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    "É o meu destino contar histórias de mulheres", afirma Martin Provost, diretor de O Reencontro, com Catherine Deneuve (Exclusivo)
    Por Bruno Carmelo — 27/07/2017 às 12:00
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    Conversamos com o cineasta sobre a história de duas mulheres opostas, unidas pelo passado.

    Nesta quinta-feira, chega aos cinemas o primeiro encontro cinematográfico entre duas das maiores atrizes francesas: Catherine Deneuve e Catherine Frot. Elas interpretam as personagens principais de O Reencontro, comédia dramática sobre uma parteira competente e séria que recebe a visita da antiga amante do seu pai. Apesar de resistir à presença indesejada, começa a oferecer ajuda, e elas descobrem uma na outra uma maneira diferente de viver a vida.

    A direção é de Martin Provost (acima, com as duas atrizes durante o Festival de Berlim) conhecido por outros retratos femininos como Séraphine e Violette. O AdoroCinema conversou com o cineasta sobre este projeto em exclusividade:


    O Reencontro pode ser visto como uma história de opostos que se equilibram?

    Martin Provost: Com certeza. Elas são um polo positivo e outro negativo: uma mulher é muito livre e alegre, interpretada por Catherine Deneuve, enquanto a outra é mais séria, e levou uma vida muito dura. Esta é interpretada por Catherine Frot. Elas transmitem algo uma a outra, até que a primeira aprenda a gravidade da existência, e a segunda descubra no amor uma forma de leveza.

    Por estas questões, o projeto também lembra uma fábula.

    Martin Provost: Sim, eu construí o roteiro como uma fábula. Mesmo assim, devo dizer que parti de uma história real, porque é algo que aconteceu comigo quando nasci. Eu quase morri, mas fui salvo pela doação de sangue de uma parteira. Depois imaginei esta fábula sobre dois polos que precisam se unir para criar uma ideia de renascimento.

    A chegada de Béatrice era indispensável para que Claire terminasse de fazer o luto do pai.

    Martin Provost: Você sabe, isso acontece com frequência. Quando prestamos atenção ao que acontece ao nosso redor, sempre existe alguma mão estendida, alguma possibilidade de fazer as pazes com o passado. É o passado que nos impede de evoluir. Quando olhamos para o ele com leveza, pode existir o sentimento de perdão.



    O Reencontro, assim como Violette e Séraphine, são retratos de mulheres. O que o leva a investigar a intimidade feminina?

    Martin Provost: Essa é uma dúvida que eu também tenho. É engraçado porque, se eu fizesse filmes com homens, ninguém faria essa pergunta. Ainda existe um longo caminho rumo à igualdade. Mas sei que tem relação com o fato de eu ter sido criado por minha mãe, minha irmã e minha avó. Os homens para mim tiveram um papel menor: meu pai foi um tipo frio, distante. Quase não tive contato com ele. Não tenho muito interesse por ele, para ser sincero.

    Ao mesmo tempo, sempre adorei as mulheres e fui fagocitado por elas. Adoro a psique feminina. Além disso, acredito ter o dom para estas histórias. Ainda não encontrei um personagem masculino que me interessasse o suficiente para fazer um projeto sobre ele. Sei que somos poucos cineastas assim: além de Almodóvar, Fellini... Meu próximo filme, aliás, terá mulheres como protagonistas mais uma vez. É o meu destino.

    Como Catherine Deneuve e Catherine Frot embarcaram no projeto?

    Martin Provost: Eu escrevi o roteiro para elas. Tenho o costume de escrever pensando em atrizes particulares: Séraphine foi feito sob medida para Yolande Moreau, e Violette, para Emmanuelle Devos. O Reencontro foi escrito para Deneuve e Frot, e tive a sorte de as duas aceitarem a proposta na hora. Acredito que dá para perceber, quando se assiste ao filme, que as personagens foram construídas para o estilo específico de cada uma.

    Catherine Deneuve parece se divertir muito com o papel.

    Martin Provost: Claro, é uma personagem incrível! É raro uma atriz conseguir o papel de uma mulher egoísta, fútil e engraçada ao mesmo tempo. Ao mesmo tempo, tão humana... São muitas características reunidas. Acho sinceramente que nenhuma outra atriz poderia ter interpretado esse papel. Eu devo ter percebido nela algo escondido. Catherine sempre disse que a personagem não tem nada a ver com ela, mas eu discordo, acho que existe muito de Beátrice em Catherine.



    Como foi o trabalho em cena com duas atrizes tão experientes?

    Martin Provost: Nós fizemos leituras antes da filmagem, e passamos muito tempo juntos. Depois fiz leituras com cada uma separadamente, e elas me disseram o que achavam de cada diálogo, onde funcionava e onde precisava de ajustes. Trabalhamos muito antes, mas na hora da filmagem, o roteiro já estava bem fechado, sem espaço para modificações. O único aspecto que não dava para prever eram as cenas de parto. Eram nascimentos reais, então era impossível saber o que ia acontecer! Ah, e os jogos de cartas clandestinos, com Deneuve, foram treinados com jogadores reais de Marsellaise.

    Os partos devem ter sido uma parte bastante difícil da filmagem.

    Martin Provost: Eles exigiram uma preparação imensa. Não é possível filmar com bebês de menos de 3 meses na França, é proibido por lei. Mesmo assim, eu queria que o filme começasse com a cena de um nascimento real. No cinema, geralmente vemos bebês falsos, grandes demais ou em látex. É ridículo. Eu queria que fosse real, porque a profissão de parteira é confrontada à realidade o tempo inteiro.

    Por isso, filmamos na Bélgica. Encontrei mães que tinham acabado de descobrir a gravidez, e pedi a autorização para filmar. Fiquei surpreso ao receber várias candidatas à filmagem. Na hora do parto, é claro, fiquei apreensivo, porque não sabia se daria certo. Mas consegui filmar seis partos reais. Foi formidável.

    No que diz respeito à direção, você opta por uma estética simples, naturalista.

    Martin Provost: Ah, sim, foi o caso deste filme, pelo menos. Em Séraphine, que era uma história de época, existia uma direção muito mais trabalhada. Como esta é uma trama dos nossos dias, preferi uma imagem neutra, simples. Conversei muito com o meu diretor de fotografia sobre isso. A ideia era ter uma direção quase invisível.

    As duas exceções foram os momentos na natureza, quando a luz é mais bonita, ou quando Claire tem um homem nos seus braços. Neste caso, a luz era inspirada em Gritos e Sussurros, do Bergman. Mas no resto, eu queria que fosse simples como a vida, com uma câmera na mão, acompanhando os personagens. Algo rotineiro.

    Em português, é impossível manter a ambiguidade do título original [em francês, "Sage Femme" significa tanto "parteira" quanto "mulher sábia"]. Nossa tradução foi O Reencontro.

    Martin Provost: Ah, é verdade? Curioso. É um bom título, faz sentido. Talvez eu tivesse preferido "O Não-Reencontro". Que tal?

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