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    Muito humor e música ilustraram a noite do Festival de Brasília 2013
    20 de set. de 2013 às 18:00
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    O Mestre e o Divino, O Canto da Lona e o longa Depois da Chuva foram os destaques da noite de quinta-feira, 19, no 46ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Veja como foi!

    por Roberto Cunha, em Brasília

    Mais um noite de competição no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e os presentes no Cine Brasília puderam ver cinco obras nesta quinta-feira, 19. Preocupados em evitar a repetição do episódio do dia anterior, quando problemas técnicos interromperam a exibição de um filme, a organização fez uma série de testes e isso também fez com que convidados, imprensa e público entrassem na sala com quase uma hora de atraso. Felizmente, a noite brindou os presentes com muitas canções, humor e roquenrou. Confira o panorama!


    Bom :) O mundo do circo parece ter encontrado seu palco no Festival de Brasília 2013. Dirigido por Thiago Mendonça, o documentário O Canto da Lona é um curta (longo), que resgata a história de veteranos do circo teatro de São Paulo, de décadas passadas. Nesse período, o "picadeiro" era palco também de inúmeras performances musicais e também teatrais, extraídas de peças e/ou filmes, como aqueles do eterno Mazzaropi. Assim, o roteiro do diretor reúne esses artistas, que mostram e contam suas história, revivendo-as (de alguma forma) em imagens em Preto & Branco, contrastando com um único elemento colorido: uma icônica cortina vermelha. Cheio de passagens ora emocionantes, ora engraçadas, o filme conseguiu manter um diálogo com o público, que correspondeu com aplausos e risos.


    Muito bom =D Filmes sobre índios costumam assustar uma parcela do público por puro preconceito. O Mestre e o Divino é um bom exemplo de como isso pode afastar o espectador de obras interessantes. Dirigido por Tiago Campos, o documentário reúne as câmeras de mais dois cineastas para mostrar a longa, conflitante e também divertida relação de um missionário alemão Adalbert Heide e um índio Xavante, respectivamente, o mestre e o divino do título. Com muitas ironias e passagens divertidas, o espectador descobrirá que o estrangeiro não ganhou o título de "índio branco" a toa, e que seus métodos rígidos de controle ao longo de muitos anos podem ter contribuído para a sobrevivência deles, mas hoje já não são tão aceitos. E o índio Divino, figuraça apaixonada por cinema, é o maior exemplo dessa não aceitação. Cheio de imagens históricas, muitas nunca reveladas pelo cineasta religioso, não são raros os momentos de diversão diante das inúmeras revelações desse coroa carrancudo e com humor peculiar, e do índio, também "proprietário" de tiradas hilárias. Divertido, sua sessão foi encerrada com muita vibração da plateia e já figura como forte concorrente de Outro Sertão na categoria.


    Regular :/ O segmento da animação exige uma dedicação muito grande por parte de seus realizadores e o resultado nem sempre é o esperado. O curta RYB (provável alusão ao coachar dos anuros) narra rapidamente a história de uma rã ou sapo, que se viu clonado durante um "acidente" num laboratório. E como as cópias de cores diferentes (azul, vermelho e amarelo) aprontam todas no local, elas precisam ser eliminadas pelo original. Dirigido por Deco Filho e Felipe Benévolo, a obra tem quatro minutos e consumiu um ano de trabalho da dupla e equipe de colaboradores. Visualmente, deu seu recado e é bacana, mas com a falta de um roteiro mais consistente, o resultado final foi para o brejo.


    Não colou :( Dirigido por Leonardo Mouramateus e Samuel Brasileiro, o curta (ficção) Lição de Esqui tem como palco um subúrbio de Fortaleza e conta com não atores como protagonistas. Na história, dois amigos, de olho numa viagem para o exterior, ensaiam uma briga para arrecadar a grana de um seguro. A questão é que isso não fica tão claro para o espectador, devido a maneira que isso é mostrado, com repetição de cenas e diálogos vazios. Em sua apresentação para a plateia, os jovens cineastas chegaram a brincar que o filme teria a "menor sinopse do mundo". Verdadeira ou não, a afirmativa reflete uma certa dificuldade de "vender" o próprio peixe, mostrando que o dever de casa ficou incompleto. Foi aplaudido, mas sem a mesma intensidade de outros concorrentes.


    Regular :/ Concorrendo na categoria Ficção, Depois da Chuva se passa na Salvador do início dos anos 80, tendo como pano de fundo momentos marcantes (e imagens reais) da história não muito distante do Brasil e do mundo, como o movimento das Diretas Já! e o surgimento da AIDS. A trama acompanha Caio (Pedro Maia), adolescente filho de pais separados, que vem questionando sua posição na sociedade, no exato momento em que ela também passa por transformações. Nesse contexto, as amizades e a participação deles em um "grupo de resistência" ao sistema permeiam a obra, que culmina com a morte de Tancredo Neves e a chegada de José Sarney à presidência da república, sobrando uma providencial pergunta da mãe de Caio: "O que vai ser desse país?". Embora exista uma forte coincidência com o atual período de turbulência das ruas, o roteiro não se revela hábil o bastante para dialogar com as massas, mesmo que embalado por uma trilha sonora cheia de sons anárquicos, como Patife Band e Dead Kennedys, que dão o ritmo acelerado das "mudanças desejadas". Primeiro longa da dupla Cláudio Marques e Marília Hughes, Depois da Chuva chegou coberto de expectativa, causou impacto e foi bem acolhido pelo público, que segurou a onda até meia-noite e meia, quando entraram os créditos finais. Tá na corrida!

    Filmes da Bahia, Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Ceará, Pernambuco, Espírito Santo, Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul competem no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A premiação soma R$ 700 mil e os ingressos custam R$ 12,00 (inteira) e R$ 6,00 (meia). Hoje,a última sessão tem entrada franca. Programe-se visitando o site oficial. O AdoroCinema viajou a convite do evento e você pode acompanhar um panorama do evento por aqui em nossos boletins diários.

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