Henrique Miura (e-mail),
Leitor do Adoro Cinema - Nota 7:
"Aclamado
no Festival de Sundance, lembrado no Oscar e no Globo de Ouro, este "Conte
Comigo" acabou sendo deixado pelo público americano e depois de
muito tempo finalmente chegou diretamente em video aqui no Brasil. Mesmo com
o filme festejado pela crítica lá fora, ele nem deu às
caras no circuito de arte aqui no Brasil. É difícil saber o porquê,
pois é um drama certinho e bem feito. Agora, esse filme é a prova
de que nem sempre é apropriado dirigir o filme aquele que escreveu o
roteiro. Ken Lonergan é criativo e sensível no roteiro, mas na
direção parece indeciso e sem precisão. Comete alguns erros,
por exemplo, cortar as cenas antes de seu final, deixando para o espectador
a oportunidade de concluí-la. Uma técnica bem interessante, só
que não é bem vinda em um drama.
O filme começa muito bem.
Apresenta os personagens com extrema facilidade e eficiência, inicia a
história de maneira leve e ao mesmo tempo com uma boa carga dramática.
Até a primeira hora de duração, o filme flui normalmente,
mesmo sendo regulado ao extremo, o que começa a incomodar na hora seguinte,
que é quando o filme cai no marasmo. A história parece não
ter mais rumos a seguir até chegar na conclusão da história,
as cenas já começam a se tornam clichê, a repetição
se torna enjoativa e o filme então começa a dar os primeiros sinais
de fragilidade, onde fez falta um grande diretor.
O filme conta a história de
dois irmãos: Sammy (Laura Linney, ótima) e Terry (Mark Ruffalo).
A primeira é uma batalhadora. Tem um filho e trabalha há sete
anos em um banco. Já seu irmão não parece ter muito que
fazer da vida e apenas vai levando-a. A história começa mesmo
quando Terry manda uma carta para Sammy dizendo que irá fazer uma visita.
Sua chegada não é tão animadora, ele chega pedindo dinheiro
e ainda dizendo que foi preso. Com o passar do tempo, Terry conquista a amizade
de Rudy (Rory Culkin), seu sobrinho de 8 anos. Enquanto isso, Sammy se envolve
com o novo gerente do banco (que é casado), mesmo tendo um "rolo"
com Bob (Jon Tenney).
O filme mostra um agradável
relacionamento entre tio e sobrinho e uma conturbada relação entre
irmãos. O filme ainda explora com muita veracidade a situação
vivida pela protagonista, que está passando um momento de duvidas e decisões.
errado
O roteiro ainda abre espaço para diversão e educação,
além de lição de moral e aprendizagem. A falha geral fica
por conta do diretor, que conduziu a filme da maneira errada. Porém,
um dos grandes méritos do filme fica por conta do ótimo elenco.
Laura Linney está ótima, uma atuação contagiante.
Mark Ruffalo está mediano, pelo menos não compromete. Matthew
Broderick tem um personagem superficial, mas dá conta. A decepção
fica por conta do garotinho Rory Culkin, bastante inexpressivo.
"You Can Count On Me" é
um bom drama, que poderia ser excelente. O texto é brilhante, mas a direção
é fraca. O filme recebeu duas indicações ao Globo de Ouro,
ambas merecidas, de Melhor Roteiro e Melhor Atriz para Laura Linney, que foram
repetidas no Oscar. "Conte Comigo" é um drama bonito para se
ver a apreciar, uma bela lição familiar. Pena que não vai
além disso..."