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Conheça 11 dos filmes mais controversos de todos os tempos
Por João Vitor Figueira — 01/10/2017 às 10:50
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Em mais de um século de história, o Cinema não perdeu oportunidades de chocar o público — instigando reflexões ou revolta.

"Insano", "grotesco" e "subversivo" são alguns dos adjetivos associados pela crítica ao suspense psicológico Mãe!, de Darren Aronofsky. O longa-metragem estrelado por Jennifer Lawrence foi uma das obras mais polarizantes do ano com sua trama repleta de alegorias que acompanha a espiral de caos na vida de uma mulher depois que visitas indesejadas que chegam na casa onde ela vive com seu marido.

Depois de dividir jornalistas e o público entre os que amaram e os que odiaram o filme, a Paramount Pictures aproveitou a polêmica para divulgar um cartaz novo do longa, que diz que o longa é "o filme mais controverso em décadas". Abaixo, relembre outros filmes que despertaram revolta, discussões e muita polêmica.

O Nascimento de uma Nação (The Birth of a Nation, 1915)

D.W. Griffith deixou um legado dúbio na história de Hollywood ao realizar o primeiro grande épico cinematográfico dos Estados Unidos. Lançando mão de técnicas inovadoras para a época (estamos falando de um filme que foi feito há mais de um século), ainda hoje há quem defenda o longa-metragem como um prodígio técnico. Entretanto, seu conteúdo deplorável de propaganda racista faz de O Nascimento de uma Nação uma herança maldita que representa intrincados preconceitos que foram elementos formadores da cultura americana.

Ambientado antes, durante e depois da Guerra Civil, o filme celebra o grupo supremacista branco Ku Klux Klan como o responsável por "proteger" os Estados Unidos da "ameaça" representada pelos afro-americanos. Os negros, interpretados por atores brancos com os rostos pintados, são apresentados como infantis, estúpidos e animalescos nesta peça de propaganda racista. O filme era tão ofensivo que conseguiu causar revolta há mais de 100 anos, provando que ele não é ideologicamente errado apenas sob um olhar moderno. Banido em algumas cidades como Boston e Filadélfia na época de seu lançamento, o longa-metragem ainda é celebrado por grupos racistas e foi o responsável por reavivar o interesse de homens brancos frustrados pela KKK. Griffith costumava negar as acusações de racismo e, um ano depois do lançamento do controverso longa, dirigiu Intolerância, idealizado por ele como uma resposta aos críticos de O Nascimento de Uma Nação.

Em 2016, Nate Parker tentou subverter a mensagem racista do primeiro filme com um longa-metragem batizado com o mesmo nome, que também atraiu controvérsia para si por conta da acusação de estupro contra o realizador e estrela do projeto.

Monstros (Freaks, 1932)

Uma mulher ameaçou processar a MGM por ter sofrido um aborto espontâneo após participar de uma sessão teste de Monstros. Ela alegou que o filme lhe causou tanto desconforto que ela perdeu o bebê. O exemplo mostra o quanto o terror dirigido por Tod Browning era capaz de chocar o público na época de seu lançamento. Unindo drama e terror, o filme conta com artistas com deformidades reais que costumavam se apresentar nos chamados circos de horrores no elenco principal. O que mais atraiu e causou repulsa no público foi se deparar com um panteão formado por gêmeas siamesas, pessoas sem membros superiores e/ou inferiores, pessoas com progeria e microcefalia e diversas outras particularidades consideradas aberrações na época.

No ápice do filme, o clã de freaks se une para perseguir alterofilista Hercules e a trapezista Cleopatra durante uma noite de tempestade. Os dois planejavam fugir com a furtuna de um dos anões da trupe. A cena termina com a castração de Hercules e a mutilação de Cleopatra realizada pelas criaturas. Tudo isso incomodou tanto o público nas sessões teste que a MGM cortou quase meia hora de filme para inserir cenas de comédia. As mudanças não surtiram efeito e o filme fracassou nas bilheterias e enterrou a promissora carreira de Browning, que experimentava um sucesso descomunal por ter dirigido o Drácula de Bela Lugosi. Hoje, Freaks é avaliado positivamente pela crítica. "O tempo foi gentil com esta lenda do terror. Monstros consegue assustar, chocar e até mesmo emocionar os espectadores de uma forma que o público da época não percebeu", é o veredito do Rotten Tomatoes.


Triunfo da Vontade (Triumph des Willens, 1935)

Com vastas influências na linguagem publicitária, em propagandas eleitorais e até na franquia Star Wars, o infame documentário Triunfo da Vontade, rodado durante um congresso do Partido Nazista em Nuremberg no ano de 1934, é a principal peça de propaganda pró-Hitler já registrada em película. O filme usa câmeras com lentes que distorcem a realidade, ângulos pomposos, filmagens aéreas e um trilha sonora épica para glamurizar um dos regimes mais nocivos da história da humanidade.

Paga por Hitler para dirigir o filme, a atriz e dançarina que se tornou documentarista Leni Riefenstahl sempre se defendeu das acusações de que seria conivente com as atrocidades nazistas. Ela alegou que não tinha conhecimento dos planos genocidas de Hitler durante as filmagens do longa-metragem, apesar de muitos afirmarem que ela era uma amiga pessoal do führer . Riefenstahl ficou quatro anos presa depois do término da Segunda Guerra Mundial e praticamente encerrou sua carreira após isso. Ela costumava alegar que Triunfo da Vontade é uma produção meramente histórica, um exemplar do cinema verdade.

O documentário é proibido até hoje na Alemanha. Riefenstahl buscou se distanciar do nazismo pelo resto da vida, mas também foi muito contestada e carregou esta marca consigo até o final de sua vida. Após sua morte, a diretora foi mencionada entre as homenagens póstumas do Oscar, causando repúdio de ativistas. Jodie Foster já planejou produzir uma cinebiografia da alemã, mas desistiu do projeto para não correr o risco de glorificar uma pessoa tão associada ao nazismo.

A Canção do Sul (Song of the South, 1946)

A Disney também erra e erra feio. Híbrida de animação e live-action, a comédia para a família A Canção do Sul trouxe James Baskett no papel do estereotipado Tio Remus. O personagem é apresentado de forma extremamente condescendente como um humilde homem negro alegre, contador de histórias e com talento para música. A trama é ambientada no sul dos Estados Unidos, região marcada pela escravidão, logo após o término da Guerra Civil Americana, mas isso não ficou claro para os espectadores da época. O personagem foi criado pelo escritor branco Joel Chandler Harris no século XIX, acusado por acadêmicos negros ter usado de um paternalismo rejeitável para compor a personalidade de Remus.

Na época do lançamentou de A Canção do Sul, houve quem considerou que o filme de colocava negros em situações degradantes e romantizava o ambiente das plantações onde trabalhavam os escravos. Houve muitas críticas à forma de falar do Tio Remus, tida como exageradamente estereotipada. A  NAACP (sigla para Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor) enviou telegramas para os maiores jornais do país na época para criticar o filme. "É uma pena que a produção ajude a perpetuar um quadro perigosamente glorificado da escravidão", diz o texto. A Disney tentou se defender dizendo que o filme se passava na década de 1870, quando os escravos já tinham sido libertos, mas a ambientação do longa-metragem é confusa.

A Disney jamais lançou A Canção do Sul em home video. 

Bonnie e Clyde - Uma Rajada de Balas (Bonnie and Clyde, 1967)

Em tempos de Quentin Tarantino e Nicolas Winding Refn, um filme como Bonnie e Clyde não parece tão chocante. Entretanto, o filme foi uma das primeiras produções a mostrar uma arma sendo disparada no mesmo plano em que a bala atinge o corpo da vítima, algo inédito para as audiências da época. O final do filme faz jus ao subtítulo que o longa ganhou no Brasil — Uma Rajada de Balas — ao exibir o estrago que um projétil faz no corpo humano levando o nível de representação gráfica da violência em Hollywood para um novo patamar. O jornal The New York Times chegou a fazer uma campanha contra a "brutalidade" nos filmes após o longa-metragem chegar aos cinemas.

Inspirado pela Nouvelle Vague, o diretor Arthur Penn revolucionou a forma de se fazer cinema nos Estados Unidos ao apresentar uma versão sexy e sem julgamentos da história real do casal de criminosos Bonnie Parker e Clyde Barrow, interpretados por Faye Dunaway e Warren Beatty.

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