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    Quentin Tarantino fala sobre racismo, Os 8 Odiados, Jennifer Lawrence, Transformers, Pânico e muito mais
    Por Bruno Carmelo — 26 de ago. de 2015 às 14:30
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    O diretor concedeu uma longa entrevista à revista Vulture, e nenhum tema ficou de fora.

    Quentin Tarantino não tem papas na língua. O diretor não costuma conceder longas entrevistas, mas quando o faz, fala tudo que passa pela cabeça: filmes que gosta e detesta, atores que gosta e detesta, política, tecnologia...

    Recentemente, aproveitando o lançamento de Os 8 Odiados no fim do ano, ele teve uma ótima conversa com a revista Vulture (leia o texto na íntegra, em inglês). Abaixo, destacamos alguns momentos principais, em tradução nossa:

    Fracassos na carreira

    "Eu aprendi uma grande lição com o projeto Grindhouse, e vou tentar não repetir aquele erro. Robert Rodriguez e eu tínhamos nos acostumado a traçar nosso próprio caminho, nessas estradas diferentes, e o público nos acompanhava. Começamos a pensar que eles viriam para onde quer que fôssemos. Com Grindhouse, aprendemos que esse não é o caso. Valeu a pena fazê-lo, mas teria sido melhor se nós não tivéssemos sido pegos de surpresa com o desinteresse do público".

    Quentin Tarantino dirigindo À Prova de Morte, parte do projeto Grindhouse

    Questões raciais

    "Três Homens em Conflito não abordava os conflitos raciais da Guerra Civil, isso era apenas algo que estava acontecendo. Meu filme [Os 8 Odiados] fala sobre o país dividido pelos conflitos raciais, e as consequências seis, sete, oito, dez anos mais tarde. [...] Finalmente, a questão da supremacia branca está sendo discutida e combatida. O filme é sobre isso".

    Franquias no cinema

    "Não sou pessimista quanto às franquias. Elas existem desde que eu nasci. Você pode falar sobre Transformers agora, mas você podia falar sobre Planeta dos Macacos ou James Bond quando eu era criança - e eu mal posso esperar para assistir a esses filmes. Eu não sei porque Spielberg e Lucas reclamariam desses filmes. Eles nem têm que dirigir essas produções".

    Samuel L. Jackson no ainda inédito Os 8 Odiados

    Filmes independentes no Oscar

    "Os filmes que costumavam ser tratados como independentes, como as produções dos anos 1990, que passavam em Sundance, hoje são feitos para o Oscar. Coisas como Minhas Mães e Meu Pai e O Vencedor. Estes são os filmes de orçamento médio hoje, mas com estrelas maiores e orçamentos maiores. Eles são bons, mas não sei se vão ficar na História como alguns filmes dos anos 90 e 70. Não sei se ainda vamos falar sobre Minhas Mães e Meu Pai, Atração Perigosa ou Educação daqui a 20 ou 30 anos. Notas Sobre um Escândalo é outro exemplo. Ou Philomena. Metade dos filmes com a Cate Blanchett são apenas produtos de arte. Não estou dizendo que são ruins, mas não acredito que a metade deles seja lembrada. Mas O Vencedor e Trapaça, esses sim serão vistos daqui a 30 anos". 

    Jennifer Lawrence

    "Quando eu estava procurando por [uma atriz para a personagem] Daisy [em Os 8 Odiados], pensei que Jennifer Lawrence teria feito um ótimo trabalho com o papel. Sou grande fã dela. Acho que ela pode se tornar outra Bette Davis se continuar neste caminho. O trabalho dela com David O. Russell deve muito à parceria entre William Wyler e Bette Davis. Mesmo assim, pensei que Daisy deveria ser um pouco mais velha. Ela tinha que se enturmar com os homens. Jennifer Jason Leigh apareceu e o teste dela foi muito bom".

    Jennifer Lawrence e Quentin Tarantino

    Pânico

    "Eu gostaria de de ter feito o primeiro Pânico. Os Weinstein estavam tentando convencer Robert Rodriguez a dirigi-lo. Não acho que eles sabiam que eu estaria interessado. Eu realmente não gostei da direção do Wes Craven. Ele era a bola de ferro amarrada aos pés do filme, impedindo-o de ser realmente incrível, de ir até a Lua".

    Séries de TV

    "As duas últimas séries que eu vi do começo ao fim foram Justified e How I Met Your Mother. [...] Tentei ver o primeiro episódio da primeira temporada de True Detective, mas achei muito chato. E a segunda temporada parece péssima. Só pelo trailer, dá para ver aqueles atores lindos tentando não ser lindos e caminhando como se carregassem o peso do mundo nos ombros. É tão sério, e eles parecem tão perturbados, tentando parecer tristes com seus bigodes e roupas amassadas. [...] Agora, a série da HBO que adorei foi The Newsroom, do Aaron Sorkin. Foi a única série que eu realmente vi três vezes".

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