Anna Monteiro (e-mail), Leitora do Adoro Cinema - Nota 7:

"O título de 'Do que as Mulheres Gostam' já diz tudo. Elas, ou melhor, nós gostamos do Mel Gibson sim, dos olhos azuis e do sorriso largo, do charme do galã de meia idade com as rugas que cremes e maquiagem não escondem mais, dos diálogos óbvios de duplo sentido, de rir de situações bobocas e de comer pipoca no escurinho do cinema. Cinema é diversão e "Do que as Mulheres Gostam" serve para isso mesmo: divertir. Quando se cruza a saída do cinema, já esquecemos do filme, é noite de domingo e hora da pizza.

O filme trata de uma história boba: a de um publicitário machista que perde uma promoção, na agência onde trabalha, para uma mulher, vivida por Helen Hunt, a quem quer derrubar. Depois de um acidente doméstico, completamente estapafúrdio, ele passa a ler os pensamentos de todas as mulheres do mundo. Como em toda comédia romântica, o mocinho vira um tremendo de um bom caráter e se apaixona pela mocinha já apaixonada por ele desde o momento em que o viu pela primeira vez.

A diretora Nancy Meyers, também roteirista, poderia ter tido mais criatividade para sair do clichê 'Homens são de Marte, mulheres são de Vênus', ou vice-versa, e trabalhar a relação dos personagens de forma menos caricata, mostrando que BORDER="0" SCROLLING="no" FRAMEBORDER="0"> mulheres pensam um pouco além do trivial e que os homens não são tão canalhas, afinal. Tudo bem que não vai se exigir agora um roteiro à la Billy Wilder, mas um pouco de esforço não faz mal a ninguém.

Helen Hunt, além de boa atriz, é uma presença simpática e carismática, que faz o espectador, mesmo sem querer, se apaixonar por sua personagem poderosa e ingênua e torcer para que ela tenha um final feliz. Já Mel Gibson ... é Mel Gibson, olhos azuis, sorriso largo, charmoso, bonito, casaco de couro. Não deu pra sentir falta do revólver de 'Máquina Mortífera' nem das carabinas de 'O Patriota', mas ele não varia muito de expressão e parece meio sem jeito num padrão bem diferente do que ele se acostumou.

E já que o filme tinha a Helen Hunt, senti falta mesmo foi do Jack Nicholson - a dupla de 'Melhor É Impossível' --, mas com ele tudo muda de figura. É isso: "Do que as Mulheres Gostam" seria um ótimo filme se tivesse Nicholson e fosse dirigido pelo Billy Wilder. Como isso é impossível, o filme é razoável. E come-se a pipoca, dá-se umas gargalhadas e pensa-se na pizza preste a ser devorada."