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Colunas - Duro de Matar 4.0

Duro de Matar 4.0
Fôlego para 5.1

Lá vamos nós! Quem pega carona com John McLane deveria saber o perigo que está correndo. Assistir uma seqüência de Duro de Matar é risco calculado e a recompensa é adrenalina e diversão. Muita diversão. Se você pegar o filme no início, a brincadeira já começa na logo da Fox. Não chega a ser novidade (outros filmes já fizeram), mas é bem bacana. Deixa você no clima cyber da aventura. O humor característico dá as caras no diálogo entre McClane e a filha rebelde. "Você disse que eu estava morto?", pergunta ele indignado. É o pontapé inicial para o festival de tiradas que Willis saca da manga desde os tempos do seriado “A Gata e o Rato”.

Como aconteceu desde o primeiro, o vilão é um terrorista e vai penar pra colocar seu plano em ação porque McClane não tem um plano: tem um objetivo. Sempre. Apesar da repetição da fórmula, está tudo lá. Até aquela conversinha fiada, marca registrada do personagem, e a troca de farpas via rádio, telefones, celulares e - agora - webcam. E ainda faz efeito porque - como é dito no filme - ele “é o cara”.

E o legal é relaxar e curtir a aventura. É o James Bond americano. Enquanto Bond dispõe de um arsenal de novidades, McLane usa sua indefectível pistola contra um verdadeiro arsenal. E Jackie Chan fez escola ao usar o cenário como coadjuvante em sua coreografia. Willis mostra que é bom aluno ao usar, por exemplo, um extintor numa cena muito boa. É só conferir.

O Le Parkour é um elemento de ação que veio para ficar nos filmes e, mais uma vez, é praticado por vilões. As seqüências, embora breves, são ótimas. As cenas de ação são fantásticas. Destaque para o momento do hidrante, do túnel (excelente) e do carro detonando o helicóptero. Vibrante. Aliás, esse é um ponto que justifica o sucesso da série. Por mais “americanóide” que seja. Você torce - e dá risada - com o herói. Quer fórmula melhor? E tudo isso sem ver muito sangue nos bandidos. Só no herói, que vai acumulando machucados ao longo da história. Como um videogame. A seqüência do duelo entre o caminhão e o jato beirou a insanidade, mas impressionou pelo bom gosto e adrenalina.

O lado cyber desta aventura é bacana. Move a trama para frente e deixa a gente com a pulga atrás da orelha com esse excesso de conectividade dos dias atuais. Isso é fato. A mensagem terrorista em cadeia nacional usando trechos das falas de ex-presidentes foi muito boa e o mesmo vale para o capitólio explodindo.

Entre as mancadas que poderiam ter sido evitadas, o momento dentro do carro roubado e eles falando com a central do seguro. Como? Com as comunicações bloqueadas? Erro grave. E a facilidade de locomoção dos heróis, no meio do caos, incomodou bastante. Carregaram demais na tinta. Haja licença.

A curiosidade fica para a participação do ator e cineasta Kevin Smith, do cultuado Dogma, apaixonado por quadrinhos e Guerra nas Estrelas. O número 666 no rádio amador foi emblemático.

Finalzinho ridículo e pasteurizado, com a chegada em câmera lenta dos policiais e o indefectível “Freeze!!”. Era melhor ter deixado uma brecha para o 5.1.

Ou você ainda duvida que Bruce “McClane” Willis tem fôlego para mais um?

por Roberto Cunha



Colunas do Filme

Roberto Cunha (2007)

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