A Vida Secreta das Palavras

A Vida Secreta das Palavras 2010-05-22 Francisco

Título original: (La Vida Secreta de las Palabras)

Lançamento: 2005 (Espanha)

Direção: Isabel Coixet

Atores: Sarah Polley, Tim Robbins, Javier Cámara, Eddie Marsan.

Duração: 115 min

Gênero: Drama

Status: Arquivado

5           10 7 5

(7 votos)

                   

Sinopse

Hannah (Sarah Polley) tem 30 anos, é introvertida, solitária, misteriosa e trabalha numa indústria têxtil. Ela vai passar as férias num pequeno povoado costeiro, em frente a uma plataforma petrolífera. Um incidente faz com que ela permaneça alguns dias na plataforma cuidando de Josef (Tim Robbins), que sofreu uma série de queimaduras que o deixaram cego temporariamente. Com ele trabalham vários outros homens, cada um com uma personalidade marcante.

 

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Elenco

Sarah Polley

(Hanna)

Tim Robbins

(Josef)

  • Javier Cámara (Simon)
  • Eddie Marsan (Victor)
  • Steven Mackintosh (Dr. Sullitzer)
  • Julie Christie (Inge)
  • Danny Cunningham (Scott)
  • Dean Lennox Kelly (Liam)
  • Daniel Mays (Martin)

Comentários

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Jair em 22/10/2010Nota: 4     


Para começar, surpreendeu-me que o filme seja espanhol, não estou acostumado assistir filmes espanhóis a não ser Almodóvar.  Escrito e dirigido por Isabel Coixet, profícua diretora de séries da TV espanhola e com passagem marcante pelo cinema. Tem Tim Robbins numa atuação limitada pelo personagem que está temporariamente cego e acamado, mas com presença bem expressiva e convincente. A canadense Sarah Polley, da qual só lembro de, “As aventuras do Barão Muchausen”, de 1988, está na área desde 1985 e é uma atriz fantástica. Considerando que todos os demais atores do elenco, com exceção de Tim Robbins, apenas marcam presença, a personagem Hannah/Cora de Sarah, carrega o piano e se sai muito bem.


Hannah tem 30 anos, é extremamente reservada e trabalha numa indústria de embalagens plásticas onde não se relaciona com ninguém. Depois de seu chefe insistir muito ela vai passar férias num modesto povoado costeiro, em frente a uma plataforma petrolífera. Lá, hospedada em pequeno hotel, toma conhecimento de um grave acidente na plataforma que a faz lembrar-se que é (já foi) enfermeira. Contrariando sua introversão, apresenta-se para cuidar de um acidentado Josef (Tim Robbins), que, devido à gravidade de seus ferimentos, não pode ser removido e está temporariamente privado da visão. Na plataforma, agora semi desativada por causa do acidente, existe um mini cosmo formado por vários homens, cada um com uma personalidade marcante.


Não é preciso lembrar que num espaço limitado como a plataforma, não há como esperar muito movimento, muita ação, portanto, o desenrolar do enredo fica por conta do jeitão com o qual cada ator conduz seu personagem. Hannah, ao desembarcar do helicóptero que a transportou, tem um brevíssimo encontro com médico que até então cuidou do paciente Josef, já que o médico deixa a plataforma no mesmo helicóptero que a trouxe. Neste encontro vemos o primeiro laivo da profunda dor que vai pela alma de Hannah. A iniciar os cuidados ao paciente, nota-se que ambos têm cicatrizes na alma, e ele, muito mais falante, tenta ser galante tenta um aproximação com a enfermeira, embora esta, no princípio, se recuse a responder qualquer pergunta pessoal. Parece um duelo em que Josef quer saber tudo dela, enquanto ela nada responde, se limita a ações puramente profissionais. Hannah descobre no seu quarto o telefone celular onde tem uma mensagem de uma mulher que está lendo “Confissões de uma freira portuguesa”, e que se diz apaixonada por Josef que lhe deu o livro.


Os dias passam, outros trabalhadores da plataforma mostram suas personalidades, o biólogo, o cozinheiro, o chefe, o zelador, o que cuida das máquinas, mas, o que conta é que Hannah vai rompendo o silêncio aos poucos, vai abrindo seu passado com pequenos gestos, monossílabos e atos os quais não passam despercebidos pelos outros, principalmente Josef, que também mostra que os esqueletos no seu armário o incomodam. As coisas vão se encaixando, de modo que ambos se vêem confessando suas dores e seus pesares, o passado que os acompanha é pesado e eles acabam, finalmente, abrindo-se um ao outro. Desnecessário dizer que encontram-se nas suas angústias e fazem uma catarse que os redime. Só que Hannah se recusa a assumir que gosta de Josef e, ao fim do tratamento, este é removido para um hospital e Hannah volta à sua vidinha insípida na fábrica.  


Na verdade, o filme não é uma história de amor, é uma história de vidas despedaçadas por catástrofes (no caso de Hannah, guerra) causadas pelo próprio homem, e egoísmos que não levam conta o quanto podem prejudicar o outro, aquele que por estar ao lado não percebe o quanto um amigo pode ser falso. O fim da história cai no lugar comum que todos esperam e nada acrescenta à qualidade do roteiro e montagem excepcionais. É um ótimo filme. JAIR, Floripa, 01/09/10.

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alexandrepastre em 28/08/2010Nota: 4     

Tamanha dedicação de Hanna ao trabalho, como negação às férias, e compaixão por Josef tem uma raiz clara. Quando o segredo do filme parece relevado e o restante poderia ser o continuísmo, a trama paulatinamente releva outras conotações, como a percepção sobre massacres envolvendo armênios, o período do nazismo e, principalmente, os conflitos nos Bálcãs. Paradoxalmente, muito do que Hanna quer, mesmo com a surdez provavelmente recebida na guerra, é mais silêncio. Ainda assim, isso ainda a persegue pelos motivos que o roteiro ajuda a mostrar com clareza. Outros assuntos paralelos, como o poder revelador do silêncio e a intensidade que as palavras ganham em certos contextos, também merecem nota.

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Erika Liporaci, Colunista em 02/01/2005Nota: 4.5     

A vida da reservada Hannah se resume a seu trabalho numa indústria têxtil. Um dia o patrão praticamente a obriga a tirar férias, o que a deixa desnorteada. Sem saber como passar o tempo, ela arruma uma ocupação inusitada: ir para uma plataforma petrolífera cuidar de Josef, um funcionário que sofreu um grave acidente. Ele tem queimaduras por todo o corpo e está temporariamente cego. A princípio, parece tratar-se de um filme sobre a incomunicabilidade humana. Além de Hannah e Josef, todos a bordo da plataforma parecem estar ali por uma tendência ao isolamento. Tão envolvidos com seus próprios fantasmas que é como se estivessem sozinhos. O filme começa frio, impessoal como a protagonista prefere manter suas relações. Mas, progressivamente, a dolorida história de Hannah vai se revelando e ganhando o espectador. Há muito mais sobre a personagem do que se supõe numa primeira leitura. A mulher retraída, solitária e que gosta que assim o seja é uma percepção correta, porém superficial. E é justamente quando o filme começa a revelar o porquê do seu comportamento que certas passagens mostradas anteriormente ganham um sentido mais amplo, como, por exemplo, a obsessão de Hannah com as barras de sabão. Mas é um significado mais sugerido do que imposto. Sutilezas da direção da promissora Isabel Coixet, que também realizou o sensível "Minha vida sem mim". Outro ponto alto são as interpretações comoventes de Sarah Polley e Tim Robbins. Todos os diálogos entre os dois são repletos de emoção genuína. Há, ainda, um pequeno mimo para os fãs de "Casablanca": é possível reconhecer a citação quase literal de uma famosa fala de Humphrey Bogart.

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Alice Prezotto Iankowskia em 04/01/2005Nota: 4.5     

Muito bom. A sinopse parece muito sem-graça, e até o meio do filme é um tédio só.... mas, à medida que vamos conhecendo os personagens, a história fica instigante. Ninguém consegue imaginar porque os personagens agem dessa ou daquela forma até a verdade aparecer.Aquele tipo de filme que consegue mostrar toda a dor dos traumas que as pessoas levam dentro de si, sem sem apelativo ou melancólico. E no final, como podemos reconstruir e ter esperança, apesar de toda a dor.... vale a pena!!! Uma lição!

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Gustavo da Silva Vieira em 03/01/2005Nota: 5     

Já não é de hoje que Isabel Coixet tem grande importância para o cinema espanhol. A diretora e roteirista catalã é conceituada e reconhecida não só pela produção de excelentes obras, mas por sua maneira singular de explorar com bastante delicadeza e relevância sentimentos como o amor e amizade, a tristeza e melancolia, saudade e solidão, temores e aflições; sentimentos comuns ao ser humano. Nascida em Barcelona (Catalunha) em 9 de abril de 1962 e formada em História pela Universidade de Barcelona, antes de entrar para o ramo do cinema, trabalhou como jornalista na revista "Fotogramas" e que mesmo com a carreira de cineasta, vem realizando diversos trabalhos de publicidade. Em seu currículo constam obras brilhantes como "Hay motivo (Há Motivo)" de 2004, "Mi vida sin mí (Minha vida sem mim)" de 2003 (Primeira produção com idioma inglês), "A los que aman (Aos que amam)" de 1998, "Cosas que nunca te dije (Coisas que Nunca te Disse )" de 1995, "Demasiado viejo para morir joven" de 1988; dirigidos e escritos por ela, com exceção de "Hay motivo (Há Motivo)". A Catalã vem conquistando diversos prêmios ao longo de sua carreira, dentre eles o mais importante é o Goya, conceituada Academia de Prêmios Anuais Espanhola. Sua mais premiada produção foi o filme "Mi vida sin mí (Minha vida sem mim)" de 2003, que conquistou os prêmios de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Original. Sua mais nova obra é o filme "A Vida Secreta das Palavras (La Vida Secreta de las Palabras - The Secret Life of Words), segunda produção em idioma inglês da cineasta, escrita e dirigida por ela mesma. O filme foi o grande vencedor do Prêmio Goya no ano (2006), recebendo os prêmios por Melhor Filme, Melhor Diretora, Melhor Roteiro Original e Melhor Direção de Produção (Esther Garcia). Qual é a relação do título com o filme? Assim como a própria Coixet costuma dizer, é do título que vem o tema para construção do enredo, da história. O poder das palavras é imenso, elas reconfortam alguém em um momento de aflição e angústia, traz alegria à quem já não consegue sorrir. As palavras são capazes de conquistar a pessoa amada, evitar que alguém tome alguma atitude precipitadamente, as palavras também podem ferir mais do que uma arma de fogo. Os protagonistas são Hanna (Sarah Polley) - Sensacional e brilhante atriz canadense que já havia trabalhado com Coixet anteriormente em "Minha vida sem mim", no papel de Ann, e por quem eu tenho tanta admiração - e Josef (Tim Robbins), cada um deles guarda segredos que os assombram. Hanna Amiran é uma refugiada de guerra que guarda consigo traumas de proporções absurdas, ela trabalha dedicadamente em uma fábrica têxtil e leva uma vida monótona e solitária tentando conviver com as dores do passado, além disso, Hanna tem um problema de audição o que faz com que ela tenha de usar um aparelho auditivo; aparelho este que ela tem como arma para se defender dos outros, das palavras. Josef é um Operador que trabalha em uma plataforma petrolífera e que sofre um acidente que o causa graves queimaduras e cegueira temporária, como não é exceção, Josef também guarda lembranças dolorosas e traumáticas. O destino dos dois é traçado quando em uma oportunidade Hanna se desloca, como enfermeira, até a plataforma para cuidar de Josef, até que ele possa ser transferido à um hospital. A partir daí eles descobrem e aprendem a compartilhar os segredos e temores, confiam um ao outro traumas capazes de destruir sonhos, metas e até a vontade de continuar vivendo, as mais negras e sombrias lembranças que possam existir na mente de uma pessoa. É quando surge o sentimento mais importante e capaz de trazer felicidade à quem já não sonha mais em ser feliz; o amor. O amor, ele faz com que as feridas do passado possam se cicatrizar, e que se não tanto, pelo menos ajuda a amenizar a dor. O amor capaz de dar metas e um novo sentido à vida. O filme explora com bastante delicadeza sentimentos inerentes ao ser humano e mostra como as pessoas fazem para conviver com as dores do passado, como prosseguir com a vida depois de um momento tão trágico.É um filme belo com dosagem perfeita de cinismo, melancolia, simplicidade, alegria e humor. As atuações de Tim Robbins e Sarah Polley, principalmente, são desconcertantes, belíssimas, assim como as de todos os demais integrantes do elenco, que também conta com Javier Cámara, Julie Christie e Leonor Watling (Também contribuiu em "Minha vida sem mim", no papel de Ann) em participação especial.

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