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    Festival de Toronto 2015: Stephen Frears retrata ciclista Lance Armstrong como grande vilão
    Por Renato Hermsdorff — 17 de set. de 2015 às 11:25
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    E Ben Foster pode receber sua primeira indicação ao Oscar.

    Divulgação
    O ciclista Lance Armstrong tem uma história de vida, no mínimo, curiosa. Entre 1999 e 2005, portanto por sete vezes seguidas, venceu o prestigiado Tour de France, feito que, por si só, já daria um filme. Mas tem mais. Em 1992, aos 21 anos, ele tinha acabado de começar a carreira no esporte, quando foi diagnosticado com um câncer de testículo. Armstrong entrou em tratamento e, não só venceu o mal, como fundou uma instituição de combate à doença, com foco no cuidado infantil.

    WireImage/Getty for TIFF
    Ben Foster no tapete vermelho do TIFF.
    Numa inversão, o atleta foi do fundo do poço à glória. Conclusão lógica: Lance Armstrong se tornou um herói mundial, admirado por todos, o tipo a quem as celebridades queriam ter sua imagem associada. O ponto de virada dessa história viria em 2012, quando, depois de já ter se aposentado, o esportista confessou ter feito uso de doping. Não uma ou duas vezes – o que não o desculparia, de toda forma –, mas a vida esportiva inteira.

    As suspeitas sempre pairaram sobre o quadro da bicicleta de Lance. Mas ninguém queria de fato acreditar. A dúvida, porém, não é um benefício com o qual o ciclista pode contar em The Program, filme dirigido por Stephen Frears, exibido pela primeira vez no Toronto International Film Festival 2015 (TIFF).

    Baseado no livro “Seven Deadly Sins: My Pursuit of Lance Armstrong”, do jornalista David Walsh – sem tradução no Brasil –, o longa traz Ben Foster (X-Men - O Confronto Final) no papel do protagonista, um sujeito determinado e ambicioso, que se torna obcecado e arrogante na versão de Frears (do mundo?)

    Reprodução
    Lance Armstrong
    A obra traz Walsh – que também contribuiu com o roteiro – como personagem. Interpretado por Chris O'Dowd (ator associado a papéis cômicos, muito à vontade nesse drama), ele é o responsável por suspeitar do desempenho de Armstrong desde a página dois – do roteiro.

    Antes ainda da doença, Lance procura o médico italiano Michele Ferrari (Guillaume Canet), um pesquisador em medicina desportiva adepto de “novas formas” de melhora de rendimento para que o profissional o oriente, obtendo como resposta que seu tipo físico, forte demais, não é adequado para o esporte. E o próprio Ben Foster confessou, em entrevista recente à revista Sports Illustrated, ter usado medicamentos em sua preparação para o filme.

    Câncer vencido, Armstrong insiste no aconselhamento, desta vez aceito, e é montada a equipe de competição que vai dar suporte para as futuras vitórias do “herói”. O filme não apenas não deixa dúvidas
    WireImage/Getty for TIFF
    Chris O'Dowd.
    do (mau) comportamento dos envolvidos, como detalha todo o procedimento prévio adotado pelo time para adulterar os testes antidoping. O título “The Program”, portanto, faz referência ao sistemático programa encabeçado pelo doutor.

    Não tardaria para a história ganhar sua versão cinematográfica, claro. E Frears faz piada com o fato – num momento hilário, em que Armstrong diz que Hollywood está interessada em retratar sua vida, com Matt Damon e Jake Gyllenhaal (ainda não muito conhecido, então, o personagem pronuncia errado o sobrenome do ator) no páreo pelo papel principal.

    The Program é obra objetiva, sem distrações – Lance, por exemplo conhece sua futura esposa em uma cena, para casar na sequência, curta, seguinte –, o que, claro, é uma qualidade, mas que carece de nuances como em produções anteriores do diretor, especializado em cinebiografias (pelos menos as de senhoras inglesas), como Sra. Henderson Apresenta (2004), A Rainha (2006) e Philomena (2013). Todos, por sinal, foram indicados ao Oscar de Melhor Atriz. Não será de surpreender se Ben Foster também entrar na disputa no próximo ano pela estatueta de Melhor Ator.



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