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    Festival de Cannes 2018: O Grande Circo Místico é uma reação ao cinema moderno, segundo Cacá Diegues (Entrevista Exclusiva)
    Por Renato Hermsdorff e Bruno Carmelo — 18 de mai. de 2018 às 19:38
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    Para o cultuado diretor brasileiro, o cinema se tornou muito “naturalista”: “Eu queria retomar essa ideia de que há beleza na forma também”.

    Cacá Diegues não nasceu ontem. Nasceu “amanhã”, num dia 19 de maio, só que do ano de 1940. Com 78 anos a serem completados neste sábado, dedicou mais de 50 deles ao cinema. Pousou em Cannes pela primeira vez em 1964, quando apresentou Ganga Zumba no Festival e, três indicações à Palma de Ouro depois (Bye-Bye Brasil, Quilombo e Um Trem Para as Estrelas, todas nos anos 1980), retorna à Croisette com O Grande Circo Místico, fora de competição.

    Baseado na obra literária de Jorge de Lima - que deu origem ao espetáculo musical do Balé Teatro Guaíra, de Curitiba, com trilha de Chico BuarqueEdu Lobo -, o filme retoma a história do circo criado por um aristocrata para presentear a amada acrobata. Ao longo de mais de um século, a(s) produção(ões) acompanha(m) as sucessivas gerações de herdeiros do picadeiro, tendo como mestre de cerimônias um jovem que não envelhece (Jesuíta Barbosa).

    Getty Images
    Cacá e as atrizes do filme em Cannes.

    A fantasia, portanto, é protagonista nesse enredo lúdico. “É uma atitude minha diante do cinema moderno”, diz o cineasta, em entrevista ao AdoroCinema em Cannes (completa no vídeo acima). “[O cinema moderno] ficou muito naturalista, muito crônica do cotidiano e eu queria fazer um filme contra isso, que retomasse a tradição do barroco brasileiro, que retomasse essa ideia que há beleza na forma também”, explica. “E essa forma pode ser extremamente brasileira”.

    Fã de Jorge de Lima desde a adolescência, Cacá gosta de dizer que foi lá (com a pouca idade) que projeto começou. “Mas nunca pensei em fazer um filme baseado na obra dele. Porque a obra dele é muito literária mesmo, é muito poética no sentido do termo”. Com a evolução da tecnologia, no entanto, é que de fato o sonho foi ganhando corpo(s). “Aí, comecei a pensar em fazer, mas só pensar”. O roteiro começou a ser escrito em 2007 e, filmado em 2015, só agora o filme teve sua estreia mundial. “Não só porque faltou dinheiro e eu tive que correr atrás. Mas também porque eu não tinha intimidade com a tecnologia dos efeitos especiais”.

    Divulgação
    Jesuíta Barbosa em cena.

    Experiente, o expoente do Cinema Novo acredita que não haja uma corrente cinematográfica delineada hoje em dia (mas é fã do cinema pernambucano contemporâneo). “Hoje você não tem mais movimento, movimento nenhum vai existir mais. Eu acho que hoje você tem as marcas pessoais, os autores que têm uma marca pessoal e cada um deles tem um interesse específico”.

    O Grande Circo Místico tem previsão de estreia nos cinemas brasileiros em 6 de setembro.

     

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