Henrique Miura (e-mail),
Leitor do Adoro Cinema - Nota 9:
"Muita
gente virou a cara para o "A Vida é Bela", afinal ele "matou"
o filme brasileiro que tinha as melhores chances de ganhar o Oscar. Muita gente
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viu ou foi ver esse "A Vida é Bela" como se fosse ver um "inimigo".
Por isso a aceitação dele no Brasil foi meio fria, muita gente
metendo bronca nele e dizendo coisas sem fundamento, mas hoje posso dizer que
"A Vida é Bela" mereceu de longe aquele Oscar, é muito
superior que "Central do Brasil".
Geralmente os filmes italianos sempre
colocam crinaças com olhares ingênuos para encantar a platéia,
foi assim antigamente ("Ladrões de Bicicleta"), foi assim também
no começo da década de noventa ("Cinema Paradiso") e
foi assim também com esse "A Vida é Bela". O garotinho
esbanja carisma, se mostra uma pessoa ingênua e muita simpática,
ele ao lado do Benigni garante enormes momentos de afeto e emoção
no filme.
Tudo bem que o Oscar de melhor ator
para o Benigni foi total exagero. Sua atuação foi muito boa, mas
nem se compara com o que o Edward Norton fez no excepcional "A Outra História
Americana". Mas as indicações para melhor diretor, roteiro
original, montagem e vencer de trilha sonora foram muito merecidos. A trilha
sonora italiana sempre aparece bem em dramas de guerra, diga-se de passagem
a de "Underground" de 1995 (filme italiano passado durante guerra
também), que também é excelente, sempre músicas
muito bem compostas e com arranjos plausíveis.
O filme é dividido em 2 partes:
na primeira hora de duração Guido Orefice (Roberto Benigni) sai
do campo e vai para a cidade, onde conhece uma charmosa professora chamada Dora
(Nicoletta Braschi), a quem ele dá o apelido de "princesa".
Nesse tempo ele trabalha como garçom, onde arranja amigos e inimigos
e tenta conquistar sua paixão.
A segunda parte começa quando
entra o garotinho na história e as partes mais dolorosas. Giosué
(Giorgio Cantarini, excelente!) é filho do casal. Durante a guerra eles
são mandados para campos de concentração e eles ficam em
alas diferentes da dela (separação de homens e mulheres). Para
não deixar o garoto incomodado com a situação, Guido inventa
uma longa história, dizendo que tudo aquilo é um jogo e que quem
fizer 1000 pontos primeiro leva um tanque. Mas não será fácil
mantes essa "mentira", ele enfrenta muitas coisas para conseguir manter
essa fantasia para o garoto.
O que impressiona é que Guido
para conseguir se manter vivo e bem, acaba aceitando também tudo isso
como um jogo, faz da fantasia do filho a sua própria fantasia. Momentos
de encher nossos olhos estão presentes no filme também, como quando
os 2 encontram o microfone vago e logo Guido diz palavras belíssimas
para sua "princesa", que pode ouví-lo. Além disso o
garoto nos encanta com seu modo, principalmente no final, onde segurar as lágrimas
é difícil.
O filme mostra com bom humor e divertimento
o terror vivido pelos judeus italianos na 2º Guerra Mundial. Mesclando
um humor simpático com partes profundamente dolorosas, Benigni faz um
trabalho totalmente humano e profundo, consegue tocar o espectador de uma maneira
incrível, provando que de tempos em tempos o cinema italiano produz uma
obra-prima inesquecível.
"A Vida é Bela"
é um filme maravilhoso. O cinema italiano em sua melhor forma depois
do "Cinema Paradiso". Unindo temas complexos, usando seu humor e o
carísma dos personagens, Benigni faz um trabalho mais do que surpreendente,
que mereceu todos elogios da crítica internacional. Infelizmente aqui
no Brasil a coisa não foi tão aberta assim, já que o "Central
do Brasil" ficou lambendo o dedo. Para quem gosta de emoção
encantadora, esse é um filme que eu recomendo."