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    Cine PE 2016: Curtas-metragens se destacam no primeiro dia, incluindo filme de Walter Carvalho
    Por Renato Hermsdorff — 03/05/2016 às 16:23
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    Jonas Bloch recebe homenagem das mãos da filha, Debora Bloch, que apareceu de surpresa.

    Daniela Nader
    Um festival de cinema não se faz só com filmes. Mas com aporte financeiro também. Por isso, não deixa de surpreender que a abertura da 20ª edição do Cine PE, na noite dessa segunda-feira, 2 de maio, no Cine São Luiz, tenha sido tão enxuta - ainda mais considerando a efeméride das duas décadas de existência. Assim, a noite foi iniciada com um breve videoclipe dos patrocinadores, e seguiu praticamente sem discursos – poupando o público do enfado característico do tipo de evento.

    Divulgação
    Cena de "Paulo Brusky"
    A emoção se deu quando o homenageado, o ator Jonas Bloch, com mais de quarenta longas-metragens no currículo – incluindo aí o ainda inédito Vidas Partidas, que terá sua primeira exibição, fora de competição, no festival –, recebeu o troféu das mãos da própria filha. A atriz Debora Bloch apareceu sem avisar e agradeceu a educação recebida do pai, sobretudo a noção de que “a liberdade é o maior valor, o que só é possível com democracia".

    Dá-lhe curtas.

    Pelas mostras competitivas de curtas-metragens (local e nacional), o que se viu foi um resgate de importantes – e não tão conhecidas – figuras do meio artístico. Primeiro, com uma produção pernambucana Não Tem Só Mandacaru, de Tauana Uchôa, um simpático documentário (cujo título é autoexplicativo) que tem como foco o destaque que a poesia mantem no pequeno munícipio de São José do Egito. O registro é um olhar jovem, que recupera o trabalho do poeta Lourival Batista, o Louro do Pajeú, um sujeito (semi)analfabeto, de tiradas tão sarcásticas quanto inteligentes, para quebrar paradigmas a respeito do sertão. O filme foi fortemente aplaudido.

    Daniela Nader
    Carvalho e Bruscky.
    Depois, foi a vez do polivalente Walter Carvalho prestar sua homenagem. Ele realizou um documentário poético, nada convencional, de 26 minutos, sobre o artista plástico Paulo Bruscky. “Paulo Bruscky “ é um segmento de uma série que se pretende levar à TV e cinema sobre artistas locais, comandados por Carvalho, Beto Brant e Claudio Assis (a cada um cabe o registro de um artista), sendo este último responsável pela direção geral.

    “[O filme] Começa de maneira estranha, áspera, crespa. Não estranhem, que vai melhorando”, brincou Walter, que está na cidade para gravar Justiça, nova série de José Luiz Villamarim para a TV Globo, ao apresentar a produção. E ele tem razão. As primeiras imagens, justapostas, de Bruscky no mesmo plano, com o áudio fora de sincronia, incomodam. Mas evoluem para uma linguagem poética e tocante, que não tem a pretensão de se anunciar como tal.

    Muito circo, pouco espetáculo.

    Daniela Nader
    A equipe de Por Trás do Céu, com o diretor ao centro (microfone).

    A noite seguiu com a exibição do primeiro longa em competitiva, a ficção Por Trás do Céu, dirigida pelo artista plástico Caio Sóh, de São Paulo, com um elenco global que inclui Nathalia Dill, Emílio Orciollo (também produtor), Paula Burlamaqui e Renato Góes – todos presentes para a exibição.

    Divulgação
    Still do filme.
    De quebra, o que se viu foi a confirmação da tendência “lúdica” anunciada pela curadoria. Tendo um sertão fictício como cenário, a produção narra a tragédia de Aparecida (Dill), uma garota sonhadora (no limite da infantilização), que tem a sua vida alterada depois de uma tragédia, mas que, mesmo assim, não perde a capacidade de “sonhar”. Superestilizado na linguagem (misture muitos panos, sucatas, cumbucas e uma tartaruga alada com papel alumínio), o filme despertou a simpatia da plateia nos momentos mais cômicos, sobretudo as aparições capitaneadas por Micuim (Renato Góes), uma espécie de saltimbanco falastrão e carismático. Com um roteiro fraco e irregular, no entanto, o resultado final é muito circo, para pouco espetáculo.

    Divulgação
    Um pouco do visual.

    Pernambucanas:

    > O cineasta pernambucano Kleber Mendonça não estava presente, mas recebeu uma vigorosa salva de palmas pela vaga conquistada na mostra competitiva da próxima edição do Festival de Cannes, com Aquarius.

    >
    Walter Carvalho pisou no palco do Cine São Luiz o chamando de “cinema catedral”. “Dá até vontade de rezar para os santos do cinema”, reverenciou o cineasta, que é natural da Paraíba.


    > Carvalho, aliás, que, em momentos distintos na conversa com a imprensa e o público, fez questão de reafirmar sua admiração por Claudio Assis, chamou o diretor pernambucano de “boneco de Vitalino”. Mas ele não se referia à aparência de Claudio (não só, pelo menos), e sim à “onipresença” e comprometimento profissional de Cláudio, “que brota da terra”.

    > Um trechinho da poesia de Louro do Pajeú, em Não Tem Só Mandacaru: “É muito triste ser pobre; / para mim é um mal perene…/ trocando o ‘p’ pelo ‘n’, / é muito alegre ser nobre;/ sendo ‘c’, é cobre / cobre, figurado, é ouro / botando o ‘t’, fica touro / como a carne e vendo a pele / o ‘t’, sem o traço, é ‘l’ / termino só sendo Louro!”

    *O AdoroCinema viajou a convite do Cine PE
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