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    Ghost in the Shell pode dar prejuízo de US$ 60 milhões para estúdio e controvérsia na escalação de Scarlett Johansson é um dos motivos

    O embranquecimento da personagem The Major pode sair caro para a Paramount Pictures.

    A Vigilante do Amanhã: Ghost In The Shell tem a estrela de uma das maiores franquias de Hollywood como protagonista, é baseado numa cultuada obra que inspirou filmes bem sucedidos como Matrix e traz uma protagonista mulher num momento em que a pauta da representatividade feminina tem sido cada vez mais importante. O que poderia dar errado? Muita coisa, a começar pelo casting.

    A Paramount Pictures assumiu que a escalação de Scarlett Johansson no filme que adapta o anime O Fantasma do Futuro (1995) pode ter prejudicado o desempenho comercial do filme, de acordo com informações do site Deadline. Esse reconhecimento pode significar que outros grandes estúdios de Hollywood vão pensar duas vezes antes de escalar atores brancos para papéis de personagens que, originalmente, não são caucasianos, controvérsia que acompanhou A Vigilante do Amanhã desde que a atriz de Lucy e Os Vingadores foi contratada para o projeto.

    Inicialmente, a Paramount acreditava que o novo Ghost In The Shell, versão hollywoodiana da animação japonesa dirigida por Mamoru Oshii (e, por sua vez, baseada nos mangás de Masamune Shirow) poderia dar início a uma nova franquia de sucesso, mas o fiasco do filme nas bilheteria certamente sepulta tais ambições.

    De acordo com o Deadline, o estúdio deve arcar com um prejuízo de aproximadamente US$ 60 milhões por conta do projeto. O filme custou R$ 110 milhões para ser produzido. Some a esse montante os valores gastos com marketing e o orçamento total de Ghost in The Shell chega a US$ 250 milhões. As projeções mais otimistas feitas por analistas internos da Paramount apontam que o longa deve arrecar cerca de US$ 200 milhões nas bilheterias mundiais, deixando as contas do projeto no vermelho. A matéria do Deadline diz ainda que fontes ligadas ao estúdio afirmam ainda que o orçamento da produção, sem contar com gastos com publicidade, chegou a um valor ainda mais exorbitante, na casa dos US$ 180 milhões, o que diante das atuais projeções significa um prejuízo ainda maior para a companhia.

    Ainda segundo o Deadline, a Paramount acredita que a controvérsia envolvendo o chamado "embranquecimento" da personagem Major no remake live-action de Ghost in the Shell prejudicou a avaliação do filme entre a imprensa especializada, o que se refletiu nas bilheterias do longa.

    "Você tem um filme que é muito importante para os fãs uma vez que é baseado em um anime japonês. Então você está sempre tentando encontrar a medida exata entre honrar o material de origem e fazer um filme para uma audiência de massa. Isso é um desafio, mas é evidente que os comentários não ajudaram", comentou Kyle Davies, chefe de distribuição da Paramount em entrevista ao site ComicBook.

    A controvérsia do embranquecimento teria sido evitada se o estúdio tivesse contratado uma atriz oriental menos conhecida para o papel principal e investido em nomes famosos para o elenco de apoio. O Deadline elenca alguns filmes com atores multi-culturais e não tão conhecidos que se saíram bem nas bilheterias recentemente: Velozes & Furiosos 7, Star Wars - O Despertar da Força e Rogue One - Uma História Star Wars. Entretanto, vale lembrar que esses filmes representam franquias mais fortes e mais conhecidas que os atores em si, o que não foi o caso em A Vigilante do Amanhã: Ghost In The Shell.

    Outros executivos revelaram ao Deadline que o estúdio não deveria ter investido tanto dinheiro num projeto tão arriscado. "Essa quantidade de dinheiro você gasta em uma sequência, não em uma obra obscura que apenas alguns fãs conhecem", disse uma fonte que não foi identificada. Descrito como "guru do marketing" da Paramount, outra fonte argumentou que o estúdio não soube promover o filme e a campanha de marketing não teve o mesmo apelo de Lucy, outro filme de ação estrelado por ScarJo.

    A matéria ainda avalia que o fato da Major ser uma ciborgue dificultou a transmissão de emoção da personagem através dos trailers e que parte do público não chegou nem a reconhecer Johansson com o cabelo escuro.

     

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