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    Festival de Cannes 2017: O tom sombrio dos novos filmes de Michael Haneke e Yorgos Lanthimos
    Por Francisco Russo — 22 de mai. de 2017 às 19:47
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    Happy End e The Killing of a Sacred Deer, ambos integrantes da mostra competitiva.

    Se a programação do Festival de Cannes raramente permite que o espectador dê uma gargalhada, pela clara preferência por dramas em detrimento às comédias, fato é que, quando diretores do porte de Michael Haneke (foto) e Yorgos Lanthimos exibem seus novos filmes, a tendência é que o clima fique bem pesado. Afinal de contas, ambos são conhecidos justamente pelo lado cruel e sádico em seus trabalhos.

    Na edição deste ano, não foi diferente. O primeiro a ser apresentado aos jornalistas foi Happy End, primeiro trabalho de Haneke desde o premiado (em Cannes e no Oscar) Amor, lançado cinco anos atrás. Entretanto, por mais que trate de questões complexas em torno da incomunicabilidade e da morte, sempre em tom seco, trata-se de um Haneke menor, de certa forma parecido com seus filmes anteriores. Confira nossa crítica!

    Cena de "Happy End", de Michael Haneke

    Já Lanthimos coloca o dedo mais forte na ferida com The Killing of a Sacred Deer, seu primeiro filme desde o também premiado (em Cannes e indicado ao Oscar) O Lagosta. O filme acompanha o inusitado relacionamento entre um cardiologista, interpretado por Colin Farrell, com um jovem órfão de pai (Barry Keoghan). Devido à falta de atenção dada pelo médico, o garoto passa a ter um comportamento cada vez mais obsessivo ao planejar uma vingança para ele e sua familia. Nicole Kidman também está no elenco, assim como em outros dois filmes e uma série exibidos em Cannes neste ano.

    Estranho por natureza, graças ao modo como a história se desenvolve e também pela câmera empregada, que apresenta os personagens sempre com uma certa distância, The Killing of a Sacred Deer aos poucos caminha rumo ao sádico, causando um bom incômodo no espectador. Ao término da sessão, as reações foram divididas: enquanto alguns vaiavam, outras aplaudiam.

    Colin Farrel em "The Killing of a Sacred Deer", de Yorgos Lanthimos

    Happy End e The Killing of a Sacred Deer são dois exemplares de uma das safras mais equilibradas na mostra competitiva de Cannes nos últimos anos. Por outro lado, ainda não surgiu aquele filme arrebatador, que seja apontado com favorito absoluto à Palma de Ouro. Resta aguardar o que vem pela frente nos cinco dias finais do evento. O AdoroCinema está de olho ;-)

     


     


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