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    Cine Ceará 2015: Duas visões poéticas sobre a vida e a morte em O Espírito da Colmeia e Ser e Voltar
    Por Bruno Carmelo — 20 de jun. de 2015 às 17:30
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    Do clássico ao cinema mais recente, a mostra dedicada à produção espanhola começou com força total.

    Um dia depois do início da mostra competitiva no Cine Ceará 2015, começou igualmente a mostra Novo Cinema Espanhol, que combina alguns clássicos (dos cineastas Luis Buñuel e Víctor Erice) com a nova safra do país, incluindo longas e curtas-metragens dos últimos anos.

    Ser e Voltar

    A projeção começou com dois curtas-metragens muito bons: Ser e Voltar, de Xacio Baño, e Névoa, de Mikel Zarataín. O primeiro transita entre o documentário e a ficção: o diretor registra as atividades agrícolas de seu pai e sua mãe, duas pessoas pouco familiarizadas com a linguagem cinematográfica. Enquanto o casal idoso lamenta que o filho não tenha escolhido uma carreira mais lucrativa ("Os cinemas estão fechando em todos os lugares", ela avisa), o diretor cria uma pequena ficção com os pais, simulando a morte de um deles.

    Entre exercício estético (os planos e a montagem são belíssimos) e fábula sádica (afinal, matar simbolicamente um dos pais não deixa de ser uma iniciativa bastante perversa) o filme oferece uma reflexão perturbadora e interessante sobre a vida, a morte e o cinema.

    Névoa

    Névoa é ainda mais simples em sua proposta. Este é um filme sem narrativa, sem personagens, sem conflito. A partir da bela imagem da casa acima, coberta pela névoa, o diretor sobrepõe dezenas de estímulos sonoros diferentes (o trem, os animais, as pessoas), simulando a vida e os conflitos neste lugar. Espécie de "efeito Kuleschov" da edição sonora, ao invés da montagem imagética, a obra cumpre um papel questionador que cabe perfeitamente no formato do curta-metragem.

    O Espírito da Colméia

    Mas a grande atração do dia ainda foi O Espírito da Colmeia (1973), de Victor Erice. Caso você ainda não tenha visto esta obra, corra para encontrá-la o quanto antes! O curador da mostra apresentou o filme como um dos principais do cinema espanhol, mas talvez seja igualmente um dos títulos mais poéticos do cinema mundial. 

    A narrativa apresenta a pequena Ana (Ana Torrent), que vive com os pais em uma casa imensa e decadente no campo. Através do filme Frankenstein (1931), ela tem a sua primeira experiência simbólica da morte - afinal, o monstro mata uma garotinha de sua idade -, e depois começa a fazer outras experiências relacionadas à morte, através da irmã que finge sofrer um acidente, de um gato estrangulado, de cogumelos venenosos, de pular a fogueira, e principalmente da busca por um espírito que ela acredita atacar crianças na região. Entre drama e filme de terror, entre realismo e fantasia, O Espírito da Colmeia é uma obra inesquecível.

    A mostra Novo Cinema Espanhol continua dia 20 de junho com o curta-metragem Móveis Aldeguer e o longa-metragem Estrela Cadente.

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