Diário de Brasília: Eles Voltam é o destaque no primeiro dia de competição

De AdoroCinema ▪ quarta-feira, 19 de setembro de 2012 - 16h00

Disputa pelos troféus Candango começa tanto entre os documentários quanto nos filmes de ficção.

por Francisco Russo

Agora é pra valer! Após um dia de festa na abertura do Festival de Brasília, com a exibição fora de competição de A Última Estação, chegou a vez dos competidores pelos troféus Candango entrarem em cena. O primeiro dia de competição contou com dois longa-metragens: Um Filme para Dirceu, de Ana Johann, e Eles Voltam, de Marcelo Lordello.


Dirceu Cieslinski (centro) e a diretora Ana Johann, de Um Filme para Dirceu (foto: Junior Aragão)


A trajetória que levou Um Filme para Dirceu às telonas, mostrada no próprio documentário, é mais interessante do que o filme em si. Dirceu Cieslinski, hoje com 26 anos, procurou a diretora Ana Johann no intuito de rodar um filme sobre sua vida. A ideia era fazer algo no mesmo estilo que 2 Filhos de Francisco, mas acabou convencido de que seria melhor rodar um documentário. Após três anos em que Ana acompanhou a vida de Dirceu, o filme foi concluído e exibido em primeira mão no Festival de Brasília.

A grande pergunta, que o próprio Dirceu faz em cena, é por que rodar um filme sobre sua vida? Apesar da história de superação - ele teve uma doença que afetou suas pernas e o deixou um ano em uma cadeira de rodas -, o filme se baseia principalmente na sua personalidade inquieta. Brincalhão, vaidoso e carismático, ele é uma figuraça. "Sou palhaço por natureza. Por mim, não tem tristeza não. Minha ideia era fazer um filme com a gente fazendo arte", revelou o próprio Dirceu no debate sobre o filme realizado na manhã de hoje.

Apesar de divertido em certos momentos, Um Filme para Dirceu peca pelo exagero. A falta de foco e assunto a ser trabalhado é problemática, fazendo com que sequências inteiras soem descartáveis. Um média-metragem em torno de 40 minutos já seria suficiente para apresentar o jeito louco de ser de Dirceu.


O diretor Marcelo Lordello (direita) e a equipe de Eles Voltam (foto: Junior Aragão)


O maior destaque da noite ficou por conta de Eles Voltam, estreia do diretor Marcelo Lordello na ficção. Com uma premissa bastante interessante, dois irmãos adolescentes abandonados à beira da estrada pelos pais, o filme conquistou o público a partir do olhar da garota Cris (Maria Luiza Tavares), de apenas 12 anos. Em sua jornada ela tem contato direto com as diferentes realidades do Brasil, passando por um contínuo processo de amadurecimento.

Bem dirigido por Lordello, que dedicou a sessão ao falecido diretor Carlos Reichenbach, Eles Voltam é um filme de mistério conduzido de forma lenta, com poucas palavras, de forma a ressaltar a apatia dos personagens principais. O filme sofre uma queda justamente quando a grande questão - os pais vão voltar? - é enfim revelada, já que se estende por mais 20 minutos. Uma duração menor, ou uma melhor divisão nos eventos apresentados, evitaria este problema.

Apesar dos problemas técnicos que prejudicaram a exibição, especialmente em relação ao áudio, Eles Voltam foi bastante aplaudido após a sessão. Na coletiva realizada hoje pela manhã, o diretor Marcelo Lordello revelou seu descontentamento com a projeção, apesar de não querer se aprofundar na questão. "Meu filme não é assim", ressaltou.


Na noite de hoje mais dois longa-metragens serão exibidos no Teatro Nacional Cláudio Santoro, sede do festival deste ano: o documentário Kátia, de Karla Holanda, e a ficção A Memória que Me Contam, de Lucia Murat. O AdoroCinema estará lá!

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