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    Exclusivo: Diretor de De Onde Eu Te Vejo revela já ter pagado para assistirem a filme seu
    Por Renato Hermsdorff — 09/04/2016 às 07:53
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    Um papo sincero com o cineasta Luiz Villaça e a atriz Denise Fraga que, casados há mais de duas décadas, estão em cataz com novo longa.

    Andrea Testoni
    Qualquer semelhança com a realidade... é mera coincidência mesmo. De Onde Eu Te Vejo, projeto gestado há cinco anos pelo diretor Luiz Villaça e a atriz Denise Fraga, traz um casal de meia-idade que decide se separar, no mesmo momento em que a filha está de mudança para o interior, ingressando na faculdade. Não foi da própria experiência, portanto, que a dupla Fraga-Villaça, responsável por um dos casamentos mais longevos do meio artístico nacional –  com mais de 20 anos de união –, tirou a inspiração para fazer o filme que acaba de chegar aos cinemas brasileiros.
     
    Andrea Testoni
    Denise "vê".
    Essa história é zero autobiográfica, mas ela tem tudo a ver com a minha geração. Não existe mais o tabu da separação”, observa o cineasta, de 50 anos, autor também do roteiro – coescrito com Leonardo Moreira e Rafael Gomes. “Como detectar a hora de se separar? E como transformar isso numa relação [de amizade]?”, a atriz complementa, quase que num jogral –  embora a redação do AdoroCinema tenha conversado separadamente por telefone com os dois.

    Não é que Denise não tenha nada da sua Ana Lucia, que interpreta no longa: “ela é uma mulher que tem mania de querer novidades. E eu sou uma pessoa bastante inquieta”, confessa, complementando que, para ela, o mote do filme é (ou também pode ser): “a busca pela felicidade que vira quase um estresse, da pessoa louca para ser feliz”.

    Assim é Ana. Depois de duas décadas de casamento, a arquiteta decide que falta alguma coisa. Ou sobra. Ela, então, decide “descartar” o marido, Fábio (papel de Domingos Montagner) que, por uma questão prática, se muda para o apartamento em frente ao dela. O jornalista simplesmente acata a decisão, sem, no entanto, se “desgarrar”. E os dois tentam manter um relacionamento minimamente cordial.  

    Buchecha sem Claudinho.

    O conflito central, que tinha tudo para ser um dramalhão daqueles, nas mãos do casal resulta em um relato leve e, ao mesmo tempo, tocante, de um público – ou situação – que não costuma se ver representado na cinematografia brasileira. Como avião sem asa, fogueira sem brasa, futebol sem bola ou Piu-Piu sem Frajola (Luiz sem Denise?) é o drama sem comédia na história profissional desses dois.

    Alexandre Ermel
    Domingos e Denise em cena.
    “O Luiz tem uma coisa, que ele não sossega enquanto não aprofunda. Eu sabia que, nas mãos dele, essa comédia romântica não seria uma comédia romântica. O filme tem humor, mas também nos leva para outras profundezas
    ”, se derrete ela, para quem o riso é um poderoso agente de reflexão. “Todos os nossos trabalham passam por essa crônica do cotidiano. Desde o ‘Retrato Falado’, 3 Teresas, Vizinhos, é tudo muito ali, copa e cozinha. De um detalhe você tira um filme”.

    Apesar do “nicho”, ela garante que a trama é acessível a todo tipo de público – principalmente depois de ter visto um garoto de 18 anos aos prantos no final de uma das primeiras exibições.

    De uma forma mais abrangente, ela explica o método: “é como se a gente tivesse um grande espelho na mão – no meu caso um espelho meio velhinho, enferrujado – e o virasse para a plateia: ‘olha como nós somos ridículos’”. “A arte faz você compreender a imperfeição humana, se ampliar para ser mais complacente”. E brinca: “A lucidez não nos livra do drama. Mas quem lê Dostoievsky e Fernando Pessoa sofre mais bonito”.

    Sorria, você está sendo filmado.

    A observação do cotidiano é quase uma obsessão dos dois. Se você mora em Higienópolis, bairro da região central de São Paulo, cuidado, você pode estar sendo filmado: “eu adoro ficar olhando pela janela da minha casa. Às oito da noite, é um prato cheio”, se diverte Denise, carioca radicada na capital paulista lá se vão 25 anos – e que não hesita em pôr os óculos escuro, boné, e sair rodopiando por aí (repare na Paulista, no Elevado Costa e Silva e na Avenida São João).

    Eduardo Martino
    O diretor orienta o casal de protagonistas.
    A capital financeira do país, aliás, entra na história quase como num ménage com Ana e Fábio. “São Paulo é um personagem do filme: a questão da dinâmica da cidade, sobe prédio, cai casa, a cantina vira estacionamento. Existe uma vibração do dia a dia agindo sobre a cidade e há um paralelo do tempo agindo sobre a vida do casal”, adianta o diretor: “a ideia do filme vem da vontade de contar uma história de amor através da separação, fazendo o paralelo com a dinâmica de uma cidade”.

    Ela completa (olha o jogral aí): “a gente não consegue segurar a cidade de são Paulo, com suas demolições, sua rapidez. Ao mesmo tempo, num casamento, a gente não consegue manter as coisas como são”.

    Curiosamente, De Onde Eu Te Vejo foi praticamente todo filmado em estúdio – pelo menos a (boa) parte que se passa nos apartamentos. “A gente teria que ficar um mês e meio com dois prédios invadidos, mais uma rua no meio; teria que segurar [a rua] por conta de trânsito, som, buzina e tudo mais, e concluímos que seria inviável”, ele conta. Por isso, a equipe manteve um espaço de 16 metros entre uma construção e outra, para completar tudo depois na pós-produção. “Essa é a magia do cinema mesmo, tinha horas que nem eu acreditava”, confessa. Confira:

     


    De Onde Eu Te Vejo Vs Batman Vs Superman (Vs Mulher Maravilha).

    Experiente, a dupla tem consciência de que, a depender do desempenho do filme no primeiro fim de semana, pode ser que São Paulo (Sorocaba, Salvador, Santarém ou qualquer outra cidade do Brasil, comece ela ou não com a letra “s”) não terá uma segunda chance para assistir à obra.

    Alexandre Ermel
    O casal.
    Em toda entrevista eu falo: ‘vamos assistir nos primeiros quatro dias, para a gente poder virar uma semana, lutando contra o Super-Homem, o Batman e a Mulher-Maravilha”, apela Luiz, que acredita que não é por falta de diversidade que o cinema brasileiro apanha de Hollywood (como exemplos recentes de produções tupiniquim de qualidade que fogem do padrão comédia-televisiva-campeã-de-bilheteria, ele cita Tudo que Aprendemos Juntos, Califórnia e Mundo Cão).

    “A vontade que dá é sair por aí com uma Kombi, gritando: ‘por favor, entrem no cinema e assistam ao filme! Eu fiz para vocês!”, brinca. Brinca mesmo? Villaça confessa que, quando lançou seu primeiro longa, Por Trás do Pano (1999), fazia plantão na porta dos cinemas e chegava a pagar, com a melhor das intenções, para que as pessoas assistissem. Ele reproduz o diálogo: “’Você quer assistir?’, ‘Ah, mas eu não tenho dinheiro’, ‘Eu te pago’. Tamanha a vontade de você fazer a coisa acontecer”.

    De Onde Eu Te Vejo está em cartaz (ainda no primeiro fim de semana) nas melhores casas do ramo.

     



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