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    Festival de Brasília 2016: O Último Trago e A Cidade Onde Envelheço entram na briga por prêmios
    Por Francisco Russo — 24 de set. de 2016 às 17:10
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    Os dois filmes foram exibidos nesta sexta, em um Cine Brasília abarrotado!

    Por mais que o Cine Brasília sempre tenha um bom público presente - e bastante engajado, é bom frisar -, chamou a atenção a verdadeira invasão ocorrida nas sessões noturnas desta sexta-feira, 23 de setembro. Não havia um único lugar vago para assistir O Último Trago e A Cidade Onde Envelheço, ambos candidatos aos troféus Candango - e com boas chances de levar alguns prêmios para casa.


    O Último Trago

    Estreante no Festival de Brasília, o grupo Alumbramento trouxe um longa-metragem bastante fiel aos seus ideais de experimentação no cinema. Dividido em três atos bem diferentes entre si, especialmente no âmbito estético-narrativo, o longa traz a história de várias mulheres que, graças a forças ocultas, apresentam uma certa correlação - detalhe para o "certa", pois, como de hábito nos filmes da Alumbramento, há muitas perguntas sem resposta.

    Em meio a um certo hermetismo, é no segundo ato que o longa funciona melhor. É também neste trecho que os diretores Luiz PrettiPedro DiógenesRicardo Pretti (Os Monstros) não apenas melhor desenvolvem a história, como demonstram qualidades na construção de cenas - especialmente as situadas no bar, que contam com uma iluminação belíssima, que remete à luz teatral. Brilha também Larissa Siqueira, pela desenvoltura e carisma nas cenas em que interage com os clientes. Não seria nenhuma surpresa se ela, ou o trio de diretores, saísse de Brasília com um Candango na bagagem.


    A Cidade Onde Envelheço

    Coprodução entre Brasil e Portugal, o novo trabalho da diretora Marília Rocha (A Falta que Me Faz) é um delicado estudo sobre a posição do emigrante. A história acompanha duas portuguesas que moram em Belo Horizonte, uma recem-chegada e outra que vive na cidade há quase um ano. Bastante diferentes na personalidade, ja que uma é mais independente/solitária e a outra é espevitada/farrista, elas aos poucos encontram uma dinâmica de convívio onde precisam também lidar com a saudade da terrinha.

    O grande atrativo de A Cidade Onde Envelheço é justamente o roteiro, escrito pela própria diretora em parceria com Thais Fujinaga e João Dumans. Através de diálogos espirituosos e envolventes, o texto transmite uma naturalidade refletida também nas duas protagonistas, Francisca Manuel e Elizabete Francisca Santos. Ao mesmo tempo em que é um filme solar, pelas descobertas decorrentes da vida em um novo país, há também uma carga de melancolia decorrente dos que deixou para trás.

    Bastante aplaudido pelo público ao término da sessão, A Cidade Onde Envelheço já é um dos principais candidatos aos prêmios principais da competição, especialmente nas categorias de roteiro e atriz.

    *O AdoroCinema viajou a convite do Festival de Brasília.
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