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    Almodóvar minimiza controvérsia envolvendo cena de estupro em Último Tango em Paris: "Sem importância"
    Por João Vitor Figueira — 12 de dez. de 2016 às 15:26
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    Diretor espanhol defendeu o cineasta italiano Bernardo Bertolucci.

    Pedro Álmodóvar saiu em defesa do diretor italiano Bernardo Bertolucci, alvo de críticas por ter conspirado ao lado do ator Marlon Brando para humilhar a atriz Maria Schneider durante uma cena de estupro do polêmico drama erótico Último Tango em Paris (1972).

    Há alguns dias, uma entrevista concedida por Bertolucci em 2013 ganhou as manchetes após o cineasta comentar os bastidores da gravação da controversa cena em que o personagem de Brando estupra a personagem de Schneider. Na cena, o ator passa manteiga em partes íntimas da atriz. À época de seu lançamento, o filme foi censurado em diversos países do mundo por conta de trechos como o citado.

    MGM
    Maria Schneider e Marlon Brando em cena de Último Tango Em Paris.
    "A sequência da manteiga foi uma ideia que tive com Marlon na manhã da gravação, mas agi de maneira terrível com Maria, pois não a deixei a par do que aconteceria. Queria sua reação como menina, não como atriz. Queria sua reação àquela humilhação, seus gritos 'não, não!'. Ela ficou com ódio de mim e de Marlon porque não contamos do detalhe do uso da manteiga como lubrificante", disse o diretor italiano na ocasião na entrevista de 2013

    O fato gerou uma onda de manifestações contrárias ao diretor vindas de redes sociais e reforçada por nomes de peso de Hollywood. Entretanto, Almodóvar acha que a discórdia causada pela repercussão das falas de Bertolucci se deu por conta do que ele chamou de "sensacionalismo" da imprensa.

    Durante uma conversa com jornalistas em Breslávia, na Polônia, onde foi realizada a cerimônia dos Prémios do Cinema Europeu, o espanhol disse que o que pesa contra Bertolucci "são acusações que tanto tempo depois já não têm importância". 

    O diretor responsável por clássicos vencedores do Oscar como Fale Com Ela e Tudo Sobre Minha Mãe, disse que nunca faria um ator fazer algo que ele não quer em um de seus filmes ("Eu nunca colocaria um intérprete em risco, nem psíquico nem físico"), mas afirmou acreditar que o roteiro de Último Tango em Paris "era bem conhecido e estava pactuado". 

    MGM
    Marlon Brando e Bernardo Bertolucci durante as filmagens de Último Tango Em Paris.
    A fala de Álmodovar demonstra que o diretor desconhece ou descredita o depoimento de Maria Schneider, morta em 2011, vitimada por um câncer. "A cena não estava no roteiro. Devia ter ligado para meu agente ou meu advogado, pois não é correto que alguém te obrigue a fazer algo que não está no script, mas na época eu não sabia disso. Marlon me disse: 'Não se preocupe, é só um filme', mas, ainda que ele estivesse atuando, eu estava chorando lágrimas de verdade. Me senti humilhada e um pouco estuprada por Marlon e Bertolucci. Quando acabou ele não me consolou ou pediu desculpas. Felizmente foi apenas um take", disse Schneider — que teve depressão, se viciou em drogas e tentou suicídio depois do trauma — em entrevista ao site Daily Mail em 2007.

    Após a repercussão negativa do caso, Bertolucci divulgou um comunicado à imprensa alegando que a única coisa que ele e Brando esconderam de Schneider foi o uso da manteiga na famigerada cena. "Anos atrás, na Cinemateca Francesa, alguém me pediu detalhes da famosa cena da manteiga. Os especifiquei, mas talvez não tenha ficado claro que decidi, junto com Marlon Brando, não informar Maria do uso da manteiga. Queríamos sua reação espontânea àquela opção incomum. Estão dizendo que Maria não foi informada sobre a violência e isso é falso! Maria sabia de tudo, pois leu o roteiro. Tudo estava lá, com exceção da ideia da manteiga."

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