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Entrevista exclusiva - O diretor Pablo Berger fala sobre o seu ousado Branca de Neve
04/07/2013 às 13:30
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O cineasta espanhol esteve no Brasil e falou com o AdoroCinema sobre o porquê de ser em preto e branco, mudo, sobre as portas fechadas e até de Penelope Cruz. Veja como foi!

por Roberto Cunha

Candidato da Espanha ao Oscar 2012 de Melhor Filme Estrangeiro, Branca de Neve vem fazendo o circuito de festivais pelo mundo e conquistando dezenas de prêmios e indicações. O longa estreia nesta sexta-feira, dia 5, nos cinemas brasileiros, distribuido pela Imovision, e a gente conferiu o filme na companhia do diretor Pablo Berger numa sessão noturna para convidados.


Na ocasião, ele falou um pouco sobre a obra e respondeu algumas perguntas para a plateia, que posteriormente sairia de lá com a nítida sensação de terem visto uma obra diferente. Ilda Santiago, que voltou da experiência de ter sido jurada no Festival de Cannes 2013, contou para a plateia que lamentou muito não ter o filme no Festival do Rio, o qual é diretora. No dia seguinte, pela manhã, o AdoroCinema levou um ótimo papo com o cineasta e o resultado você confere nas linhas a seguir.

Por que Branca de Neve?
Berger contou que a origem de tudo foi uma foto dos anos 90, em preto e branco, de um grupo de toureiros juntos, em formação, um ao lado do outro. Ele disse que achou a imagem muito curiosa ao bater o olho nela neste livro. Com um sorriso no rosto, disse que a coisa ficou ainda mais interessante quando ele imaginou e colocou a tradicional Branca de Neve por trás destes oito toureiros.

Fale um pouco sobre a opção do preto & branco, de ser "mudo" e com uma bitola diferente... Qual a sua relação com esses filmes?
Ele contou ser fã dos filmes dos anos 1920 e diretores daquela época, citando vários, entre eles Friedrich Wilhelm Murnau, do clássico Nosferatu. Assim, a opção pela "tela quadrada" nada mais foi do que seguir essa tradição do cinema daquela época. "Era importante para que o espectador viajasse no tempo, entrasse no clima. O filme é uma carta de amor ao cinema mundo, especialmente o europeu dos anos 20, a era dourada".

O filme levou oito anos para chegar nos cinemas, mas você filmou tudo em menos de dois meses. Afinal, foi fácil ou difícil fazer?
"Foi muito trabalhoso, muito caro, com muita gente... Se você olhar, são 539 colaboradores em seis minutos de crédito", disse ele, lembrando que esse fator foi o que mais dificultou o processo de viabilização do projeto, pois as portas de eventuais investidores, produtores etc, se fechavam. "Diziam que eu estava louco. Um filme de época, trabalhar com touros é muito complicado...", disse ele sobre o projeto chamado de "Hollywood Ibérico".

Você trabalhou com duas atrizes iniciantes para viver a protagonista Carmen em diferentes fases. Isso foi proposital? Como foi o processo seletivo?
Berger contou que a seleção foi aberta, com muita divulgação por toda a Espanha, na internet e na televisão, tinha notícias dizendo que se procurava a Branca de Neve espanhola. "Foi um grande acontecimento de formação de elenco", disse ele contando que pintaram cerca de cinco mil candidatas para fazer a pequena Carmencita. Mas quando Sofía Oria apareceu, ficou claro que seria ela já no primeiro teste, porque "seus olhos falavam". Sobre a opção por novatos ele disse que foi intencional porque a ideia descobrir novos talentos, caras novas, e cercar de veteranos como coadjuvantes, como Maribel Verdú e Ángela Molina, por exemplo.

Mas e Macarena Garcia?
O cineasta comparou a belíssima e também estreante Macarena García, que faz a Carmen já adulta, a outra espanhola bastante conhecida do público e igualmente bela: Penélope Cruz. "Penelope não é uma atriz, é como um animal cinematográfico. Ela sai do lugar comum dos atores, tem uma luz", disse ele, que se sentia meio paizão de Macarena por ter aberto as portas para ela. E lembrou, inclusive, que outro dia ela tinha feito um anúncio ao lado de um super astro e fez questão de mostrar a ele.

E Maribel Verdú esperou mesmo cinco anos para o filme sair do papel ou é uma lenda? Como foi trabalhar com ela?
"Maribel é uma super estrela, desejada, um símbolo na Espanha, um mito erótico", afirmou o diretor sobre a atriz que ele admirava. Ele contou que quando mostrou o projeto, a reação dela foi positiva e imediata. "Essa foi a primeira vez que ela fez uma malvada na carreira", disse todo orgulhoso com a conquista.

Por que o número errado de anões?
"Para provocar as pessoas", disse, fazendo questão de frisar que não é uma adaptação e sim uma fonte de inspiração.

Os nomes deles são engraçados...
"Sim. Na verdade, são brincadeiras com nomes de meus grandes amigos".

E um deles tem uma opção sexual meio diferente...
"Queria criar algo diferente da Disney, algo original", ressaltando a ideia de provocar.

Mais de 60 prêmios conquistados (só no Goya foram 10!) e muitas dezenas de indicações... O que mudou na sua vida e qual é a sensação com esses resultados?
"Eu recebi uma pilha de roteiros depois que o filme começou a se sair bem nos festivais", sem esconder um sorriso no rosto, que ele disse ser permanente. "A sensação é a melhor possível e o impacto é sofrer um assédio, inclusive, de alguns produtores que fecharam as portas para mim", sorrindo ainda mais.

O jogo mudou totalmente então...
"Estou viajando há quase um ano com Branca de Neve e tudo começou no Festival de Toronto 2012. O filme está chegando em todos os mercados, Grécia, Rússia, Itália, Coreia, Austrália, Japão, uma maravilha!", disse, muito feliz e orguhoso.

É bom ser produtor, diretor ao mesmo tempo... fez isso por necessidade?
"Eu sou 10% produtor, algo minotário, que faço para me manter próximo do projeto", acrescentando que gosta muito de ter cuidado com a obra.


A trilha tem um papel importante no filme. Como você chegou até o compositor Alfonso de Vilallonga?
Ele revelou que uma diretora muito famosa da Espanha (Isabel Coixet) tinha recomendado usar o compositor que ela tinha trabalhado recentemente. Ele ouviu o trabalho do cara, curtiu e chamou para o projeto, lembrando de um detalhe: "Gostei de saber que ele não faz um trabalho atrás do outro".

Como foi o processo de inserção da música na trama?
"Foi bom e tranquilo. Ele me mandava pedaços e eu ia fazendo observações", destacando que foram necessários quatro meses para finalizar tudo.

Você conversou com ele antes, durante ou depois das filmagens?
"Tudo foi feito com o filme já pronto, montado e eu ia dirigindo "a trilha" como um ator."

O que você conhece do cinema brasileiro?
Sem pensar muito, Berger disse conhecer o trabalho de Walter Salles, Fernando Meirelles, citou Glauber Rocha e também o argentino radicado no Brasil, Hector Babenco. Disse ter curtido demais a visita ao Brasil por ampliar seus horizontes, conhecer produtores, e que sai daqui com uma lista de filmes para assistir, entre eles, O Palhaço, tendo em vista que conversou com a produtora. Provando estar ligado no mercado, quando perguntado sobre José Padilha, lembrou logo que ele estava em Hollywood fazendo o novo Robocop.

Quais são seus planos, projetos futuros... considera dirigir roteiros de outras pessoas?
Sem algo concreto nas mãos, disse que era possível, mas que é necessário ler muitos roteiros para encontrar um que o toque. "Fazer um filme é algo especial e ainda não apareceu aquele que eu diga, vou fazer!"

Pra finalizar, a pergunta que não quer calar é: Vamos ter que esperar mais oito anos para ver um novo filme seu?
Rindo, ele revelou que seu primeiro longa, Da Cama Para a Fama (2003), também levou entre cinco e seis anos para ficar pronto. "Meus filmes são feitos pouco a pouco. Para mim, um filme é como um filho, tem que ser tão especial, como se fosse o último que eu fosse fazer. Não gosto de fazer um filme por fazer. Tem que haver uma história... O ideal seria fazer algo no intervalo de uns três anos, mas não tenho nada escolhido no momento".

Ok. Valeu pelo papo!
"Eu agradeço. Até daqui a mais ou menos três anos", disse rindo.


Branca de Neve
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