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Blade Runner 2049: Entenda como a cena que trouxe Rachael de volta foi feita (Entrevista Exclusiva)
Por Renato Furtado — 16/12/2017 às 08:30
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O AdoroCinema conversou com Richard Clegg, artista de efeitos especiais do filme, durante o evento VFX Rio.

Blade Runner 2049 é um dos filmes mais tecnicamente impressionantes dos últimos anos. Seja por causa da meticulosa direção de Denis Villeneuve (A Chegada), da belíssima e inspirada fotografia de Roger Deakins (Ave, César!) ou da incrível criação do mundo do longa, que presta tributo ao original ao mesmo tempo em que inscreve seu nome na história recente da sétima arte, 2049 é um triunfo. Mas dentre os inúmeros pontos altos da ficção científica, uma cena se destaca: a ressurreição de Rachael (Sean Young).

Atenção para spoilers de Blade Runner 2049.

Já no final da trama, Niander Wallace (Jared Leto) captura Rick Deckard (Harrison Ford) para tentar descobrir o paradeiro daquela que é a primeira criança nascida do útero de uma replicante. Para ludibriar o veterano blade runner, o malicioso inventor e cientista apresenta uma cópia fiel, perfeita até os últimos detalhes, do grande amor da vida de Deckard. Rachael surge, então, em Blade Runner 2049 como se trinta e cinco anos não tivessem se passado entre a sequência e Blade Runner, o Caçador de Andróides; e a atriz Sean Young, hoje com 58 anos, retorna com sua aparência de juventude. Mas como é que esta sequência impossível e mágica foi feita? O AdoroCinema foi buscar a resposta diretamente na fonte.

Durante o VFX Rio 2017 - evento que apresentou palestras sobre efeitos visuais e a Realidade Virtual -, conversamos com exclusividade com Richard Clegg, o artista de efeitos especiais que ficou responsável por recriar a Rachael de 1982 em 2017. "Nós trabalhamos em uma sequência que é uma homenagem direta ao filme original, recriamos Rachael ponto a ponto a partir da cena em que ela se encontra com Deckard pela primeira vez, na sequência de abertura de Blade Runner. A nossa Rachael é uma cópia direta do filme original [...] Então, o nosso processo foi mais uma tarefa objetiva de criar um clone perfeito", declarou o artista. Confira a seguir como foi o metódico e longo trabalho de criação - pré-indicado ao Oscar:

A dublê Loren Peta contracena com Harrison Ford. O rosto da atriz está pontilhado por marcadores pretos que funcionam como pontos de referência na hora da substituição digital.

A DUBLÊ

Como Rachael é um dos grandes símbolos de Blade Runner, recriá-la com perfeição não era só uma tarefa: era uma necessidade. Entretanto, a cena escrita por Hampton FancherMichael Green demandava um close de Rachael. Com o foco inteiramente voltado para as suaves expressões faciais da personagem, Clegg e sua equipe descartaram o emprego do traje de captura de movimentos, tecnologia mais apropriada para sequências com mais ação e movimentos. Entra, então, a dublê Loren Peta.

Elogiando tanto o diretor de fotografia quanto o cineasta de Blade Runner 2049, Clegg explicou a gravação da cena e apresentou a decisão que tomou: "A luz de Roger Deakins é linda. Então, nós já tínhamos uma ótima fotografia da qual partir e na qual colocar nossa personagem. Ele filmou com uma dublê real e, então, nós removemos a cabeça dela e a substituímos pela cabeça de Rachael. Foi um prazer trabalhar com Roger Deakins, o trabalho dele é muito bonito. E Denis Villeneuve é incrível. Ele é um diretor de verdade, sabe exatamente o que quer".

Tendo estabelecido o caminho criativo, Clegg se deparou com um novo desafio: o "vale da estranheza". O conceito, criado pela psicologia e apropriado pela robótica, versa sobre tudo aquilo que nos parece ser natural mas que, no fundo, não é e que, por isso mesmo, provoca estranheza/aversão no observador. O efeito causado pelo "vale" pode ser evidenciado nos robôs japoneses e em alguns personagens dos games, cujas expressões faciais são perfeitas e, portanto, irreais: no momento em que não é possível identificar as imperfeições que fazem parte do rosto humano, a estranheza é provocada - e não estabelecer a empatia dos espectadores com o clone de Rachael, não poderia acontecer em Blade Runner 2049.

Representação do "vale da estranheza". Bizarro, né?

Com o registro de Peta em cena com Ford, Leto e Sylvia Hoeks, a intérprete de Luv, Clegg e sua equipe reuniram materiais de arquivo de Young - incluindo, é claro, sua performance em Blade Runner -, vasculhando o acervo pessoal da atriz para encontrar fotos e vídeos que apresentassem seu rosto - com expressões faciais distintas - na época em que ela ainda tinha entre 18 e 23 anos. Em seguida, os artistas recolheram imagens da dublê e, por fim, clicaram novos registros imagéticos da versão atual de Young, reproduzindo as mesmas reações encontradas nas fotografias antigas da intérprete. Estudando meticulosamente cada minúcia, curva e falha dos rostos da atriz e da dublê - Clegg identificou, inclusive, 474.611 curvas no penteado de Rachael -, os artistas puderam criar modelos digitais de suas faces.

No entanto, como seria impossível fabricar a cabeça digital de Rachael segundo o modelo criado a partir do rosto da Sean Young dos dias de hoje por causa do envelhecimento da atriz, os artistas decidiram tomar um caminho mais longo e trabalhoso, porém mais simples: reconstruir o crânio de Young no computador para analisar, anatomicamente, as proporções e as medidas de sua face. Só então Clegg e sua equipe puderam iniciar a parte mais "prazerosa" do processo: ver e rever, infinitamente, Blade Runner para produzir, com o maior nível de perfeição possível, a pele e as expressões da Sean Young de 1982.

Animação da cena com o crânio desenvolvido digitalmente.
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