Henrique Miura (e-mail), Leitor do Adoro Cinema - Nota 4:

""O Xangô de Baker Street" é de longe a produção nacional mais bem produzida dos últimos tempos. Pena que o filme não responda à altura e se torna por enquanto o pior filme nacional que vi errado nos cinemas em 2001. Nem tanto demérito dele (que existe sim), mas os outros filmes nacionais foram bem mais elaborados e trabalhados e sempre chegavam a algum lugar. Mas esse aqui anda e não chega a lugar algum, a não ser um belo sono no cinema.

O livro de Jô Soares chamou a atenção na época de seu lançamento por envolver o detetive mais famoso da história. Usando uma idéia sobre um serial killer, ele montou toda uma trama intelectual e montou tudo fazendo com que o livro se tornasse um pouco envolvente com sua narrativa.

Logo que o livro estourou nas vendas, o interesse em criar um longa veio a tona. A produção iniciou-se e teve diversos problemas. Logo já imaginava-se que a produção jamais terminaria, mas nesse ano ela foi finalizada e lançada. O resultado foi decepcionante e pouco envolvente, deixou personagens sem o mínimo sentido dentro da história, apenas fazendo confusão e deixando o filme cada vez mais cansativo e chato. Em poucos minutos da projeção os bocejos já se iniciam e parece que o filme jamais irá terminar, principalmente no final, extenso demais.

Mesmo contando com uma produção impecavel, Miguel Faria Jr. deixou o filme com milhares de defeitos em detalhes em cenas. Os assassinatos são muito mal feitos e sem graça, aliás a única coisa que não deixa o filme ser dos piores são algumas piadinhas, que por sinal são realmente bem legais. Só que o filme envolve suspense, comédia e um fundinho de policial. O suspense é vagabundo demais e a trama policial vacila muito.

Após um roubo de um violino e uma série de assassinatos, Sherlock Holmes (Joaquim de Almeida) e seu companheiro inseparável Dr. Watson (Anthony O'Donnell, o melhor do elenco!) são chamados ao Brasil para tentar solucionar o problema. Enquanto isso o delegado Pimenta (Marco Nanini) tenta junto solucionar o problema, para mostrar que a polícia de lá não é incompetente.

A partir dessa base o roteiro entra com um romance na história bem chato e pouco convincente, ficamos tentando descobrir quem é o assassino, mas é impossivel descobrir de verdade quem é, pois o personagem é tão estúpido que jamais imaginamos essa pessoa. Enquanto isso entra algumas peças suspeitas na história, apenas para nos fazer de tolos, pois são totalmente uma carta fora do baralho.

"O Xangô de Baker Street" foi uma experiência decepcionante. Esse ano eu estou tão satisfeito com o cinema nacional, mas esse aqui foi o mais fraco entre todos. Aliás, de todos que vi anteriormente o mais fraco era pelo menos bom, mas agora com esse aqui vem a primeira bola forado cinema nacional do ano. Mas com uma coisa fiquei feliz com a sessão que fui, pois em todos os filmes nacionais que fui ver esse ano a sala sempre estava com uma número muito pequeno de público, mas nesse aqui o público parece que se interessou bastante e vi pela primeira vez um filme nacional com sala (não muito cheia) com um público bem satisfatório, apenas as cadeiras mais da frente ficaram vazias. Quem sabe assim o próprio público comece BORDER="0" SCROLLING="no" FRAMEBORDER="0"> a se interessar mais por filme daqui também. Não que tenha que rejeitar os americanos, mas variar é bom."