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    Festival de Toronto 2016: Diretor do novo Sete Homens e um Destino, Antoine Fuqua faz provocação sobre a questão racial
    Por Renato Hermsdorff — 8 de set. de 2016 às 20:50
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    “Um filme é o reflexo do seu tempo”.

    AP Photo/The Canadian Press, Hannah Yoon
    Denzel [Washington] entra em uma sala, e a sala para. Ethan Hawke entra em uma sala, e a sala para. É porque ele interpreta um pistoleiro ou se trada da cor da pele? Isso a gente deixa para a audiência responder”.

    Assim, o diretor da nova versão de Sete Homens e um Destino, Antoine Fuqua, provocou a plateia de jornalistas na coletiva de imprensa do Festival de Toronto (TIFF), ao ser questionado sobre a “complexidade racial” do filme, que abre oficialmente a mostra canadense na noite desta quinta-feira. “Nós só queremos fazer um bom filme. Não se trata de uma afirmação. Nós não falamos sobre isso porque vocês falam”.

    De fato, “diversidade” é assunto que, não só está cada vez mais presente na pauta das reuniões dos executivos de Hollywood, como é um fator importante nessa releitura do filme de 1960 (por sua vez, um remake do japonês Os Sete Samurais). Entre os sete do título, os caucasianos perdem em número, já que o longa é protagonizado por um negro (Denzel), com a ajuda de um oriental (Byung-Hun Lee), um descendente de indígenas (Martin Sensmeier) e um latino (Manuel Garcia-Rulfo, no papel que seria de Wagner Moura).

    Kevin Winter/Getty Images North America
    Geral.

    Um filme é o reflexo do seu tempo.

    Um filme é o reflexo do seu tempo. [Esse filme] É diferente porque vivemos numa época diferente”, continua o diretor, que costumava assistir ao original de Akira Kurosawa aos 12 anos, com a avó. “Até os personagens de John Wayne foram ficando mais sombrios depois da Guerra do Vietnã”, ele exemplifica.

    Única mulher da trupe – é a sua personagem, Emma Cullen, a responsável por contratar os sete –, a atriz Haley Bennett, de 28 anos, endossou o coro da diversidade: “Como uma jovem garota, eu não via os filmes de faroeste porque não há nenhuma heroína feminina”. “Nesse tipo de filme, normalmente a mulher está na cozinha. E foi ótimo poder sujar minhas mãos, pegar em armas, atirar de verdade”.

    Além da memória afetiva, Antoine Fuqua resolveu investir no western porque “A história é atemporal e o elenco, diversificado”. Não que ele não tenha tido receio de fracassar com o projeto, mas afirmou que “o medo desapareceu quando o elenco topou”. “E ambos os filmes [de 1960 e 2016] são filmes de personagem”, acredita. Na verdade, a primeira resposta do cineasta para a pergunta “por que retomar o gênero é relevante?” foi: “Porque eu queria ver o Denzel montado num cavalo”, brincou.

    Os Trapalhões.

    Kevin Winter/Getty Images North America
    Pratt, Denzel e Fuqua
    Aliás, não foram poucas as piadas trocadas entre o elenco, como é comum nesse tipo de divulgação. Quando um jornalista mexicano perguntou para a mesa “como foi trabalhar com Manuel Garcia-Rulfo?”, Ethan Hawke não titubeou: “Terrível. Se a gente tem motivos para reclamar de alguém aqui, é desse cara”. “Você fala inglês?”, emendou Vincent D'Onofrio.

    Byung-Hun Lee, que contracena com Hawke a maior parte do tempo, contou que levou a esposa ao set e que, “Em dez anos de casado, nunca vi minha mulher tão feliz”. Tudo porque, ao que tudo indica, a senhora Lee é a maior fã do ator de Antes do Amanhecer. “Então eu o amo tanto quanto o odeio”, concluiu sobre o colega.

    Chris Pratt, como não poderia deixar de ser, também teve seu momento: citou Frozen como referência para o papel.

    Sete Homens e um Destino estreia no Brasil em 22 de setembro.

     

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