Henrique Miura (e-mail),
Leitor do Adoro Cinema - Nota 8:
"Os
Lisbons formam uma bela e aparentemente feliz família em um pequeno e
pacato bairro de Michigan. O pai da família (James Woods) é o
professor de matemática da escola e a mãe (Kathleen Turner, de
"Bebês geniais") é uma religiosa fervorosa, que até
obriga uma das filhas a queimar os discos de rock, que faziam sucesso na época.
Contudo, o grande chamativo de toda a família para os garotos da cidade
são as belas e angelicais cinco filhas do casal.
Os garotos do bairro são apaixonados
pelas garotas e a história é narrada através do ponto de
vista deles. A história começa quando a filha mais nova da família
tenta cometer suicídio. Com a tentativa fracassada, a família
chocada resolve dar uma festa para o retorno da garota. Entretanto, a tragédia
volta a rondar a família e Cecília (Hanna R. Hall), aos 13 anos,
acaba conseguindo o que outrora havia falhado. A família, perplexa, passa
então a viver sobre esse peso, porém as coisas ainda iriam piorar
ainda mais com o fim do baile de formatura da escola.
O filme é dirigido (e muito
bem por sinal) por Sofia Coppola, que também foi responsável pelo
roteiro da produção. Depois de sua fraquíssima estréia
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como atriz no excelente "O Poderoso Chefão 3", onde Coppola
colocou a filha em uma grande roubada, Sofia mostra que o talento da família
é atrás das câmeras e não atuando. O segredo deste
"As Virgens Suicidas" é que o filme tem alma e coração,
e é conduzido com extrema sensibilidade e segurança. Uma coisa
que praticamente leva um filme a ter qualidade é o diretor estar consciente
daquilo que quer contar e Sofia a todo momento está sóbria.
O roteiro do filme é baseado
no livro de Jeffrey Eugenides, onde Sofia roteirizou sem ao menos ter os direitos
para realizar o filme. Porém quando terminou o roteiro e levou para a
aprovação do autor o resultado foi positivo e ela conseguiu o
direito de realizar o projeto. Como é sua estréia na direção,
o "paizão" Francis Ford Coppola esteve sempre ao lado da moça
no começo das filmagens. Isso parece dar dado uma confiança maior
para ela, pois sua direção, assim como a do pai, é totalmente
criativa.
Sofia estréia muito bem na
direção mas, claro, algumas falhas no ritmo da fita chegam a incomodar
um pouco. Sua inexperiência é nítida apenas no desenrolar
da história, que perde agilidade e dinâmica e acaba ficando muito
parada e sem versatilidade. Porém só aquele começo opressivo,
assustador e melancólico já foi uma prova certeira do talento
da moça em envolver o espectador. Depois do fulminante começo,
o filme caminha para uma certa descontração, que dura durante
quase toda a fita, até o ponto do clímax após o baile.
Daí então, começa um show de fatos chocantes e surpreendentes.
É assustador e doloroso.
Basicamente a personagem central
da trama é Lux Lisbon, que é interpretada pela ótima Kirsten
Dunst. A personagem é a mais "rebelde" entre todas as filhas
da família e chega a ter um caso amoroso com Trip Fontaine (Josh Hartnett),
o galã da história. Dunst mostra maturidade e inteligência
para carregar a personagem, dando tons de sensualidade, carisma e uma dramaticidade
incrível, passando sem exageros e estereótipos, comuns em atuações
do tipo. Todas as garotas atuaram perfeitamente (todas lindas e expressivas),
porém não podemos dizer o mesmo do sexo aposto. Excluindo James
Woods, que está ótimo como sempre, o resto do elenco masculino
faz feio. Josh Hartnett é muito fraquinho para atingir a complexidade
do personagem, lamentável sua escolha. Temos ainda uma participação
especial de Danny DeVito, que aparece mal. Aliás, muito mal.
"As Virgens Suicidas" é
um filme que empolga em certos momentos, porém em outros o filme parece
perder o ritmo e fica empacado. Contudo, estou muito animado para esperar um
novo filme de Sofia Coppola, onde ela terá mais experiência. Não
tenho dúvidas de que o filme é bom, mas fica aquela sensação
de que poderia ser melhor, comum quando se espera demais de um filme. Este é
um filme que deve ser visto por pais e mães juntos com os filhos, ser
avaliado minuciosamente e ser refletido. Será bom para ambas as partes..."