Diário de Brasília: abertura homenageia imigração libanesa no Brasil

De AdoroCinema ▪ terça-feira, 18 de setembro de 2012 - 13h18

A Última Estação abriu o Festival de Brasília e foi aplaudido pelo público.

por Francisco Russo


Com meia hora de atraso, teve início o 45º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O evento, o mais antigo de cinema realizado no Brasil, traz como principal novidade a separação dos longa-metragens de ficção e documentários, que a partir deste ano deixam de competir juntos. Ao todo os selecionados para as cinco mostras competitivas (duas de longas e três de curtas) concorrem a R$ 365 mil em prêmios, além dos cobiçados troféus Candango.

Apresentada pelos atores Murilo Grossi e Bidô Galvão, a cerimônia de abertura trouxe uma homenagem especial a Paulo Emílio Salles Gomes, conhecido crítico de cinema brasileiro que criou o festival, em 1965. Grossi ainda interpretou um dos textos mais conhecidos do crítico, onde afirma categoricamente que "o pior filme nacional é melhor do que qualquer filme estrangeiro". O brado arrancou aplausos e algumas vaias do público, pelo caráter ufanista e patriota da declaração.



Entretanto, os grandes homenageados da noite eram os imigrantes libaneses em solo brasileiro. Com vários representantes do país entre os convidados, o público pôde acompanhar A Última Estação, coprodução Brasil/Líbano que não está na disputa pelas premiações. O longa-metragem, que marca a estreia do produtor Marcio Curi como diretor, acompanha a trajetória de Tárik (Mounir Maasni) de sua vinda ao Brasil até a velhice, quando decide reencontrar os velhos amigos de viagem. A adaptação das crenças de origem ao estilo brasileiro de ser, além do choque entre a nova e a velha geração, foram alguns dos temas abordados.

"A Última Estação vem em um momento bastante oportuno, quando filmes irresponsáveis estão causando tragédias. Este é um filme que respeita as tradições libanesas", disse o roteirista Di Moretti, se referindo aos problemas causados por A Inocência dos Muçulmanos junto à comunidade muçulmana ao redor do planeta. Ao término da exibição, o longa foi calorosamente aplaudido pelo público, apesar de não ter agradado a boa parte da crítica especializada.


Outros destaques da noite de abertura foram a apresentação da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro, com músicas ressaltando a cultura libanesa, e a bela declaração de amor feita pelo diretor de fotografia Krishna Schmidt, dedicando o filme à esposa. A frustração ficou por conta da ausência de Marta Suplicy, recém-empossada no Ministério da Cultura, que também não enviou representante à cerimônia.

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