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Festival de Brasília 2017: Diretora Júlia Murat fala sobre Pendular e busca pelo afeto (Entrevista exclusiva)
Por Lucas Salgado / Transcrição: Andressa Araújo — 21/09/2017 às 11:00
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Destaque do festival, Pendular chega hoje aos cinemas brasileiros.

Junior Aragão

Premiado no último Festival de Berlim, Pendular chega aos cinemas de todo país poucos dias após ser exibido para o público do Cine Brasília, no 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

Dirigido por Júlia Murat (Histórias que Só Existem Quando Lembradas), o longa segue um casal de artistas que dividem um galpão abandonado para desenvolverem suas artes. Ela, uma dançarina. Ele, um artista plástico. Enquando imaginam e criam seus projetos, eles, de certa forma, também trabalham seus momentos de afeto e intimidade.

AdoroCinema conversou com a diretora sobre o longa e sobre como falar de afeto em um momento difícil da sociedade brasileira. Confira!

Então, Julia, para começar, você pode falar um pouco sobre como esse projeto nasceu para você?

O Pendular nasce em 2011. Eu estava terminando Histórias, que é o meu primeiro filme. Começa esse processo de festivais: “qual seu próximo filme?”. É uma pressão muito natural, que é uma pressão difícil de lidar para o segundo filme. E aí eu começo a pensar que filme é esse que eu quero fazer. Aí tem a performance do Marina Abramovic e do Ulay, Rest Energy, que é uma performance que acaba me influenciando muito. Então, eu resolvo falar sobre o equilíbrio na relação amorosa. Eu estava começando a namorar o Matias Mariani, que é o roteirista do filme, e estava pensando muito sobre amor, naturalmente. Isso vai entrando e eu resolvo falar sobre a relação amorosa e chamo o Mat para fazer isso comigo. E aí a gente decide que é uma dançarina e um escritor. 

Eu tinha lido justamente que a performance da Marina Abramovic tinha, de certa forma, te influenciado. Como é que foi isso? O que você acha que tem na obra dela que você queria contar?

É uma influência extremamente conceitual. Essa performance é uma performance onde estão os dois, um na frente do outro, segurando um arco e flecha, e a fecha está apontada para o coração dela. E eles ficam em equilíbrio, com ela caindo mais para baixo porque ela é mais leve, então o corpo dela tem que pender mais para o chão para conseguir esse equilíbrio, e eles ficam em equilíbrio, e se eles perdem esse equilíbrio, vai ser mortal para ela. Então, daí que parte o filme: essa ideia de que se uma relação não encontra esse equilíbrio, qualquer momentinho pode ferir mortalmente. A gente partiu disso e de que essa divisão não é equânime - que também está na obra da Marina -, que essa divisão não está 50%, você tem que encontrar um caminho entre os corpos.

Uma coisa que eu acho interessante no seu filme é uma visão do artista talvez um pouco diferente do que a gente costuma ver, que não é a arte como produto de uma inspiração divina. Você tem até a questão do crítico presente na sua obra, e tem a questão da arte como um trabalho, como um ofício profissional em que você busca trabalhar aquilo. Como foi desenvolver isso para você como artista também?

Eu e Matias chegamos à conclusão de que a maioria dos filmes que a gente via a gente não reconhecia o processo criativo de um artista nesses filmes.

E o processo criativo nunca é divino.  Ele é realmente um trabalho árduo e duro – para alguns mais do que para outros –, mas realmente a obra é fruto de um processo de pensamento, de estudo e de pesquisa muito grande. Então, a gente queria construir justamente essa ideia do cotidiano do artista como sendo algo árduo, um trabalho que demanda tempo de pensamento e de pesquisa.

Ao mesmo tempo em que tem a criação artística, até porque está em um ambiente único e com um casal, há também a questão da vida privada, e o sexo é um elemento importante também na história. Como é que foi isso para você?

Era justamente isso: essa ideia de que as relações se interferem. O processo criativo interfere na relação. Então, a ideia de fazer um ateliê-casa era, por um lado, para criar claustrofobia da relação, e, por outro, para criar essa ideia de que é muito visível que o processo criativo está influenciando a relação e a relação está influenciando o processo criativo de ambos os personagens. Então, a gente queria fazer essas passagens o tempo todo. E aí o sexo da vida privada entra por um lado para influenciar o processo criativo e ser influenciado por ele. Agora, ao mesmo tempo, o sexo está ali como um reflexo da relação. A relação vai se modificando e o sexo vai se modificando junto com a relação.

O filme recebeu a classificação etária de 18 anos, o que me parece algo exagerado. Como você vê esse momento hoje da sociedade em que o brasileiro parece ter um pouco de problema de lidar com o sexo?

Eu acho que o brasileiro, na sua média, é conservador. A população brasileira, na sua média, é conservadora. Mas, tradicionalmente, a faixa etária não era essa. Ela está sendo agora por um reflexo do que está acontecendo politicamente no país. Eu acho que é assustador quando o evangelismo entra na política. É muito grave isso, e é muito grave que um terço dos congressistas sejam evangélicos – não em sua vida pessoal, isso tudo bem, obviamente, mas quando eles resolvem evangelizar a própria política e fazer lei em nome do evangélico –, então eu acho que os 18 anos é reflexo do que está acontecendo no Brasil, que é gravíssimo. 

Como é apresentar uma obra de afeto justamente nesse momento em que o conservadorismo cresce?

É estranho. Soa não próprio, porque de alguma maneira a gente precisa estar gritando nesse momento. A gente precisa estar fazendo política mais evidente, então estar falando de afeto soa meio desconectado com o tempo. Mas, ao mesmo tempo, o afeto é absolutamente necessário inclusive para criar essa amálgama de novo da sociedade. A gente precisa do afeto para reconstruir a sociedade. E, justamente, a gente só vai conseguir segurar esse evangelismo com afeto. Então, por um lado, não deixa de ser político trazer o afeto nesse momento para dentro da cena.

O seu filme foi premiado em Berlim. Em Berlim também a gente teve o Vazante, o Joaquim, a gente teve um filme em Cannes, em Veneza. A gente vive um momento particular bom do cinema nacional, mas, ao mesmo tempo, a gente vê um obscurantismo. No futuro, a gente não sabe qual vai ser a condição da lei do audiovisual. Como você vê hoje em dia o debate sobre incentivo no cinema?

O cinema demora para acontecer, então ele demora para sentir a crise. A gente, de fato, vai sentir a crise no ano que vem, porque existe pelo menos dois ou três anos de maturação dos filmes. Especificamente no cinema, é muito triste porque é um momento em que a gente estava no ápice. Foram 12 filmes em Berlim, 15 em Roterdã, Cannes, enfim. A gente estava realmente em um momento da cinematografia porque tinha tido uma política pública investindo, a gente estava com a cinematografia em ápice. E aí, de repente, fica muito evidente que isso vai deixar de acontecer agora. Isso por um lado me preocupa muito, mas, por outro lado, isso que vem acontecendo é tão grave que não dá para a gente também ficar na nossa bolha audiovisual e ficar reclamando da lei do audiovisual diante das leis trabalhistas estarem sendo quebradas, entende? Então, a gente, como cineastas, tem que pensar um pouco o quanto a gente tem que lutar pelo cinema, porque a gente acredita que o cinema é uma potência de pensar o mundo e a sociedade, e o quanto a gente tem que falar da sociedade um pouco. Eu acho que a gente tem que pensar um pouco com calma o quanto a gente vai lutar aí pela lei do audiovisual, pelo FSA (Fundo Setorial do Audiovisual), no momento que a gente está vivendo que é tão grave.

Você falou que já estava começando a pensar Pendular na época do Histórias. Agora, você já tem alguma coisa em trabalho?

Tenho um argumento ainda, não é um roteiro, mas é um argumento que se chama no momento Regra 34 e é sobre uma menina que tem muito tesão sexual e não sabe muito como lidar com isso, e aí resolve entrar na pornografia para lidar com o próprio tesão dela. Ao longo do processo do filme ela descobre que a pornografia não a satisfaz mais, e que justamente o que ela precisa é se colocar no mundo em risco. E ela acaba se colocando em um lugar que ela provavelmente será agredida sexualmente. Então, é um filme que está querendo pensar o limite do tesão e do risco.

Para terminar, eu queria que você falasse um pouco sobre essa exposição de Pendular que vai ter no Museu de Arte Moderna do Rio.

A gente batalhou muito para que isso acontecesse e foi muito bom, porque o filme vai se completar lá no MAM. A gente criou performances ao longo do processo do filme, criou muitas esculturas, então eu acho que ali no MAM a gente vai conseguir ter as esculturas nas suas potências, as performances nas suas potências e o filme na sala de cinema. Então, tudo isso vai estar acontecendo junto.

O AdoroCinema viajou a convite da organização do evento.

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