Colunas - Treze Homens e Um Novo Segredo
Sem Segredo
Danny Ocean retorna em filme repetitivo e confuso
Você já viu este filme, e várias vezes. Filmes de assalto costumam seguir a mesma fórmula: apresentação dos envolvidos, planejamento do golpe e sua execução propriamente dita, geralmente com uma reviravolta visando pegar o espectador de surpresa. O final costuma ser previsível, mas isto pouco importa. O relevante é o modo como tudo se desenrola, como as vítimas são enganadas, como os detalhes do plano milimetricamente funcionam. Às vezes dá certo, como na refilmagem de Onze Homens e um Segredo. Às vezes não, como em Treze Homens e um Novo Segredo.
Não funciona porque tudo se repete em relação aos filmes anteriores da série. Treze Homens e um Novo Segredo é quase que uma recriação menos inspirada do filme original, acrescentada de uma pitada de vingança - que também existia no original da trilogia, em menor dose, ao se referir ao triângulo estrelado por George Clooney, Julia Roberts e Andy Garcia. Os "onze de Ocean" mais uma vez se reúnem para executar um plano mirabolante, mais uma vez aplicado em Las Vegas e mais uma vez contra um dono de cassino rival. Willie Bank, personagem de um Al Pacino um tanto quanto exagerado, é o Terry Benedict da vez. Sua função é ser arrogante e subestimar a trupe de Danny Ocean, nada além disto, assim como fez o personagem de Andy Garcia no original. Mais uma vez, nada de novo.
É claro que nem tudo é igual. Julia Roberts e Catherine Zeta-Jones, as mulheres da trupe, estão fora do filme. Elas até são mencionadas logo no início, em diálogos que servem como justificativa pela ausência de ambas. Funcionaria se a história não durasse mais de 6 meses. O completo esquecimento delas, especialmente a personagem de Roberts, que tem maior envolvimento com a trupe, durante todo o restante da trama causa estranheza. Outra mudança é que, como não é mais necessário apresentar os personagens, há mais tempo para desenvolver o golpe. O que faz com que ele fique bem mais complexo, cheio de nuances e detalhes que tornam a trama confusa. Não basta apenas roubar o cassino, é preciso manipular máquinas, construir artefatos, mudar ingredientes químicos em fábricas, construir um túnel e outras estripulias mais. A questão não é a facilidade com que tudo ocorre - em filmes deste tipo é preciso relevar isto -, mas sim tudo acontecer sem muitas explicações. Fica a impressão de que não importa muito o porquê daquilo estar ocorrendo, e sim estar ocorrendo.
Em meio a tantas repetições, uma delas consegue em parte sustentar o filme: as brincadeiras envolvendo os atores. É notória a amizade existente entre vários deles, que mais uma vez repercutem na tela. Situações como as conversas interrompidas entre Clooney e Pitt e a brincadeira envolvendo a apresentadora Oprah Winfrey até divertem. São pequenos momentos que conseguem quebrar o marasmo que é assistir a Treze Homens e um Novo Segredo.
por Francisco Russo
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