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    Helena Ignez e Neville D'Almeida debatem cinema marginal no Festival Guarnicê 2016: "Ser marginal era realmente ser herói"
    Por João Vitor Figueira — 10/06/2016 às 08:00
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    "Não sou maldito, sou bem aventurado", afirmou o diretor de A Dama do Lotação. O cineasta também classificou a Lei Rouanet como "a morte do artista". Ignez destacou que as ideias de esquerda são uma característica indissociável da vertente artística.

    João Vitor Figueira / AdoroCinema

    A diretora e atriz Helena Ignez e o diretor Neville D'Almeida debateram o cinema marginal, vertente do cinema brasileiro da qual são ícones na tarde da última quinta-feira (09). A conversa, aberta ao público, fez parte do 39º Festival Guarnicê de Cinema e foi realizada na na Casa do Maranhão, no Centro Histórico de São Luís.

    O estigma marginal

    Ignez em Copacabana Mon Amour (1970).

    "Quando eu penso em cinema marginal eu penso no nome marginal", disse Ignez, abrindo o bate papo com público. "É um orgulho ser do cinema marginal. Graças a Deus fomos marginais. Ao mesmo tempo, esse cinema marginal era como uma pecha, jogada pela direita, que impedia a gente de ter acesso a melhores produções. Ser marginal era realmente ser herói", afirmou a realizadora, citando Hélio Oiticia. A diretora compete na mostra principal do Festival Guarnicê deste ano com seu mais recente longa-metragem, Ralé.

    A cineasta, que é viúva do relevante diretor Rogério Sganzerla, fez questão de situar politicamente a vertente artística que representou tão bem em suas colaborações o marido em filmes definidores como Copacabana Mon Amour, A Mulher de Todos e O Bandido da Luz Vermelha. "É um cinema que se afirma na esquerda, no pensamento de esquerda", disse, pontuando que prioriza retratar as minorias nos filmes que realiza desde que estreou na função em Canção de Baal.

    Neville pontuou que, por não contar com o apoio da elite artística, o cinema marginal muitas vezes foi tomado como um cinema maldito. Ele também falou sobre o sofrimento de ter sido censurado reiteradas vezes durante os anos de chumbo da ditadura militar. Por causa disso, pelo menos cinco dos filmes que Neville realizou nunca foram exibidos. Apesar de todas as dificuldades que essa geração enfrentou, o diretor, homenageado do ano Festival Guarnicê, rechaçou o estigma e afirmou, orgulhoso: "Não sou maldito, sou bem-aventurado".

    O afeto entre os colaboradores no fazer cinematográfico

    Um dos temas mais centrais e recorrentes na conversa foi o valor da amizade entre cineastas, produtores e demais envolvidos na produção de um projeto cinematográfico. "É muito importante a amizade entre artistas. Isso torna o filme melhor", pontuou Neville, que também ressaltou que o estilo de produção dos filmes marginais era marcado por uma troca e um afeto muito grande entre os envolvidos. "Arte serve para nos amarmos."

    As canções

    Sônia Braga em A Dama da Lotação. Filme é dono da quarta maior bilheteria da história do cinema brasileiro, levando mais de seis milhões de pessoas às salas de projeção.

    Instigado por uma pergunta de uma jovem fã, Neville D'Almeida, que fez o uso da palavra na maior parte do tempo, falou sobre as parcerias com cantores e compositores que assinaram temas de alguns de seus filmes mais memoráveis. 

    A joia da coroa da filmografia do cineasta é A Dama da Lotação, trabalho mais famoso do diretor. Além da sensualidade sem pudores de Sônia Braga, que vive uma esposa frígida que descobre o prazer do sexo com desconhecidos, o filme é marcado pela canção-tema "Pecado Original", de Caetano Veloso

    Neville afirmou que a parceria com Caetano não surgiu "pela amizade, foi pelo talento". "Eu achava que o Caetano poderia entender aquela mulher. Era uma sociedade muito machista em que se condenava muito a mulher. Então era necessário ter uma sensibilidade como a dele".

    Ele recordou que já trabalhou com outros cantores e compositores famoso como Jorge Ben (em Rio Babilônia), Lobão (em Matou a Família e Foi ao Cinema) e com a dupla Erasmo Carlos e Roberto Carlos (em Os Sete Gatinhos). "Eles fizeram um trabalho genial, principalmente o Erasmo. Eu raramente via o Roberto e assim foi melhor ainda. Quanto menos eu via o Roberto, melhor", alfinetou.

    Ele disse que a canção "Os Sete Gatinhos", quando finalizada e encaixada no filme, lhe deixou muito emocionado. "O Erasmo chorou e eu também chorei!", contou, ressaltando que sempre prefere quando "o trabalho é feito por pessoas que se amam, por pessoas que se envolvem". Neville ainda revelou que gostaria de ter contado com uma composição de Tom Jobim na trilha sonora de um de seus filmes, mas deu a entender que o músico morreu antes do convite ser feito.

    Sem Rouanet

    O cineasta também criticou fortemente ferramentas como a Lei de Incentivo a Cultura, que dá incentivos fiscais para empresas que financiam projetos artísticos, deixando na mão dessas empresas a curadoria para decidir quais tipo de produções serão beneficiadas. "Eu criei o projeto 'Neville Sem Lei'. Sem lei de incentivo", disse o diretor enquanto comentava a produção de A Frente Fria Que a Chuva Traz. Para Neville, a Lei Rouanet é "a morte do artista".

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