Notas dos Filmes
Meu AdoroCinema
    Festival de Berlim 2018: Drama paraguaio-brasileiro e comédia com Robert Pattinson marcam dia morno na mostra competitiva
    Por Bruno Carmelo — 16 de fev. de 2018 às 17:15
    facebook Tweet

    A primeira debandada e as primeiras vaias da competição.

    Depois de um ótimo começo com Isle of Dogs, a mostra competitiva do 68º festival de Berlim caiu de produção com alguns títulos fracos nesta sexta-feira. Dentro destes filmes estava uma coprodução brasileira e uma aguardada comédia americana. Mesmo assim, nenhum dos dois foi o pior filme do dia.


    Amores discretos

    Las Herederas ("As Herdeiras", em tradução literal) é uma coprodução entre seis países, especialmente o Paraguai, mas com participação brasileira. O diretor estreante Marcelo Martinessi traz a história de um casal de mulheres ricas na faixa dos 60 anos de idade: Chela (Ana Brun) e Chiquita (Margarita Irún). Quando a situação financeira se agrava e Chiquita vai à prisão, Chela é obrigada a se reinventar, com a ajuda de uma nova profissão e de um novo grupo de amigas. 

    O filme é singelo e respeitoso, além de demonstrar o talento do diretor para a construção de clima. No entanto, é uma pena que não se aprofunde em nenhuma das questões mostradas - seja a homossexualidade, os privilégios das classes altas nem a crise das instituições no Paraguai. Somando-se à atuação etérea de Ana Brun, o resultado dividiu o público e despertou palmas modestas ao final da sessão.

    Leia a nossa crítica


    Quem vai ficar com Penelope?

    Os detratores de Robert Pattinson que nos desculpem, mas o ator da saga Crepúsculo está demonstrando, filme após filme, uma grande versatilidade e talento dramático. Ele também revela bom tempo cômico no faroeste Damsel ("Donzela"), no qual interpreta um conquistador barato tentando se casar com a moça mais bonita da região (Mia Wasikowska). No caminho, enfrenta a concorrência com outros pretendentes.

    O roteiro tem ótimas tiradas e algumas críticas construtivas aos valores norte-americanos, porém se estende demais e acaba se tornando repetitivo. Na sessão de imprensa, algumas dezenas de pessoas abandonaram a sala antes. No término, nenhuma palma no cinema inteiro, apenas umas vaias isoladas.

    Leia a nossa crítica.


    A História precisa de (super-) heróis?

    A produção mais fraca do dia foi Black 47, drama histórico dirigido por Lance Daly. Compreensivelmente excluído da disputa pelos Ursos de Ouro, o filme apresenta um soldado irlandês voltando para casa e se deparando com a morte da família, além da fome de sua população, devido a uma praga que afetou as plantações. Ele decide fazer vingança com as próprias mãos, assassinando todos os homens poderosos do local. 

    O resultado é um projeto grandiloquente sem orçamento para tamanha megalomania, contentando-se em acompanhar um justiceiro sobre-humano (James Frecheville) matando dezenas de adversários e escapando com uma facilidade absurda. Alguns recursos kitsch - a fuga diante da cabana pegando fogo, especialmente - levaram os críticos às risadas involuntárias. 

    Leia a nossa crítica.


    Descubra todas as notícias e críticas publicadas até agora no Guia do Festival de Berlim

    facebook Tweet
    Links relacionados
    Pela web
    Comentários
    • Bernardo Bastos Guimarães
      Não acredito que esses filmes venham para os cinemas daqui do Brasil. Mia Wasikowska tem feito muitos filmes desde os dois Alice, mas nenhum se destacou.
    Mostrar comentários
    Back to Top