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    Raymond Depardon debate o elogiado 12 Dias hoje no CCBB Rio
    Por Rodrigo Torres — 17 de jan. de 2018 às 16:32
    Atualizado 18 de jan. de 2018 às 17:36
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    Fotógrafo premiado com fascínio pela palavra tornou-se um dos maiores documentaristas do mundo com um cinema de humanidade e poesia.

    A arte de Raymond Depardon, para quem não o conhece, é como a combinação da obra de dois ícones brasileiros: a expressão fotográfica de Sebastião Salgado, tema do premiado filme O Sal da Terra; e o cinema documental de Eduardo Coutinho, que descortina a verdade de onde não se vê, escuta quem não tem voz, com uma lente que emana sensibilidade. Assim se repete em seu novo documentário, 12 Dias, exibido em Cannes 2017 e que chega ao Rio de Janeiro nessa quarta (17), no Centro Cultural Banco do Brasil.

    Primeiro, às 18 horas, o artista participa de uma visita guiada a sua exposição de fotografias "Un moment si doux", atração do CCBB Rio desde o dia 3. Depois acontece a exibição de 12 Dias. Em seguida, Raymond Depardon realiza uma palestra sobre o filme — material riquíssimo para discussão tanto em âmbito artístico, do registro documental ao emprego de som e fotografia na construção de sentido, como social, sobre o papel do Estado na internação de uma pessoa involuntariamente.

    "Sempre se deu a palavra aos psiquiatras, aos advogados, aos policiais, aos juízes... Essa é a primeira vez que os 'loucos' tiveram a palavra, e é importante ouvir o que eles têm a dizer", diz Depardon, em entrevista exclusiva ao AdoroCinema, sobre algo que faz precisamente em 12 Dias. Até 2013, a França cometia uma violação dos direitos humanos: internava involuntariamente em hospitais psiquiátricos quem fosse detido e apresentasse um quadro da doença. Desde então, após o tempo que dá título ao longa-metragem, é obrigatório um julgamento em que a pessoa, acompanhada de um advogado, possa defender sua liberdade.

    12 Dias se alterna entre o registro de pessoas com nítido grau de insanidade e periculosidade a outros e a si mesma. Mas, constantemente, são pessoas com diferentes níveis de instabilidade — emocional, motora, de agressividade e até psíquica — cabíveis a pessoas tidas como normal, vitimadas por problemas da sociedade, como assédio moral no emprego ou estupro. Em dado momento, uma mãe diz que aceita permanecer internada, mas quer só um pouco de tempo para trocar a fralda da filha e... amá-la.

    Muito além dos travellings rigorosos, das lindas tomadas externas, dos longos silêncios e da trilha sonora minimalista, extraordinária de Alexandre Desplat (vencedor do Oscar por O Grande Hotel Budapeste), Raymond Depardon se apoia em rompantes de inteligência e profunda sensibilidade dos pacientes do Le Vinatier, e assim encontra a poesia. É isso que torna seu cinema tão grandioso, e 12 Dias, um filme imperdível.

    A Mostra Depardon Cinema fica até a próxima segunda-feira (22), no Rio de Janeiro e em São Paulo, com a exposição de fotos e a filmografia de Raymond Depardon. Nessa sexta (19), o autor francês retorna para um bate-papo com a cineasta brasileira Maria Augusta Ramos e sua parceira de longa data, a produtora Claudine Nougaret. O trio debaterá o longa-metragem Presos em Flagrante, que também será exibido no CCBB Rio, às 18 horas. A entrada é gratuita. A distribuição de senhas tem início uma hora antes.

     

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