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    Mostra de São Paulo 2016: Diretor fala sobre como foi trabalhar com Anton Yelchin em um de seus últimos filmes
    Por Lucas Salgado — 28 de out. de 2016 às 13:30
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    Conversamos com o diretor Gabe Klinger, de Porto, destaque na Mostra de São Paulo.

    Destaque na Mostra de São Paulo 2016, Porto conta a história de um casal que se conhece numa cidade estrangeira e vive um romance intenso e imediato, no melhor estilo Antes do Amanhecer. O AdoroCinema conferiu o filme durante o evento e pôde conversar com o jovem diretor Gabe Klinger. Nascido no Brasil, mas criado nos Estados Unidos, ele admitiu a influência do filme de Richard Linklater e falou sobre como foi trabalhar com Anton Yelchin, protagonista da produção que faleceu no último mês de junho.

    "Nasci em São Paulo. Meus pais e avós são brasileiros. Meu pai trabalhou em propaganda a vida inteira. Numa certa altura da sua carreira foi trabalhar nos Estados Unidos, em Chicago, e nos levou para lá. Depois moramos também em Barcelona. Lembro que cada vez que mudamos me sentia muito solitário. Precisava fazer novos amigos e aprender novos idiomas. Então comecei a ver muito cinema, ir ao cinema... Sozinho. Fiz amizade com o cinema. Foi ai que nasceu o amor pelo cinema", falou Gabe sobre sua origem.


    Ele fez sua estreia nos cinemas com o documentário Double Play, sobre Richard Linklater. A referência a trilogia Antes do Amanhecer, assim, é óbvia. "Acho que o primeiro filme me influenciou muito. Tem um certo romanticismo puro. Hoje em dia, o Jesse e Celine iam se adicionar no Facebook e mandar fotos durante um ano antes do seu próximo encontro. A realidade do Antes do Amanhecer já não existe. No mundo dos meios sociais, já não pode existir este tipo de filme. Então acho muito interessante neste sentido o filme do Linklater, porque parece o último de uma certa linha que começa com os filmes do Borzage e Murnau... e passa pelo David Lean, o Leo McCarey, e muitos outros", explicou.

    Sobre o trabalho com Yelchin, o diretor destacou que tem sido um processo estranho e triste lançar o filme sem ele. "Ele era muito cinéfilo, então conversávamos muito sobre influências cinematográficas. Assistíamos muitos filmes da época do cinema mudo, porque ele gostava e eu gosto muito dos atores expressionistas de Hollywood: Lon Cheney, Sr., Valentino, Fairbanks, Peter Lorre... muitos outros. Também víamos filmes com o Jean-Pierre Leaud e o Robert de Niro (no inicio da sua carreira). Conversamos sobre o personagem dele durante quase dois anos. No final do processo, não era só o meu colaborador, era um dos meus melhores amigos. Escrevemos um roteiro juntos que ainda estou pensando em produzir", lembrou Gabe.

    Além de Linklater, o diretor tem uma boa relação com outro ícone do cinema independente americano: Jim Jarmusch, que é produtor de Porto. "Trabalhar com o Jim foi um grande luxo. No nosso caso foi preciso ter alguém como ele para abrir certas portas. Ele foi o primeiro que me falou que eu tinha que realizar o projeto, ele meu deu a confiança que eu precisava para continuar. Ele me apresentou a várias pessoas e leu várias versões do roteiro... sempre muito fiel, muito ativo, muito inspirador", disse.


    Além do roteiro escrito com Yelchin, Gabe destacou que possui mais dois projetos de ficção, além de um documentário. Ele destacou: "Gostaria de filmar o primeiro no inverno do ano que vem. Cansei de fazer filmes sobre dois personagens. O próximo será um grande 'ensemble' (como falam em inglês). Um filme com muitos personagens, vários pequenos papéis... Gostei muito de trabalhar com atores no Porto, aprendi muito e gostaria de continuar e ter experiências com uma ampla variedade de atores... Mas também não quero deixar para trás os documentários."

    O AdoroCinema viajou a convite da organização do evento.
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