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    Diretores de Jogos Mortais: Jigsaw falam sobre paixão pelo gore e pelo gênero do terror (Entrevista exclusiva)
    Por Lucas Salgado — 30 de nov. de 2017 às 08:38
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    Oitava filme da franquia Jogos Mortais estreia hoje em todo Brasil.

    Sete anos após Jogos Mortais - O Final, chegou a hora de reencontrar o assassino John Kramer. Jogos Mortais: Jigsaw chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 30 de novembro. Uma das novidades no projeto é a entrada dos diretores Michael Spierig e Peter Spierig. Conhecidos pelos trabalhos em 
    2019 - O Ano da Extinção e O Predestinado, os dois irmãos, que são gêmeos, conversaram com o AdoroCinema durante a San Diego Comic-Con e falaram um pouco sobre o novo longa.

    Abaixo, você confere nossa conversa completa com a dupla.

    O que trouxe vocês ao projeto?

    Peter Spieging: Nós conhecemos James WanLeigh Whannell desde que antes do primeiro Jogos Mortais e somos muito familiarizados com a franquia. E obviamente vimos todos os filmes e somos grandes fãs deles.

    Michael Spieging: Como fizemos dois filmes com a Lionsgate, já conhecíamos a produção e o convite veio daí. Um dos produtores do projeto nos chamou e nos convidou para ler um roteiro secreto. Não tínhamos certeza do que era, mas tínhamos uma teoria. Quando chegamos lá, ficamos muito surpresos com a qualidade do roteiro, a inteligência das reviravoltas. Ficamos muito intrigados.

    Por que agora é a hora de trazer a franquia de volta, sete anos depois do último filme?

    PS: Acho que é um dos fatores é que já fazem sete anos. Depois do primeiro Jogos Mortais, foi lançado um filme da franquia por ano. Neste caso, a Lionsgate pensou bastante na narrativa e em como trazer a franquia de volta. Teria que ser algo diferente sem perder os elementos que os fãs adoram. Como Michael disse, nós lemos o roteiro e percebemos que é um suspense muito sólido. Você esquece que é um filme de Jogos Mortais. Isso é muito interessante. Eles não fizeram um roteiro só para capitalizar sobre a franquia. Antes de mais nada, eles se concentraram em produzir um bom roteiro. Que foi o que eles fizeram, ao meu ver.

    Por que mudar o nome do filme? (o título original mudou de Saw para Jigsaw)

    PS: A razão principal foi porque este filme é uma novidade e nós queríamos começar com um novo nome. Na verdade, o primeiro Jogos Mortais seria chamado de Jigsaw, então trazer o nome de volta pareceu ser a coisa certa a se fazer porque a premissa do filme gira em torno da existência de Jigsaw, que está morto e que não poderia estar vivo. Então, fez muito sentido.

    Como foi trabalhar com Tobin Bell? O quão envolvido ele está no filme?

    MS: A voz de Tobin Bell está definitivamente no filme. E ele é um cara muito legal, se importa com o personagem e sua filosofia, se doa para o papel. É um cara incrível, é um prazer trabalhar com ele. E a voz dele no filme é excelente.

    O que vocês diriam que Jogos Mortais: Jigsaw traz de novo à franquia?

    PS: Existem várias coisas, mas não podemos falar muito sobre isso, o que deixa a resposta mais difícil. O nosso objetivo, meu e de Michael, era fazer um filme mais baseado no suspense e na tensão do que tentar tornar este mais sanguinário que os antecessores. É claro que tem bastante sangue, mas o filme é mais sobre suspense. A franquia, principalmente nos filmes mais recentes, girou muito em torno das armadilhas e de mais sangue. Nós adoramos o fato de que o roteiro foi feito com um mistério muito interessante no centro. Definitivamente, foi isso que chamou a nossa atenção.

    Como foi lidar com o gore?

    MS: Nós crescemos vendo filmes de terror, especialmente os dos anos 1980. Nós adoramos efeitos de maquiagem e efeitos práticos, e nós tentamos usar o máximo deles. Certamente usamos muito em Jigsaw porque isso traz mais realidade ao filme. Acho que os fãs do gênero gostam de ver efeitos e maquiagens feitas sem efeitos digitais. Então, tentamos nos manter fiéis a isso. É divertido, mas é sempre difícil porque leva bastante tempo para filmar com tanto sangue. Quando você vai filmar uma cena assim, você reza para que dê certo da primeira vez. Porque se não der, você vai levar duas horas para limpar o set para tentar de novo. É difícil, mas também é muito divertido.

    Há muita tensão e sangue envolvidos na trama. É divertido fazer um filme como esse?

    PS: Com certeza, é muito divertido. Nosso primeiro filme é sobre exterminar zumbis e nós fizemos isso porque nos divertíamos muito quando éramos mais jovens, fazendo esse tipo de filme em nosso quintal com amigos e familiares. 25 anos depois, pouca coisa mudou. Então, sim, é muito divertido. Acho que isso também é presente no set, os atores se divertem muito. Acho que um set de comédia seria muito menos divertido do que um set de terror.

    Percebi pelo trailer que o filme tem um pouco de humor. Vocês gostam de adicionar essa comédia?

    MS Esta definitivamente não é uma comédia, mas existem momentos de leveza e de humor. Sempre é divertido poder quebrar algum momento tenso ou aterrorizante com um pouco de comédia. Tentamos injetar um pouco de humor.

    PS: Para ser claro, o filme tem pouco humor. Sem dúvidas, é um suspense muito intenso acima de qualquer coisa. Existem pingos de humor em alguns pontos. Se você faz um filme com um só tom, tudo começa a se tornar ruído. Você precisa equilibrar. Se você fizer isso, quando os momentos de tensão acontecerem, eles serão mais intensos porque terão a chance de respirar. Se você seguir uma linha só, a tensão vai se diluir.

    Sendo este o oitavo filme de uma franquia, as pessoas se perguntam se há um futuro para a saga. Este projeto é único pra vocês ou vocês pensam em seguir?

    MS: Não tenho como responder esta pergunta. Este definitivamente é um filme autônomo. Se você não viu os filmes anteriores, pode ver este sem problemas. Ajuda saber a história e saber o que aconteceu com os personagens, mas é um filme autônomo. As sequências dependem do público.

    PS: É óbvio que o estúdio quer que o filme seja bem-sucedido e quando isso acontece, sequências normalmente são produzidas. Então, se der certo, não seria loucura supor que teremos mais Jogos Mortais.

    Como vocês disseram anteriormente, os filmes originais eram baseados em maneiras maiores de matar. Como foi lidar com essas formas criativas de matança? Como foi trazer o roteiro à vida?

    PS: Existem armadilhas específicas no roteiro, mas eram momentos muito livres. Nós, ao lado dos produtores e dos roteiristas, sabíamos que deveríamos preencher os momentos entre as armadilhas, descobrir formas de fazer isso. Algumas armadilhas são enormes e muito elaboradas e outras são pequenas e simples. Então, temos estes extremos. E todas as armadilhas foram modificadas e retrabalhadas durante a produção. Nós também trouxemos um diretor de arte para construirmos essas coisas de maneira logisticamente real. Você pode inventar coisas elaboradas, mas fazer é outra história.

    O lado detetive da franquia parece ser bastante importante neste filme. Como foi lidar com esse aspecto?

    PS: Acho que o fato de ser uma história de detetive foi o que nos chamou a atenção, o fato de ter que desvendar o mistério. A saga tem o elemento de investigação e das armadilhas e, eventualmente, os dois se fundem de alguma forma. Então, sim, essa parte foi empolgante para nós. Antes de filmarmos, lendo o roteiro e esquecendo que é um filme da franquia Jogos Mortais, nós ficamos intrigados por esse elemento de mistério e de investigação.

    Vocês podem falar um pouco sobre o processo de codireção?

    MS: Nós fizemos cinco filmes juntos e as pessoas sempre nos perguntam isso. É praticamente uma divisão 50/50. Particularmente nos filmes que escrevemos, nós dividimos tudo meio a meio. Planejamos tudo cuidadosamente, fazemos storyboards, discutimos tudo durante a pré-produção para não termos divergências durante as filmagens. Ocasionalmente, nós nos separamos para comandar sets diferentes. Fizemos em Jogos Mortais. Mas, na maioria das vezes, é uma divisão igual. É assim desde que começamos. Nós nos comunicamos e aí apenas um de nós fala com os atores para não confundir ninguém.

    Houve algum momento engraçado com o elenco por vocês serem gêmeos?

    PS: Não muito neste filme, mas nós trabalhamos duas vezes com Ethan Hawke e ele precisou dos dois filmes para nos diferenciar.

    Scott Barbour/Getty Images
    Peter (esquerda) e Michael (direita)

    Vocês têm algum outro projeto no momento?

    MS: Estamos montando Winchester, estrelado por Helen Mirren e Jason Clarke e é sobre o mistério da casa dos Winchester, em San Jose. É a história real dos herdeiros do rifle Winchester. Ela acredita ser perseguida pelas pessoas que foram mortas por um rifle. É uma história incrível, um filme de assombração. Será lançado no ano que vem.

    Será mais tenso do que sangrento?

    MS: Mais suspense do que qualquer outra coisa.

    É interessante porque James Wan fez uma transição semelhante entre Jogos Mortais e Invocação do Mal. Vocês trabalharam diretamente com ele?

    PS: Não trabalhamos diretamente com ele, mas nós o conhecemos há muito tempo e conversamos muito. Ele está indo bem.

    Qual é o filme de terror favorito de vocês?

    MS: São muitos. Gosto muito dos filmes de terror dos anos 80. Meu favorito é O Enigma de Outro Mundo, do John Carpenter. É incrível e foi muito subestimado quando foi lançado. Amo muitos filmes de terror.

    PS: Diria O Exorcista, Uma Noite Alucinante 2... São muitos.

    O que vocês diriam que é mais importante ao se dirigir um filme de terror?

    MS: Acho que é saber para quem você está fazendo o filme. Saber qual é sua intenção: se é ser sangrento ou assustador ou seja lá o que for. Garantir que você entregue isso e que você entenda o público para quem você está fazendo o filme. Sendo fã de filmes terror, acho que eu e Peter amamos o gênero e isso se traduz no que fazemos. Não fazemos as coisas por dinheiro, gostamos do que fazemos. Espero que os fãs sintam-se da mesma forma.

     

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