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Entrevista exclusiva com Terrence Howard, de Sem Proteção
Por AdoroCinema — 01/10/2012 às 15:53
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Confira o bate papo exclusivo que tivemos com o ator de Crash - No Limite e Homem de Ferro durante o Festival do Rio 2012.

por Lucas Salgado

Terrence Howard passou pelo Rio de Janeiro para promover Sem Proteção no Festival do Rio 2012. Repleto de projetos e com uma opinião forte, o ator avisou de cara, antes da entrevista, que não gostaria de falar apenas de Sem Proteção. Dito e feito. Conversamos com ele com exclusividade por quase 15 minutos e tratamos de vários filmes. Ele falou até da dupla brasileira Walter Salles e Wagner Moura. Veja o bate papo completo!

AdoroCinema: Como você se envolveu com Sem Proteção?

Terrence Howard: Acho que eles não estavam querendo gastar dinheiro com atores. Estavam procurando quem estivesse disposto a trabalhar com Robert Redford por um certo prestígio e nostalgia. Eu vi o valor de ter Robert como tutor, que era maior do que ganhar um bom dinheiro com outro projeto. Experimentar a relação que desenvolvi com ele valeu por tudo. Me ligaram e perguntaram: “Quer fazer um personagem num filme do Robert Redford?” E eu disse: “Sim.” Nem precisei ler o roteiro.

Como ator, como foi ser dirigido por um dos grandes intérpretes do cinema americano?

Foi aterrorizante. Estava muito assustado em ser dirigido por um ator que é uma lenda e que fez tanto sucesso. É um mestre atrás e na frente das câmeras. Você fica sempre nervoso, esperando que possa alcançar o nível dele.

O filme tem um elenco impressionante. Como foi trabalhar com tantos grandes nomes?

Nick Nolte era o cara que eu estava mais interessado em trabalhar junto. Fiz um filme com ele chamado Investigating Sex no início da minha carreira. Ficamos tão impressionados com ele que no final de cada cena aplaudíamos. Queria sugar um pouco mais de seu poder, de sua mágica. Susan Sarandon é encantadora. E bela. Queria ficar perto dela e ser capturado pelo seu feitiço. Shia LaBeouf é uma lenda em construção e foi ótimo “dançar” com ele. Acho que recebi mais do que jamais poderiam me dar em dinheiro.

Você trabalhou recentemente em Na Estrada, de Walter Salles. Como foi trabalhar com ele?

Walter Salles é um gênio em todos os sentidos da palavra. Ele tem um discernimento que vai muito além da média dos cineastas. Ele tem muita confiança em seus atores e empatia pelos personagens. Tem uma genialidade nele. Amo o Walter.

Você é fã do livro? Como se envolveu com o projeto?

Não tinha lido o livro antes do filme. Garrett Hedlund é um amigo muito próximo, nós crescemos juntos na indústria. Quando vi que ele estava no filme e que Walter Salles me queria para um papel, disse que estava dentro. Eu interpreto um saxofonista que não tem limites e foi uma boa oportunidade de tocar o saxofone novamente. Eu não praticava há vários anos.

Você está ligado a um longa chamado Fellini Black and White. Pode falar um pouco sobre o projeto?

Fellini Black and White sobre um evento que aconteceu nos anos 50. Fellini, que é um incrível diretor italiano, foi convidado para o Oscar. Ele quase perde a cerimônia. Ele briga com a esposa e acaba numa jornada pelas ruas de Los Angeles.

Qual o seu personagem?

Eu interpreto um sujeito que toca o trompete. Uma espécie de Deus no mundo da música. Eu sou quase que um fantasma dos natais passados.

Fellini será interpretado por Wagner Moura. Já teve algum contato com ele?

Não, ainda não o conheci. Mas sei que é um dos maiores atores brasileiros. Espero ser capaz de absorver um pouco da alma dele.

Você irá produzir e estrelar uma nova versão de Macbeth. O que pode dizer sobre o projeto?


Ainda estamos tentando transformá-lo em realidade. Queremos mostrar aquela história de traição, de ambição e de perda da honra nos viscerais dias modernos. É um grande desafio, mas no final do dia penso apenas nessas grandes histórias de Shakespeare, que tinha um enorme desejo de expressar como a condição humana é de verdade e as tragédias associadas com amor, desejo e lealdade.

Dizem que a peça sobre uma espécie de maldição nos palcos. É algo que te perturba?

Não. A maldição de Macbeth está na cabeça das pessoas que aceitam esse tipo de coisa. Eu não me permito isso. Não bebo dessa água.

E como é o trabalho como produtor?

É algo que lhe dá um pouco mais de controle na avenida artística. Produzir é como seu o pai da família ou a babá. Quando o pai e a mãe saíram, você tem que agir de uma forma que irá beneficiar toda casa. Não toma atitudes egoístas. É ótimo construir o set, desenvolver a moral da equipe, fazer com que aqueles que emprestaram seus talentos à sua visão sejam recompensados.

Você pensa em dirigir um filme?

Claro. Definitivamente penso em dirigir. Mas ainda espero mudar a direção do cinema. Ainda vivemos na idade da pedra no que diz respeito a como usamos a tecnologia e nosso conhecimento científico sobre sequenciamento de ondas harmônicas, que eu adoraria introduzir no mundo do cinema.

Quais seus próximos projetos?

Eu tenho um filme chamado Winnie que estreia agora. Eu interpreto o Nelson Mandela e a Jennifer Hudson vive Winnie. É sobre a história de amor deles e os sacrifícios que fizeram pelo país. É um dos projetos que estou mais ansioso para ver pronto. Tenho muito orgulho do trabalho que fiz.

Como foi viver Mandela?

Me senti como uma formiga tentando interpretar Deus. Estava apenas esperando que na tentativa de interpretar Nelson eu fosse sincero como sua luta foi. Ele não estava vivendo um personagem. Estava sacrificando sua vida e sua família por seu país.

Pode falar algo sobre The Butler, de Lee Daniels?

Lee Daniels é o diretor mais talentoso com quem trabalhei. É uma pessoa que aprendia a amar e confiar de um modo que nunca aconteceu com outro diretor. Sua compreensão da necessidade de estar presente e não pensar demais uma situação, a forma como encoraja o ator, é impressionante. Aprendi coisas como ator que me fizeram crescer como nunca.

A Tentação é um filme intenso que trata de assuntos bem sérios. O que te atraiu no projeto?


A ideia de ser um negociador da polícia que tenta convencer uma pessoa de não se suicidar. Fiquei empolgado com o lado obscuro dessa ideia. Acho que o filme ficou ótimo. Adoro a Liv Tyler. Ela é tão incrível como atriz, que aproveitei todos os momentos com ela.

Como foi trabalhar em Red Tails?

Red Tails é um filme sobre heróis. Sobre guerreiros entre 18 e 30 anos que lideraram o luta pelos direitos civis. Lutaram como a propaganda de 300 anos de passado que diziam que os negros eram inferiores. Foram fundamentais para a igualdade dos direitos e para, na atualidade, termos Barack Obama como presidente. É um longa sobre jovem que batalham em duas frentes, contra o fascismo e contra o racismo. Tenho muito orgulho de ter feito Red Tails.


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