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Catherine Deneuve participa de carta aberta que classifica atual movimento contra o assédio sexual como 'onda de puritanismo'
Por Renato Furtado — 10/01/2018 às 11:42
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O artigo, endossado por mais de 100 mulheres, afirma que as liberdades sexual e de expressão estão sendo feridas.

Catherine Deneuve é uma das atrizes favoritas de boa parte dos fãs do cinema francês. No entanto, as opiniões da lendária musa da sétima arte, que trabalhou com célebres cineastas como Luis BuñuelJacques Demy e Agnès Varda, não são tão unânimes quanto sua figura. Em carta aberta divulgada pelo jornal Le Monde, Deneuve - ao lado de mais de 100 outras mulheres, entre intelectuais, escritoras e outras atrizes - criticou o movimento contra os assédios sexuais que assolam Hollywood, classificando-o como uma "onda de puritanismo" que elimina a liberdade sexual e de expressão: "O estupro é um crime. Mas o flerte insistente ou malsucedido não é um delito, assim como um elogio não é uma agressão machista", diz o primeiro parágrafo do texto.

Na visão das cossignatárias, o desenrolar do caso Harvey Weinstein, epicentro do escândalo que abalou as estruturas da indústria cinematográfica estadunidense, trouxe uma "tomada de consciência" necessária para as mulheres, mas também abriu espaço para uma espécie de caça às bruxas - ecoando os comentários feitos por Woody Allen, acusado de abuso por sua filha, Dylan Farrow. De acordo com a tribuna, as denúncias realizadas acabam praticando um efeito contrário ao pretendido: "É próprio do puritanismo pegar emprestado, em nome de um pretenso bem geral, os argumentos a favor da proteção das mulheres e de sua emancipação para melhor acorrentá-las ao status de vítimas eternas, de pobres coitadas que estão sob jugo de demônios falocratas, como nos bons e velhos tempos da feitiçaria".

As denúncias que derrubaram Harvey Weinstein foram o estopim de um movimento que, até agora, também já derrubou as carreiras de nomes como Kevin Spacey e Louis C.K.

Criticando os ataques à retrospectiva dedicada à obra de Roman Polanski - criminalmente indiciado nos Estados Unidos por ter abusado de uma menor de idade no final dos anos 1970 - organizada pela Cinemateca Francesa, a primeira parte do texto é encerrada com a afirmativa de que a "justiça expeditiva já fez suas vítimas, homens punidos no exercício de seus ofícios, obrigados a se demitir, etc., por terem tocado um joelho, tentado roubar um beijo, falado de coisas 'íntimas' em um jantar de negócios ou enviado mensagens de cunho sexual para mulheres que não se sentiam atraídas pelos mesmos. Esta febre em enviar os porcos ao abate, ao invés de ajudar a autonomia das mulheres, serve, na realidade, aos interesses dos inimigos da liberdade sexual e dos extremistas religiosos".

Na metade final, as assinantes da carta aberta defendem a "liberdade de importunar" como prerrogativa para a liberdade sexual e denunciam, por fim, um feminismo que não as representa: "O filósofo Ruwen Ogien defendia que a liberdade de ofender é indispensável à criação artística. Do mesmo modo, nós defendemos a liberdade de importunar como algo indispensável para a liberdade sexual. Hoje, nós somos suficientemente conscientes para admitir que a pulsão sexual é, por natureza, ofensiva e selvagem, mas nós também somos suficientemente esclarecidas para não confundir uma sedução desajeitada com agressão sexual [...] Como mulheres, nós não nos reconhecemos neste feminismo que, junto à denúncia aos abusos de poder, toma para si a máscara do ódio aos homens e à liberdade sexual".

No contexto do presente estado das coisas, realçado pelo emocionante discurso de Oprah Winfrey durante a cerimônia do Globo de Ouro e pela revista Time, que elegeu as "mulheres que quebraram o silêncio" como as personalidades do ano, o artigo de Deneuve e de suas cossignatárias marca a primeira reação feminina em larga escala que é contrária ao movimento. O conteúdo da tribuna, evidentemente, foi duramente criticado por associações feministas francesas como a Osez le Féminisme. E para além do coletivo, a atriz e cineasta Asia Argento (Incompreendida), uma das inúmeras mulheres que acusaram Weinstein de abuso, também disparou contra as responsáveis pelo manifesto:

"Revoltante. Na contramão da atual tomada de consciência, estas mulheres defendem a impunidade dos agressores e atacam as feministas"

"Catherine Deneuve e outras mulheres francesas comunicam ao mundo como as misoginias interiorizadas delas as lobotomizaram a um ponto sem volta"

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