2010, a diretora foi substituída por Mark Andrews durante a produção do filme. As tais diferenças criativas foram citadas pela empresa como justificativa para a substituição. Apesar da chegada de Andrews, Chapman foi creditada como codiretora e se tornou a primeira mulher a vencer o Oscar de melhor animação.

A estatueta dourada não fez Chapman deixar os ressentimentos com a Pixar para trás. "Ainda é doloroso ver as mudanças que eles fizeram. Ainda me machuca e provavelmente sempre vai machucar", comentou a diretora, que também deixou claro que nunca voltaria a trabalhar na Pixar. "A porta está fechada. Eu tomei a decisão de sair e tranquei a porta. Não tenho o desejo de voltar para lá. A atmosfera e a liderança da empresa não tem a ver comigo."

Superman 2 - A Aventura Continua (1980)

Richard Donner foi contratado para rodar, de uma vez, Superman: O Filme (1978) e Superman 2 - A Aventura Continua (1980). O diretor completou o primeiro filme, marcado por brigas com os produtores Alexander e Ilya SalkindPierre Spengler por conta dos altos custos das filmagens e dos atrasos no cronograma inicial. Quando já tinha rodado todo o primeiro filme e três quartos da sequência, Donner interrompeu as gravações para cuidar da montagem e pós-produção de Superman: O Filme.

Quando foi a vez de finalizar as filmagens de Superman 2, Donner não retornou. Houve rumores de que Donner não voltaria a trabalhar no filme caso Spengler continuasse como produtor. Em 1989, Donner chegou a dizer que ele simplesmente não foi convidado para voltar aos sets e que fora demitido com um telegrama que dizia: "Seus serviços não são mais necessários".

A confusão fez com que Gene Hackman não retornasse para terminar Superman 2 e Marlon Brando, que chegou a finalizar sua participação nos dois filmes, processasse os produtores e fosse cortado da sequência. Richard Lester, que dirigiu filmes dos Beatles, foi contratado para finalizar o filme sobre o Homem de Aço. Na época, Christopher Reeve, intérprete de Clark Kent, adotou um tom diplomático para comentar a situação. "De todos os nomes mencionados, eu acho que Lester foi provavelmente a decisão mais inteligente para finalizar a parte dois. Mas é claro que eu vou sentir falta de Donner. Foi ótimo trabalhar com ele."

Em 2006 foi lançado Superman II: The Richard Donner Cut, versão para DVD e Blu-Ray que tenta se aproximar da visão de Donner para o projeto, incluindo cenas com Marlon Brando.

O Mágico de Oz (1939)

O que há de mais incrível em O Mágico de Oz? A pureza capturada pelo roteiro? A riqueza dos personagens? A beleza das canções? Talvez a resposta seja: O fato de que o filme superou todas os percalços de uma produção atribulada e conseguiu chegar aos cinemas. O longa-metragem teve nada mais, nada menos que quatro diretores diferentes assumindo as filmagens e um custo altíssimo para a MGM.

Em estágios diferentes, Richard Thorpe, George CukorVictor FlemingKing Vidor chegaram a assumir as câmeras. Thorpe trabalhou por duas semanas e foi substituído quando Buddy Ebsen, o Homem de Lata, foi hospitalizado em estado grave por causa de problemas em sua maquiagem com base em alumínio em pó. O ator foi substituído por Jack Haley. Quando as gravações voltaram, a direção de Thorpe foi questionada pois acreditavam que suas indicações estavam atrapalhando as performances dos atores. Cukor assumiu e deixou como marca um novo figurino para a Dorothy de Judy Garland, mais simples e verossímil que o traje no estilo concurso de beleza infantil que ela usava antes. Apesar de não chegar a filmar nenhuma cena, Cukor deixou sua marca no projeto que precisou deixar para focar em outro trabalho. Fleming assumiu e manteve as ideias de Cukor para O Mágico de Oz. Ele dirigiu a maior parte das exaustivas cenas filmadas em Technicolor entre outubro de 1938 e março de 1939. Por conta de conflitos de agenda, Fleming saiu do filme, que foi finalizado por Vidor, responsável por filmar a clássica sequência de "Over the Rainbow".

...E O Vento Levou (1939)

O Mágico de Oz e ...E O Vento Levou ajudaram a cimentar a estrada dourada dos clássicos do cinema estadunidense. Além de terem sidos lançados no mesmo ano, os dois filmes têm em comum seus bastidores caóticos que fizeram múltiplos diretores passarem o filme de mão em mão até a obra ser finalizada.

George Cukor, que também trabalhou em O Mágico de Oz, passou dois anos envolvido na pré-produção de ...E O Vento Levou. Quando as filmagens finalmente começaram, o diretor foi demitido em menos de três semanas por conta de diferenças com o produtor David O. Selznick sobre o ritmo da narrativa. Desavenças entre Cukor e Clark Gable envolvendo supostos segredos sobre o passado do ator também já foram citadas como motivos para a saída do diretor. Victor Fleming, que já havia substituído Cukor na clássica fantasia infantil, foi chamado novamente para ocupar a vaga do diretor. Fleming chegou a abandonar a produção por duas semanas alegando exaustão e a cadeira de diretor foi ocupada por Sam Wood. Ao todo, Cukor trabalhou por 18 dias, Fleming por 93 e Wood por 24.

No final das contas, ...E O Vento Levou se tornou o filme mais longo a vencer o Oscar de melhor filme, além de outros sete prêmios da Academia.

Spartacus (1960)

Kirk Douglas acumulou as funções de protagonista e produtor de Spartacus, épico sobre uma revolta de escravos ocorrida no Império Romano que contou com texto do lendário roteirista Dalton Trumbo (perseguido na época por suas posições políticas). A intenção de Douglas era ter David Lean na direção do projeto, mas o cineasta de Lawrence da ArábiaDoutor Jivago recusou a proposta. A Universal Pictures então escalou Anthony Mann para a vaga, mas o diretor filmou por apenas uma semana antes de ser demitido por Douglas.

"Mann era um técnico, não um artista, não um perfeccionista. Ele é o tipo de cara que os estúdios amam porque ele consegue fazer um filme dentro da agenda e do orçamento previsto", escreveu Douglas no livro de memórias I Am Spartacus! Making a Film, Breaking the Blacklist. A solução encontrada pelo ator para ocupar a vaga de direção foi repetir a parceria com Stanley Kubrick, que estava no começo de sua carreira e havia trabalhado com Douglas em Glória Feita de Sangue (1957).

Spartacus é um dos poucos filmes de Kubrick no qual o diretor tem menos controle criativo sobre a obra, sendo mais um profissional contratado para uma função do que o autor que ele revelou ser nos demais trabalhos de sua filmografia.

Josey Wales, o Fora da Lei (1976)

Clint Eastwood fez um dos maiores trabalhos de sua carreira como diretor e ator no faroeste Josey Wales, o Fora da Lei. Entretanto, inicialmente o foi contratado apenas para trabalhar diante das câmeras e não atrás delas. Philip Kaufman, co-autor do roteiro, era o diretor original do western revisionista ambientado nos anos da Guerra Civil Americana. 

Kaufman não gostava da mensagem política do filme (dizia que o livro que inspirou a obra parecia ter sido escrito por um fascista) e tinha um estilo meticuloso de filmagens, o que irritava Eastwood. Enquanto o diretor preferia rodar várias tomadas antes de terminar uma cena, o ator preferia usar menos takes. Entretanto, reza a lenda de que o real motivo que levou Eastwood a pedir a demissão do colega foi o fato de os dois estarem interessados pela mesma mulher, Sondra Locke atriz que fez parte do elenco do filme. 

Homem-Formiga (2015)

O diretor Edgar Wright passou quase 10 anos envolvido com o desenvolvimento de um filme dedicado ao Homem-Formiga e foi demitido pela Marvel três meses antes do início das filmagens, na etapa final da fase de pré-produção. O cineasta também trabalhou na primeira versão do roteiro do filme e avaliou sua demissão com pesar. "Eu queria ter feito um filme da Marvel, mas eu não acho que a Marvel realmente queria fazer um filme do Edgar Wright", comentou o cineasta de Scott Pilgrim Contra o Mundo e Chumbo Grosso, que posteriormente dirigiu Em Ritmo de Fuga. Ele se disse insatisfeito com o estúdio, que encomendou novas versões do roteiro sem consultá-lo e o fez sentir mais como um "diretor de aluguel" do que como alguém que deveria se importar emocionalmente com o projeto. Wright definiu a sensação de deixar o filme como "desoladora".

Wright foi substituído por Peyton Reed na direção e Adam McKay revisou o roteiro do filme. A atriz Evangeline Lilly, que interpreta Hope Van Dyne em Homem-Formiga, comentou as diferenças criativas entre Marvel e Wright em 2014: "Eu vi com os meus próprios olhos que a Marvel estava aproximando o filme para o universo deles. Digo, eles estabeleceram um mundo, então as pessoas esperam uma certa estética dos filmes da Marvel. E o que Edgar criou estava mais próximo do que ele pensava ser o certo. Eram duas versões muito diferentes. Eu sinto que, se eles tivessem seguido em frente com a ideia inicial de Edgar, seria um filme muito divertido de se ver, bem parecido com os quadrinhos, mas não se encaixaria nos outros filmes do estúdio."

Star Wars - Episódio IX (2019)

Como mostrou a produção de Han Solo: Uma História Star Wars, a Lucasfilm não deixará nenhum diretor ficar em seu caminho quando o assunto é a produção de um longa-metragem nos moldes da franquia.

Colin Trevorrow foi alçado ao patamar de diretor capaz de trabalhar com grandes estúdios e conseguir resultados fortes graças ao seu trabalho em Jurassic World - Mundo dos Dinossauros, que arrecadou impressionantes US$ 1,67 bilhão mundialmente. Depois do sucesso, em agosto de 2015 chegou a Trevorrow o convite da Lucasfilm para dirigir Star Wars - Episódio IX, sequência de Star Wars - Os Últimos Jedi (2017). Dois anos depois, o realizador deixou o projeto. "Colin tem sido um colaborador maravilhoso ao longo do processo de desenvolvimento, mas todos chegamos à conclusão de que nossas visões para o projeto diferem", diz o comunicado oficial da Disney.

Um executivo de Hollywood próximo da produção de Jurassic World avaliou que Trevorrow deixou a Lucasfilm por ser uma pessoa "difícil". O executivo, que concedeu uma entrevista para o site Vulture mas pediu anonimato, disse que o diretor gastava "boa parte de suas energias para reforçar sua própria opinião" durante as filmagens de Jurassic World e deu a entender que ele só não foi demitido do longa por ter sido contratado diretamente por Spielberg. O relacionamento de Trevorrow com Kathleen Kennedy teria sido ruim por conta da resistência do diretor ao pedidos de múltiplos rascunhos de roteiro feitos pelo estúdio.

Há um rumor de que Trevorrow não queria que Luke tivesse morrido no final de Os Últimos Jedi pois o personagem seria uma figura fundamental na história que ele pretendia contar. O diretor foi substituído por J.J. Abrams, um velho conhecido da Lucasfilm, que trouxe a franquia de volta ao dirigir Star Wars - O Despertar da Força.

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