Francisco Russo, Editor do Adoro Cinema - Nota
9:
"Após muito tempo relutando, enfim
assisti a "...E o Vento Levou". Este é daqueles filmes que
constam na lista dos obrigatórios de todos aqueles que se dizem cinéfilos
e até por isso considerava um verdadeiro pecado ainda não tê-lo
assistido. Esta demora na verdade se deu por dois grandes fatores: preguiça
- um filme de 4 horas e com comerciais na TV aberta não me empolgava
muito, por mais famoso que ele fosse - e um pouco de preconceito - vários
já foram os comentários sobre o filme que o classificaram de "dramalhão"
ou "novelão", o que também não me empolgava.
Porém, em uma sexta na locadora me deparei com a versão de "...E
o vento levou" em DVD. Som original e remasterizado, sem comerciais...
respirei fundo e decidi quitar minha dívida naquele final de semana.
Esperava que fosse gostar de "...E o Vento Levou", mas não
que fosse gostar tanto. A primeira metade do filme é simplesmente soberba,
regida pela clássica música-tema e recheada de grandes momentos,
como o primeiro encontro a sós entre Rhett e Scarlet, a cena do incêndio
na fuga de Atlanta ou ainda o famoso diálogo de Scarlet quando retorna
a Tara, dizendo que fará de tudo para que nunca mais sinta fome. É
nele ainda que conhecemos Scarlet, personagem dos mais complexos e magnificamente
interpretado por Vivien Leigh. Scarlet é uma espécie de anti-heroína
pela qual todos torcem, pois apesar de ser egoísta, manipuladora e autoritária
ela acaba se tornando a peça principal para a salvação
de todos os demais personagens, mesmo que seja meio a contragosto. Mas além
de Scarlet vários outros personagens também brilham nesta primeira
metade: Cary Grant, com seu Rhet Butler cínico e debochado; Olivia de
Havilland, que faz uma personagem meiga e verdadeiramente bondosa; e ainda Hattie
McDaniel, como a criada rígida e ainda assim atenciosa.
Já a segunda metade dá razão às acusações
de "novelão" que o filme recebe. Apesar de ainda ser muito
boa é bem inferior que a parte inicial do filme, principalmente pela
ausência de grandes momentos, que aparecem em profusão na primeira
metade. Aqui o que mais se vê são dramas familiares e a reconstrução
dos principais personagens no pós-Guerra Civil, nada muito diferente
do que se vê hoje em dia nas novelas de época da Globo. Entretanto,
a curiosidade em saber o que ocorrerá com os principais personagens e
ainda as grandes atuações de Cary Grant, Olivia de Havilland e
Hattie McDonald, além de Vivien Leigh, conseguem manter o interesse do
espectador até o final.
"...E o Vento Levou" é um filme que merece toda a fama que
possui, não apenas pelos destaques citados nesta crítica mas também
pela sua produção majestosa e muito bem feita. Sendo que há
ainda um detalhe não mencionado: após terminar de assistir ao
filme é que notei que não havia paralizado o filme em nenhum momento,
ou seja, o ritmo que ele possui conseguiu me envolver tanto que as 4 horas acabaram
passando bem rapidamente."