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    Os Pobres Diabos: Diretor comprou um circo e vai licenciar filme para ser vendido por trupes de pequeno porte (Entrevista Exclusiva)
    Por Renato Hermsdorff — 8 de jul. de 2017 às 11:23
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    Conversamos com Rosemberg Cariry e a atriz Silvia Buarque, que define seu papel como raro em mais de 30 anos de carreira.

    Nessa semana, recebemos na redação do AdoroCinema o diretor Rosemberg Cariry e a atriz Silvia Buarque, que acabam de lançar Os Pobres Diabos nos cinemas. O filme narra as desventuras do Gran Circo Teatro Americano pelo sertão nordestino, onde montam um espetáculo (um auto sobre a crise no inferno, baseado na literatura de cordel) dentro do espetáculo.

    Eles explicam quem são os Pobres Diabos. “Somos todos”, brinca Silvia. À beira da falência, tentando sobreviver de uma arte não tão valorizada quanto em outros tempos, eles são “uns coitados”, resume a atriz.

    No longa, Silvia interpreta Creuza, uma “impostora”. “Não estava no meu leque de personagens fazer uma mulher que é uma nordestina, vulgar, com um shortinho jeans, sedutora”, confessa a atriz, que elogia a “ousadia” do cineasta na escolha. Ela admite que não chegou acertando, mas que o resultado é um “encontro” raro em seus mais de 30 anos de carreira.

    Divulgação
    Chico Diaz, Rosemberg e Silvia no set

    “O circo é um lugar de encontro de mundos”
    , opina Rosemberg, que escolheu um elenco de sotaques variados. Afinal, “o circo está sempre saindo de um lugar, para chegar em outro lugar”, ele resume. O diretor situa e amplia sua ideia: “Essa cultura, que nós chamamos de cultura do sertão, herda as principais vertentes culturais do ocidente”.

    Dentro dessa proposta, a produção do filme resolveu... comprar um circo – e contratar os trabalhadores, que atuam no longa. Ainda: o cineasta adianta que, passado o lançamento, pretende licenciar a obra, para que os circos de pequeno porte possam não só exibir o título, como comercializar a mídia (DVD). “Será uma forma de eu retribuir, para o filme circular e encontrar o coração do povo, que é para quem ele foi feito".

    A estreia comercial quatro anos depois de o filme ficar pronto (foi exibido no Festival de Brasília em 2013) diz muito sobre as dificuldades de lançamento de um longa no Brasil. Fato que torna irresistível devolver aos realizadores o questionamento que, ironicamente, a própria produção atira ao espectador: Pra que? Pra quem? Pra que público? “O filme pode ter a função do seu tempo imediato, de encontrar com o seu público. Mas um filme não é só isso. O filme também é um documento e testemunho de uma época”, crava Rosemberg Cariry.

    Confira os melhores momentos da entrevista no vídeo acima. Os Pobres Diabos já está em cartaz nos cinemas brasileiros.

     

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