Colunas - Harry Potter e o Cálice de Fogo
Mudança
de Rumo
Harry Potter chega à adolescência no melhor filme
da série
Algo que é preciso ter em mente ao assistir qualquer
filme da série Harry Potter é que haverá
muitos cortes na história apresentada pelo livro. Não
se trata de má vontade dos responsáveis pela
série mas sim da própria impossibilidade de
transpor tudo para o cinema, ainda mais considerando um livro
de mais de 500 páginas e que possui tantas tramas paralelas,
como é o caso de "Harry Potter e o Cálice de
Fogo". Todos os filmes já lançados passaram
por esta situação e, pelo tamanho do 5º
e do 6º livro, ela voltará a se repetir nos próximos
filmes.
Apesar
dos inúmeros cortes, que limaram subtramas inteiras
do 4º livro e diminuíram bastante o desenvolvimento
de outras tantas, o básico de "Harry Potter e o Cálice
de Fogo" foi mantido. O que há de mais importante está
lá: o ressurgimento de Voldemort, a aparição
da marca dos Comensais da Morte na Copa de Quadribol, as mudanças
de relacionamento entre o trio protagonista, o torneio TriBruxo
e suas consequências. Quem já leu o livro em
vários momentos fica com a impressão de que
falta algo para explicar melhor determinada situação,
mas por outro lado a ausência de tantos detalhes permitiu
que o filme tivesse um ritmo adequado, sem fazer com que a
história fosse corrida, um problema que afetou
os dois primeiros filmes da série. Ponto para o roteirista
Steven Kloves, que conseguiu enxergar uma linha mestra no
meio de tantos acontecimentos do 4º livro.
Harry
Potter e o Cálice de Fogo marca também
uma mudança na série do cinema, que já
era notada nos livros mas era minimizada nos filmes.
Os personagens cresceram e juntamente cresceram os desafios,
ampliados pelo clima de tensão que cerca o mundo da
magia. O filme mantém este clima sombrio, usando poucas
cores e não poupando o público de cenas mais
fortes. Nada aterrorizante, mas com certeza mais pesado do
que os filmes anteriores - não é a toa
que este ganhou a censura de 10 anos por aqui, inédita
para a série. O estilo aventura infantil visto nos
filmes anteriores não mais existe, até porque
a história pede por isso. O acerto de Mike Newell foi
manter este clima, ao invés de amenizá-lo de
forma a conseguir uma censura mais branda. Ponto para o diretor
pela decisão.
O crescimento
dos atores mirins é visível também na
melhora de suas atuações. Emma Watson mais uma
vez se destaca com sua Hermione, como já havia ocorrido
no filme anterior. Daniel Radcliffe aparenta estar mais confortável
com a posição de protagonista, lidando bem tanto
com as cenas de ação quanto com as cenas do
baile. Estas últimas, por sinal, tornam explícita
a chegada à adolescência dos personagens. O desespero
de Harry e Rony para convidar uma garota a ir com eles ao
baile proporciona os momentos mais cômicos do filme,
sendo também uma espécie de alívio pelo
que a história ainda irá mostrar.
Harry
Potter e o Cálice de Fogo é o melhor filme
da série por ser um conjunto de elementos que deram
certo. A direção sóbria de Mike
Newell, sem excessos, dá o tom sombrio necessário
à trama. O elenco como um todo está bem, com
destaque entre os adultos para Ralph Fiennes, irreconhecível
como Voldemort. Há momentos divertidos, como as
cenas do baile; boas cenas de ação, especialmente
o duelo de Harry com o dragão no Torneio TriBruxo;
e ainda cenas impactantes até mesmo para quem já
leu o 4º livro, como o duelo final. Trata-se de um filme
muito bom e, especialmente, uma boa adaptação
do livro, por conseguir manter o clima que cerca toda sua
história. O melhor filme da série, ao menos
até o momento.
por Francisco Russo
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