Oliver Stone fala sobre Selvagens em entrevista exclusiva
De AdoroCinema - Assessoria ▪ domingo, 23 de setembro de 2012 - 09h00

Este filme de ação, com Aaron Taylor-Johnson e Taylor Kitsch nos papéis principais, vai estrear no Brasil dia 5 de outubro de 2012.

por Bruno Carmelo

O experiente diretor Oliver Stone, autor dos clássicos Wall Street - Poder e Cobiça e Assassinos por Natureza, está de volta em 2012 com Selvagens, um retrato da violenta vida dos traficantes de drogas na fronteira entre o sul dos Estados Unidos e o México. Ele conseguiu reunir nesta produção um elenco dos sonhos: Aaron Taylor-Johnson, Taylor Kitsch, Blake Lively, Benicio Del Toro, John Travolta, Salma Hayek...

O AdoroCinema publica em primeira mão a entrevista que o diretor concedeu à Paramount. Ele fala sobre os ensaios, sobre o primeiro encontro com os atores e também comenta sobre a quantidade de violência em seus filmes: "Eu tenho um selvagem dentro de mim", ele afirma. Selvagens estreia nos cinemas brasileiros em breve, dia 5 de outubro de 2012. Confira a entrevista abaixo e veja também o trailer legendado do filme:

O que te interessou em Selvagens e te deu vontade de dirigir o filme e escrever o roteiro?

Oliver Stone: A história era incrível! Foi uma viagem visceral, imprevisível, nova e colorida para mim, com muitas surpresas e reviravoltas pelo caminho. Este também é um filme que lida com vários temas contemporâneos, como a guerra contra as drogas e a situação desta guerra na fronteira entre a Califórnia e o México. A trama tinha todos os elementos de que eu gosto em um filme.

Como o projeto nasceu?

Don Winslow escreveu o livro. Nós o escolhemos e trabalhamos com ele durante quase um ano, preparando o roteiro. Depois, nós mostramos a história aos atores e começamos a preparar o filme.

Todos os seus personagens se cruzam e vivem aventuras pessoais, certo?

Existem seis personagens principais entrelaçados, o que é complicado porque todos sofrem transformações e acabam em situações que não esperavam. Este é o caso de Ben, principalmente, porque é ele que vai mais longe. Eu gosto de testar meus personagens.

Os protagonistas, parceiros nos negócios e melhores amigos Chon e Ben, interpretados por Taylor Kitsch e Aaron Taylor-Johnson respectivamente, têm opiniões diferentes sobre o uso da violência quando é preciso defender a si próprios ou o tráfico de maconha contra os perigosos cartéis mexicanos. Você pode falar mais sobre essas diferenças?

O personagem de John Travolta, Dennis, diz tanto a Ben quanto a Chon para negociarem, abandonarem o tráfico e viverem felizes. Ben não quer recorrer à violência. Entretanto, Chon acredita que o melhor é cortar a cabeça da cobra antes que ela chegue ao seu jardim. Este é um argumento que atravessa o filme inteiro. As coisas mudam quando o personagem de Blake Lively entra em perigo. A violência é necessária às vezes. Até o Buda é citado, dizendo que de vez em quando é preciso ser violento para impedir um mal maior. Esta também é parte da moral da história.

Como você explica a relação entre Chon, Ben e O, interpretada por Blake Lively?

Mesmo que tenha uma história de amor entre eles ou não, o que Chon e Ben sentem é uma responsabilidade por O, porque foram eles que a colocaram em problemas.

Como você encontrou os atores ideias para os personagens principais?

Eu encontrei Aaron Taylor-Johnson em Londres. Ele foi tão adorável, tão puro. Eu adorei a atuação dele em Kick Ass - Quebrando Tudo. Nesta época, ele já tinha recebido um convite para outro grande filme, mas eu tinha certeza que queria que ele participasse de Selvagens. Eu lhe disse: “Eu tenho outro filme com máscaras para você”. Nós tivemos uma conversa agradável durante um almoço e ele se comprometeu a participar do projeto. Ele honrou a promessa. Eu sabia que ele formaria uma dupla perfeita com Taylor Kitsch, que é cheio de lealdade e força. Os dois eram perfeitos. Então eu encontrei Blake Lively, que também foi uma boa descoberta.

Como você constituiu um grupo de atores coadjuvantes tão formidável junto dos três atores principais?

Eu já pensava em John Travolta, Benicio Del Toro e Salma Hayek desde o começo. Demian Bichir e Sandra Echeverria foram ótimos acréscimos.

Este é o seu primeiro filme com John Travolta. Como você vê o personagem que ele interpreta, o agente Dennis?

Eu gosto deste papel. O personagem tem uma espécie de ambiguidade sórdida. Dennis é prático e ele tem uma importância imensa no filme, porque ele interfere nos dois lados da história.

Com um elenco deste porte em mãos, como você conseguiu coordenar as agendas de todos, já que você não tinha muito tempo para as filmagens?

Combinar as agendas de todo mundo foi um grande quebra-cabeças. Como nós só tínhamos 58 dias para filmar, nós trabalhamos todos os dias. Por isso, nós ficamos o tempo todo cuidando da parte logística, para as filmagens serem eficazes e plausíveis.

Qual você acha que é o seu papel na direção?

Dirigir é uma colaboração no sentido profundo do termo. É como a relação entre um maestro e sua orquestra. Você ensaia, tenta construir o ambiente certo, revisa cada linha dos diálogos, reescreve e assim por diante.

Os ensaios são muito úteis para você?

Sim, muito. Eles também são muito intensos. Eu acho que a pré-produção é uma das partes mais complicadas de um filme porque nada ainda foi filmado. Você constrói até chegar neste momento em que chega ao set pela primeira vez. Eu acho que o período de ensaios nunca é completo.

Então quais são as suas expectativas para o primeiro dia de filmagem?

Eu espero chegar com todo o ambiente funcionando bem, e dentro do cronograma, porque se você começa a se atrasar, todas as outras partes são afetadas. Os ensaios não são muito caros, se comparados com outros custos de produção.

Como você prepara os atores?

Comigo, os atores sempre recebem muitas orientações sobre as falas e as ações. Como depois eu tenho que editar e, de certa maneira, eu os vejo completamente nus, eu gosto de prepará-los para ter opções mais tarde. Às vezes, quando você não tem uma boa relação com os atores, é impossível. No entanto, isso funciona na maioria dos casos. Minha esperança é que todos verão o filme e ficarão satisfeitos no final.

Quem são os selvagens no filme?

Todos são selvagens. Eu acho que todos nós temos um selvagem interior. Essa é a natureza humana. Como nós controlamos este selvagem, e o que fazemos com ele, é o tema do filme. O ramo de trabalho dos personagens também é selvagem.

Quais foram as influências de Selvagens?

Eu misturei as histórias de praia e mar com um faroeste moderno. É um pouco de Meu Ódio Será Sua Herança do Sam Peckinpah, de Duelo ao Sol do King Vidor e dos western spaghettis do Sergio Leone com o lado sombrio dos cartéis mexicanos. Existe uma mistura entre trevas e luz neste filme.

Este não é o primeiro filme em que você analisa a natureza da violência, certo?

Eu sempre tive interesse pelos seres humanos, pelas relações de poder. Este filme é um jogo de gato e rato com o poder. A violência sempre existiu porque ela faz parte da nossa natureza, como eu já mostrei em Assassinos por Natureza. Em Selvagens, você vê a violência, mas os personagens também expressam amor. É preciso encontrar o equilíbrio. Você não pode negar ou reprimir a sua violência interna porque ela vai extravasar de várias maneiras. Usá-la de maneira responsável e moral é muito importante. Eu sempre fui contra mostrá-la de maneira gratuita nos meus filmes.

Foi difícil encontrar a quantidade certa de violência no filme?

Nós não queríamos chocar as pessoas, mas este é um mundo cruel. Nós escolhemos este nível de violência porque achamos que seria eficaz. Eu acho que mostramos muito menos do que acontece de verdade. Eu mesmo fico com enjoo diante dos filmes de terror.

O humor também tem um espaço importante em Selvagens, certo?

O humor é um elemento constante na minha carreira. Eu acredito que é preciso rir quando você é confrontado com as coisas mais terríveis, ou quando você tem muito medo.

O que te leva a fazer as coisas desta maneira?

Eu acho que existe um rebelde dentro de mim. Eu apenas tento fazer a coisa certa. Eu espero poder fazer algo de bom contra as injustiças deste mundo antes de partir.

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